Sabe aquela briga de galo com resultado improvável? Quem acreditaria que um galinho garnisé venceria um time inteiro de galos gigantes brigadores? Foi mais ou menos isso que aconteceu na sessão de ontem (22).
Antes da sessão começar foi cedido espaço para um grupo de jovens fazer uma manifestação de repúdio a violência contra os jovens, especialmente contra o assassinato brutal da jovem Lorena que teve sua vida ceifada dentro de sua própria cassa. Foi o único momento bonito e sereno da casa de leis (ou seria casa da Mãe Joana?).
O relógio já marcava 17 horas quando o presidente Ivonaldo Brás pediu cinco minutos para uma reunião com os vereadores na sala do queijo. Sob protestos da platéia que aguardava impaciente, todos obedeceram ao presidente.
Por volta de 17:20h. os membros do Conselho do Pântano Azul* tomaram seus lugares para enfim, dar início a mais inusitada e improvável guerra. Após a execução dos hinos e da leitura do versículo bíblico (ritual para tentar afastar os demônios), uma movimentação estranha foi notada pelo público. Um grande numero de policiais fortemente armados adentraram à casa e fizeram um cordão de isolamento em frente ao vidro que protege a população de possíveis ataques dos vereadores. O Brás revirava os olhos e girava em sua cadeira com claros tiques nervoso. Algo podre no ar. Uma guerra estava sendo esperada ali e pelo numero de policiais, haveria tentativa de linchamento dos vereadores.
Enfim, veio a bomba. Mais um pedido de afastamento do prefeito Valmir havia sido protocolado na Câmara e já contava com 11 votos certos para a aprovação. Pelo regimento da Câmara, o pedido seria apresentado na mesma sessão, lido e submetido à votação no plenário. Esse seria o caminho legal e normal. Seria se...
Deu a louca no presidente
Inacreditável! O presidente Ivonaldo Brás atendendo a uma ordem do Palácio Cinzento preferiu arriscar tudo e rasgar o regimento e jogar na cara dos vereadores e da população. Incorporou o espírito do Hitler, sapateou, rodou a baiana e cometeu todos os crimes que um ser político poderia cometer. Sem nenhuma fundamentação técnica ou jurídica disse que o pedido de afastamento do prefeito só entraria na pauta na próxima sessão do dia 29.
O Brás, com muita segurança, como quem tem uma carta importante na manga contra os vereadores, cometeu os crimes de prevaricação, improbidade, abuso de poder, desrespeito ao Regimento Interno, e outros crimes a mais. Agiu feito mulher valente em casa de bêbado.
A estranha reação dos vereadores
O Brás baixar o santo de ditador é normal. O que não é normal é um grupo de experientes vereadores aceitarem e só espernear após o fato consumado. O normal seria os edis enquadrar o baixinho e impedir a sessão.
Pasmem, mas somente o vereador Charles foi pra cima do Brás num embate solitário em que os demais vereadores apenas assistiam atônitos e assustados. Por mais que o Charles argumentava, pedia a intervenção da procuradoria, mostrava a ilegalidade do presidente, não houve jeito. O Brás apenas fazia cara de desdém, jogava a aba do paletó de lado e ordenava: "Bruno, leia os requerimentos e vamos continuar a sessão". O Bruno começava a ler e tome vaias da platéia, tome gritos de "vendido, traidor". O Bruno recua e o presidente ordena: "leia Barrão". A cena se repete. Por fim, a tarefa sobrou para o ajudante de ordens Zacarias que leu os requerimentos sobre intensa vaia.
O Charles continuava insistindo apelando pela legalidade e o presidente não se tocava. No espírito de "essa câmara é minha, eu mando, calem a boca e obedeçam, não tô nem aí", continuou desdenhando de todos e zombando do Regimento.
Tai a explicação do grande numero de policiais. Em qualquer cidade que acontecesse uma cena dessa, a população quebraria aquele vidro e lincharia uns três vereadores. Ninguém brinca e zomba com a cara do povo e sai impune dessa maneira. Para sorte do Brás e dos que apoiam a sujeira do governo, nosso povo é pacato e pacífico.
Somente após o fato consumado alguns vereadores usaram a tribuna para protestar. O protesto mais enérgico foi o do Massud que disse que entraria com o pedido de prestação de contas do presidente, insinuando que tem muito lixo sob o tapete. O Pavão fez o protesto mais criativo. Disse que como seu voto não valia nada, sua palavra também não valeria. Assim, pediu que contasse os seus cinco minutos em absoluto silêncio em homenagem ao povo que estava sendo desrespeitado.
Vereadora Joelma mostra coerência
Nas explicações finais a vereadora Joelma disse que nunca imaginou que uma casa de leis pudesse ter uma atitude tão desprezível como aquela. "É contraditório uma Câmara de Vereadores que deveria zelar pelas leis, ser a própria a desrespeitá-las. O plenário deveria ser soberano em qualquer situação e não a vontade e os caprichos de um único vereador. Isso é ditadura e eu abomino", asseverou a vereadora com indignação.
O que esperar dos vereadores?
Em situação normal, os vereadores não deixariam começar a sessão. Uma atitude inteligente seria sair do plenário e se juntar ao povo e inviabilizar a sessão. Assim, dariam início a um levante popular ordeiro e enquadrariam o Brás, impedindo assim uma ditadura ridícula de um líder que se comporta como um menino mimado que apanha em casa e desconta nos "coleguinhas" mais fracos na rua.
Ao deixarem o Charles brigando sozinho para tentar impedir o descalabro absurdo, ficou a impressão que realmente o Brás tem um trunfo muito forte contra os vereadores.
Vale ressaltar que os únicos governistas que saíram em apoio ao Brás foi o Bruno e Zacarias.
*O pântano azul - crônica do livro O escorpião e a borboleta que mostra o cotidiano e os bastidores da política de Parauapebas. Disponível na livraria Nobel do shopping ou no site da Livraria Cultura e Livraria Asabeça.
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