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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

HOMENAGEM AOS PROFESSORES - SÓ PARA SACANEAR...

Professor Fernando completou em fevereiro de 2017, trinta anos de dedicação exclusiva ao magistério. Pensou até em fazer uma festa de comemoração, mas preferiu deixar para outra ocasião. Quem sabe, nos quarenta anos, a situação esteja melhor e haja algum motivo para comemorar?

Começou a lecionar numa pequena escola da periferia de Marabá-PA. No começo, tudo era sonho. Planos de aulas inovadores, teorias pedagógicas revolucionárias, ideal de transformar o Brasil através da educação... O professor Fernando vibrava! Seus olhos brilhavam a cada etapa no início de sua carreira. Mesmo com as limitações, a falta de recursos, falta de valorização da carreira do magistério, falta de compromisso dos governantes, falta de papel, de giz, falta de... ele continuava otimista e mantinha a esperança de que um dia tudo haveria de melhorar. "Um dia esse país vai tratar o professor como ele merece. Um dia a educação será valorizada nesse país e o Brasil será um gigante, uma potência mundial" - sonhava Fernando.

Fizesse sol ou desabasse uma tempestade, professor Fernando sempre estava firme e forte. Com seu planejamento sempre atualizado, ele trabalhava sempre com o brilho no olhar e com o compromisso de quem quer deixar um legado para a humanidade. Nunca faltou ao seu trabalho, exceto nas raras exceções que adoecera em função da rotina da profissão, e mesmo assim, sempre dava um jeitinho de ir à escola. Professor Fernando era daqueles abnegado, comprometido até demais.

Sua missão de educar ultrapassava as fronteiras dos muros da escola e atingia toda a comunidade. Além da formação pedagógica, oferecia também orientações de cidadania, ética e, sempre dava um jeito de envolver as famílias no processo de formação. E ainda tinha tempo de organizar o sindicato dos trabalhadores em educação. Como militante, acreditava sempre na luta como forma de avançar e conquistar dias melhores.

Os anos se passaram e o professor Fernando via com desespero a educação se afundar e se degenerar no seu estado e no seu país. A cada ano, sofria com as crescentes faltas de recursos, o sucateamento das unidades escolares, a desvalorização dos professores, o descrédito e apatia da comunidade escolar. As constantes greves já não surtiam resultados, a não ser a depreciação e o desgaste dos próprios professores que tinham que repor aulas aos sábados e estender o ano letivo num círculo vicioso que não tinha fim. Antes, o apoio da comunidade era um alento, agora, notava-se um crescente clima de hostilidade e até agressões. "Esses vagabundos só querem viver fazendo greve", "não querem trabalhar e ficam prejudicando os alunos" - ouvia dos pais indignados. Ultimamente, um outro problema vem se agravando na realidade dos professores: a violência em sala de aula. O professor vem sendo destituído de sua autoridade natural e isso vem abrindo espaço para as ações de violência e desrespeito dentro e fora de sala de aula.

Se antes o objetivo do professor Fernando era mudar o sistema, agora lutava com todas as forças para não deixar o sistema lhe mudar. Queria preservar pelo menos a sua capacidade de sonhar. Assistia com tristeza os seus colegas professores desanimados e descrentes diante da realidade. Via professores novatos chegarem na escola cheios de sonhos e entusiasmos, e, no meio do ano letivo mudarem completamente o estado de ânimo. Ouvia colegas comentando que não tinha mais solução, que não adiantava dar murro em ponta de faca. "Vamos cozinhar esse galo bem devagar" - comentava um professor com ironia. "Calma colega, você não vai mudar nada aqui. O sistema não deixa" - falava outro com descrença. "Ei professor, vá enrolando um pouco aí senão vão te chamar de caxias". "Senta aí rapaz, o sinal já tocou mas ainda não é o fim do intervalo. Relaxe!" - brincava uma professora.

Em abril de 2017 o professor Fernando recebeu um comunicado da Secretaria Estadual de Educação  (SEDUC) onde convocava-o para comparecer na sede da capital em 24 horas para resolver pendências. Não havia a mínima condição de cumprir àquela convocação. A capital ficava a 700 quilômetros de distância, além da falta de tempo e condições financeiras para a locomoção. Enviou uma resposta por SEDEX onde justificou a impossibilidade do comparecimento no prazo. Solicitou um prazo maior e sugeriu que enviassem as passagens ou agendasse para a 4ª URE (Unidade Regional de Ensino) que fica no seu município. A SEDUC ignorou sua resposta e mandou mais uma convocação. Mais uma vez ele respondeu e nada. Recebeu a terceira e quarta convocação. "O que está acontecendo? Esse povo está se fazendo de doido? Nem se dignaram a responder minhas justificativas e sugestões!" - pensou indignado o professor Fernando. E foi à Belém ver do que se tratava a convocação, pois a última falava de uma dívida do professor com o estado.

O professor Fernando chegou a Belém todo apreensivo e curioso. Enfim, iria conhecer a sede da Secretaria Estadual de Educação. Antes, deu uma passada no palácio da justiça. Um antigo prédio onde funcionou uma das escolas mais antigas de Belém - Colégio Lauro Sodré. Ficou encantado com a suntuosidade, o luxo e a organização do local. Piso em porcelanato, salas amplas e bem iluminadas,, mobília impecável, paredes decoradas com obras de arte, jardins externos bem conservados, funcionários sorridentes e prestativos... Enfim, um ambiente perfeito onde tudo funcionava perfeitamente. "Se o palácio da justiça é assim, a sede da educação deve ser muito mais bonita" - pensou encantado o professor Fernando. Com essa empolgação, tomou um coletivo e seguiu rumo a avenida Augusto Montenegro para a Secretaria Estadual de Educação. Enquanto se equilibrava em pé no coletivo lotado ia pensando nas possibilidades: "quem sabe eu consigo falar com a secretária de educação? Quem sabe ela não me ouve e leva em conta minhas idéias para modernizar a educação do Pará? Pelo menos a coordenadora do setor de recursos humanos vai me atender e perceber que foi um engano e eu não devo nada ao estado".

Ao descer do coletivo em frente ao prédio da SEDUC o professor Fernando não acreditou no que seus olhos insistiam em mostrar. Esfregou os olhos na esperança de ser uma ilusão de ótica. "Será que era esse mesmo o endereço?" - pensou incrédulo. Realmente não era nenhum engano. Aquele prédio velho, sombrio que mais parecia um mausoléu abandonado era a sede da educação do estado do Pará. Caminhou decepcionado e, a medida que se aproximava a visão era mais surreal. Entrou no bloco indicado e caminhou pelos corredores sem acreditar no que via. Paredes velhas e descascadas que pareciam não ver uma demão de tinta há 20 anos. Nas salas observava fiação exposta, tetos com sinais de infiltrações, mobília velha e danificada, cartazes velhos fixados na parece sobre restos de cola e papéis grudados. O cheiro de morfo misturado com odor de curtume dominavam o ambiente. Em cada sala que entrava mais se surpreendia com a visão. Via mesas entulhadas com pilhas de papéis dando a impressão de que estavam ali há uns 30 anos. Em outras mesas notava pratos sujos e restos de comida. "Que horror! Isso é a sede da educação? Agora entendo porque nada funciona nas escolas" - pensou assustado o professor.

O professor Fernando foi tratado com descaso e desdém na SEDUC. Parece que ninguém queria ouvi-lo. Um lhe mandou esperar pois estava no horário de almoço. "Uai, mas a convocação diz que eu deveria comparecer das 8 às 14 horas. Ninguém me avisou que tinha intervalo para almoço" - resmungou desanimado. Após longa espera onde ele observava servidores manuseando celulares, conversando ao telefone, conversando despreocupado com colegas, mexendo nos computadores, uma moça com jeito de assessora de funerária anunciou: "entre que a 'dotôra' vai te receber. Ao entrar na sala da "dotôra" cumprimentou-a com cortesia: "olá, boa tarde. Sou o professor Fernando de Marabá." "Pois não professor!" - murmurou com mal humor a servidora sem ao menos levantar os olhos. No momento veio instantaneamente na cabeça do professor a música do Chico Buarque de Holanda: "de tanto gorda a porca já não anda... (cálice). "A senhora quem é?" - perguntou Fernando. "Sou a ouvidora" - respondeu secamente. "A senhora ouvidora tem um nome que eu possa chamá-la? - perguntou insolente. 

A conversa foi frustrante e decepcionante. O professor descobriu que tinha uma dívida de 19.899,00 com o estado e como não havia atendido às 4 convocações, já fora encaminhada para a dívida ativa e em breve seu nome constaria no cadastro negativo. "Seu nome ficará sujo até o senhor pagar o que deve", sentenciou com crueldade e sadismo a servidora.

O professor Fernando saiu da sala frustrado e sem esperança. Do lado de fora, sentou-se num banco de madeira e chorou. Pela primeira vez sentiu que todo o seu trabalho ao longo dos trinta anos não valeu de nada. "Vou desistir de ser professor, não vale a pena. Esse estado de vampiros não merece meu sacrifício, minha dedicação. Vou pedir minha aposentadoria antecipada mesmo perdendo a metade do meu salário. Para esse Estado não trabalho mais"- desabafou sozinho.

Na viagem de volta o professor Fernando vinha matutando e pensando nos procedimentos burocráticos para pedir a antecipação de sua aposentadoria. Um filme com sua história de professor passou pela sua cabeça misturada com as imagens dos cenários e das pessoas que vira na SEDUC. De repente, deu um estalo como se uma luz tivesse acendido em sua cabeça. "Mas não é exatamente isso o que esses vampiros querem? Todo esse sistema não está organizado justamente para isso? Querem mais é que os bons desistam, querem comer o nosso cérebro, matar nossos sonhos. Só assim, o Estado ficará livre para montar seu exército de zumbis e formar uma geração de jovens alienados, imbecilizados e dóceis. Aí o serviço ficará completo e a corrupção, a iniquidade e a imoralidade prosperarão".

O professor Fernando sorriu num tom triunfal e bradou: "Só pra sacanear não vou desistir de ser professor! Só pra sacanear vou ser ainda melhor! Só pra sacanear vou ser um professor ainda mais comprometido! Só pra sacanear vou ministrar aulas mais estimulantes, vou conquistar meus alunos, os pais dos meus alunos e meus colegas professores! Só pra sacanear vou tirar um tempo das minhas aulas para dedicar aos ensinamentos dos conteúdos transversais! Vou promover mais debates sobre os direitos humanos, sobre cidadania, sobre ética, responsabilidade... e sobretudo sobre os instrumentos de alienação e dominação da classe política e do Estado! Só pra sacanear!




segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Bolsonaro e seu discurso de ódio em Belém


Avanço do autoritarismo assanha os militares

Por João Filho, no site The Intercept-Brasil:

Como se fosse um beatle nos anos 60, Bolsonaro foi recepcionado por centenas de viúvos da ditadura militar no aeroporto de Belém na última quinta (28 de setembro). A cena se repete em todas as cidades que visita em sua campanha eleitoral antecipada: uma claque emocionada carrega o deputado pelo aeroporto debaixo de um coro de vozes graves que repete enlouquecidamente “mito! mito! mito”. Em discurso, o vice-líder na corrida presidencial pediu uma salva de palmas para o general Mourão e fez uma promessa: “Comigo não vai existir o politicamente correto. Vocês terão armas de fogo.”

A recepção foi organizada pela bancada da bala paraense, composta por ex-militares e abrigada pelo PSD. É essa gente do bem que está investindo na candidatura de Bolsonaro.

O deputado federal delegado Éder Mauro (PSD) gastou R$ 14 mil - do seu próprio bolso, segundo ele - para espalhar 400 outdoors pela cidade homenageando Bolsonaro. Mauro já foi alvo de um inquérito no STF (arquivado pelo Gilmar Mendes) por prática de tortura - uma das vítimas era uma criança de 10 anos - e é investigado por outros crimes, como extorsão e ameaça. Ele também defende abertamente um golpe militar no país. O vereador Sargento Silvano (PSD), conhecido na capital paraense por ser um policial casca-grossa, também contratou outdoors. Bastante ativo nas redes sociais, ele costumava gravar vídeos pregando a bíblia ao lado dos subordinados antes de operações policiais. É essa gente do bem que está investindo na candidatura de Bolsonaro.

No mesmo dia em que a bancada da bala paraense se divertia com seu presidenciável, o Estadão publicava editorial alertando para as “soluções extravagantes” que começam a surgir diante da grave crise institucional que abala o país.

A pretexto de ilustrar essas ideias pouco republicanas, o jornal decidiu publicar dois textos de opinião: um de um membro Judiciário e outro do Exército. No primeiro, um desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo defende a judicialização da política. Para ele, o judiciário não está usurpando o poder legislativo, mas cumprindo um dever. No segundo, este muito mais assustador, o Estadão ajuda a engrossar o coro do general Mourão e abre espaço para outro general fazer sérias ameaças contra a democracia. Intitulado “Intervenção, legalidade, legitimidade e estabilidade”, o texto de Luiz Eduardo Rocha Paiva trata um possível golpe militar como uma solução legítima se a “crise política, econômica, social e moral chegar a extremos.”

O texto começa lamentando não haver dispositivo legal que autorize a tomada de poder pelas Forças Armadas, mas conclui afirmando que isso não será um empecilho. Trata-se de um verdadeiro atentado contra a Constituição. O discurso é exatamente o mesmo que nos levou ao golpe de 1964: as Forças Armadas trariam ordem para um sistema político caótico e corroído pela corrupção. Alguns trechos são para deixar qualquer democrata de cabelo em pé:
“A intervenção militar será legítima e justificável, mesmo sem amparo legal, caso o agravamento da crise política, econômica, social e moral resulte na falência dos Poderes da União.”

“Em tal quadro de anomia, as Forças Armadas tomarão a iniciativa para recuperar a estabilidade no País, neutralizando forças adversas, pacificando a sociedade, assegurando a sobrevivência da Nação”

“A apatia da Nação pode ser aparente e inercial, explodindo como uma bomba se algo ou alguém acender o pavio. Na verdade, só o STF e a sociedade conseguirão deter o agravamento da crise atual, que, em médio prazo, poderá levar as Forças Armadas a tomarem atitudes indesejadas, mas pleiteadas por significativa parcela da população.”
Por mais que saibamos que o Estadão sempre esteve do lado errado da História, apoiando com entusiasmo o golpe militar de 1964, o golpe parlamentar de 2016 e o governo Michel Temer, não é possível que, em pleno 2017, o jornal dê voz para uma nova conspiração dos militares. Em um momento em que a onda reacionária vai se agigantando, fica difícil engolir a justificativa de que a publicação desse discurso golpista tenha como objetivo “ilustrar o pensamento de uma solução extravagante”. Aliás, qualificar como “extravagante” o que deveria ser considerado um crime contra a democracia, não pode ser encarado como uma simples escolha semântica equivocada.

A opinião do general é clara, direta e, somada à coluna de Mourão, também publicada pelo Estadão, não deixa dúvidas de que os quartéis nunca estiveram tão assanhados desde o regime militar.


No mesmo dia, o Congresso aprovou uma alteração na lei eleitoral que permite censurar conteúdo nas redes sociais sem necessidade de ordem judicial. A reação contrária foi imediata e fez Temer vetar o trecho de censura. Mas é mais um exemplo de como o espírito autoritário tem rondado a democracia brasileira.

Um outro projeto aterrorizante patrocinado pela bancada da bala foi incluído na pauta de votações da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. De autoria do deputado e ex-coronel Alberto Fraga (DEM-DF), o projeto de lei garante a policiais militares de todo o país acesso irrestrito a dados pessoais de qualquer cidadão brasileiro. Sim, exatamente como acontecia durante a ditadura militar. É curioso ver como essa gente, tão preocupada com a democracia venezuelana, não tenha pudor algum em expor sua sanha autoritária no Brasil.

Percebam a quantidade de patentes militares que foram citadas nesta coluna. É coronel, é delegado, é sargento. Tirando os generais colunistas do Estadão, todos os demais foram democraticamente eleitos, mas invariavelmente aparecem apresentando projetos antidemocráticos e exaltando golpes militares. Esse é um preço alto que o Brasil paga por não ter julgado corretamente os assassinos e torturadores da ditadura. Décadas depois, os criminosos nem parecem tão criminosos assim.
Esse é um preço alto que o Brasil paga por não ter julgado corretamente os assassinos e torturadores da ditadura.Por não termos passado a limpo judicialmente os diversos crimes cometidos pelo Estado na ditadura, ainda há quem acredite não ter havido corrupção naquele período. Eleger militares que exaltam os anos de chumbo não parece um absurdo aos olhos de parte considerável da população. Pelo contrário, eles podem até virar ˜mitos˜.

Pesquisa encomendada pelo Datafolha revelou que os brasileiros, motivados principalmente pela violência urbana, têm alta tendência a apoiar teses autoritárias. Numa escala que vai de 0 a 10, os brasileiros atingiram o elevadíssimo índice de 8,1 na propensão a endossar posições autoritárias.

Muitos apontaram um pessimismo excessivo da minha parte na última coluna. Bom, passada uma semana, informo que o meu pessimismo subiu e, numa escala de 0 a 10, atingiu o índice de 9,75.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

VARANDA CULTURAL - UM BANHO DE CULTURA PARA A ALMA E PARA A MENTE


A APL - Academia Parauapebense de Letras, em parceria com o Partage Shopping promoverá um grande evento literário denominado "Varanda Cultural". Será uma grande oportunidade para conhecer os escritores e a literatura de Parauapebas e região, além de desfrutar de uma agradável programação com muitas novidades.

Sabemos que a leitura faz a diferença na vida das pessoas e todos os grandes vencedores tiveram uma coisa em comum: o gosto pela leitura. Nessa ótica, a Academia Parauapebense de Letras vem desenvolvendo várias atividades para resgatar e incentivar a prática da leitura como reforço intelectual.

Será uma programação voltada para toda a família,
bem como para os estudantes de todos os níveis e a população em geral. Além dos escritores, teremos exposição de livros, exposição de caricaturas dos escritores, leitura de crônicas, poesias, recitais, varal literário, dança de salão, sequestro literário, música ao vivo e muitas outras surpresas. O público será a estrela principal!

Teremos a participação especial da Escola de Dança Arte e Vida, do artista plástico Afonso Camargo, de escritores regionais e diversos talentos de Parauapebas.

Data: 26 de agosto de 2017
Horas: 17h as 19h - música ao vivo e exposições.
     19h às 22h - apresentações literárias e show local. 

Prepare sua caravana e venha desfrutar da noite mais agradável e surpreendente de sua vida.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

A ADESÃO DO PARÁ À INDEPENDÊNCIA - UM BLEFE QUE DEU CERTO.

Você sabe por que é feriado aqui no Pará no dia 15 de agosto? Conhece a história da adesão do Pará à independência?

Fiz essa pergunta aos meus alunos e, pasmem, nenhum sabia a resposta. Podemos seguramente medir o desenvolvimento de um país por dois fatores: o domínio da língua mátria e o domínio da sua história. Isso é assustador, pois aqui, a maioria dos nativos falam e escrevem algo  parecido com a língua portuguesa e ignoram quase que completamente a nossa história.

Costumo chamar esse feriado de "feriado da vergonha", pois, somente depois de 11 meses e oito dias, as autoridades paraenses resolveram aceitar a independência e deixar de ser uma colônia de Portugal, e mesmo assim, por medo. Foi preciso um blefe para aceitarem a independência.

Selecionei um texto para ajudar os leitores a compreender um pouco dessa história. Recomendei aos meus alunos, mas, infelizmente, dos 1.200, talvez uns vinte leiam.

Leia com calma, sem pressa e ajude a tirar o país da ignorância, pois a falta de conhecimento é a maior arma dos corruptos e lacaios.

Boa leitura!

Adesão do Pará à Independência do Brasil!

Prof. Leonardo Castro

Até o começo da segunda metade do século XIX, a Amazônia tinha a sua sede em Belém; o que hoje corresponde ao atual Estado do Amazonas ainda era subordinado, como capitania, ao Pará. As autoridades portuguesas, que sempre dedicaram uma atenção muito especial a esta região, tinham bases administrativa e econômicas muito sólidas. Proclamada a Independência do Brasil, em 1822, poucos reflexos o fato despertou no território paraense. Apenas alguns idealistas pugnavam pela separação de Portugal. Mas, sem a ajuda do novo Império, nada poderiam fazer contra as forças militares sediadas em Belém, que continuavam fiéis a Portugal. As oposições entre grupos civis e militares se fazia no meio da nova vida política com eleições para as Juntas e com a presença dos líderes. A vida no Pará foi marcada, durante uns 14 anos, por diversas rebeliões e acontecimentos dramáticos.

Em 1823 nas eleições são vitoriosos os partidários da emancipação política da Colônia. Os defensores da vinculação do Pará à metrópole portuguesa tentaram anular a eleição, mas sem sucesso. Em março deste mesmo ano, a tropa prende os membros da Junta e restabelece uma Junta favorável aos interesses de Portugal. Em abril de 1823 há a revolta em Belém e Muaná dando apoio à Independência do Brasil e do Pará.

O sentimento separatista se refletiu por ocasião das eleições realizadas para a primeira Câmara Constitucional de Belém, no dia 25 de fevereiro de 1823. Vereadores brasileiros foram eleitos, enchendo de espanto e revolta o comandante das Armas, general José Maria de Moura, e seguidores de sua linha de fidelidade ao governo português. Os descontentes reuniram-se a fim de ser estudada uma atitude a tomar. Foi concedido o plano de anular o pleito. No dia primeiro de março, o coronel João Pereira Vilaça mandou prender, em suas próprias residências, os componentes da Junta, restabelecendo a antiga Câmara, composta de conservadores. Os detidos foram deportados para diversos pontos do interior amazônico. O líder Batista Campos escapou, escondendo-se na mata próxima de Belém.

Contudo os partidários da Independência não haviam desistido, e tiveram início reuniões secretas, principalmente na casa de um italiano, de nome João Balbi, na rua do Laranjal. Os membros trataram em conseguir apoio militar, que veio através do capitão Domiciano Ernesto Dias Cardoso, do capitão Boaventura Ribeiro da Silva, entre outros. Os conspiradores acertaram o movimento para a madrugada do dia 14 de abril. Ao amanhecer, o 1º regimento surgiu à rua Santo Antônio. Vinham à frente, o comandante das Armas, José Maria de Moura, o coronel Vilaça e o Coronel Francisco José Rodrigues Barata (bisavô de Magalhães Barata). Houveram instantes de indecisão entre os revoltosos, pois até então não havia violência nem mortes. O cadete Bernal do Couto quis disparar uma peça de artilharia. Porém, Boaventura da Silva o impediu. Desta forma, a revolta nacionalista fracassara. Todos os revoltosos foram presos e recolhidos à Fortaleza da Barra (os oficiais) e à cadeia pública (os civis). Entre os civis estavam Bernardo de Souza Franco, cônego Jerônimo Pimentel, José Pio de Araújo Nobre, Honório José dos Santos, Manoel Evaristo da Silva, João Balbi, etc.

Após o julgamento foram condenados à morte. Porém, interferências de pessoas influentes (como o bispo D. Romualdo Coelho), fizeram com que a pena se transformasse em prisão e degredo. Para isto, transferiram-nos para Lisboa. Muitos dos que sobreviveram retornaram ao Pará após a adesão à Independência do Brasil.

O Lord Cochrane, após de se conseguir, no final de 1823, a adesão do Maranhão à Independência do Brasil, voltou à Amazônia, o último reduto português no Norte. Incumbiu o capitão John Pascoe Greenfell para desempenhar a missão. Comandando o brigue (navio a vela) “Maranhão”, com uma tripulação de 96 homens, no dia 5 de agosto, Greenfell tomou rumo ao Pará.

No dia 11, Greenfell enviou à Junta o oficio de Lord Cochrane, avisando que o Brasil, do Sul ao Maranhão, encontrava-se sob o governo de D. Pedro I; faltava apenas o Pará para que a nação ficasse independente. A notícia de que a esquadra de Cochrane se encontrava fora da barra e que se emissário se achava perto da ilha Periquitos, alvoroçou Belém. Foi convocado o Conselho, para discutir o assunto. Após algumas horas de debates, o Conselho decidiu aderir à Independência, contra os votos do general Moura. Lavraram uma ata e enviaram-na a Greenfell. Desta forma, a data de adesão do Pará à Independência do Brasil é 11 de agosto; no entanto, é festejada no dia 15, em virtude de nesse dia ela ter sido oficializada.
Adesão do Pará à independência.
Contudo a eleição da Junta Provisória do Governo, após a adesão do Pará à Independência, não satisfez os nacionalistas. Ela era composta em sua maioria por conservadores. Isso significava que, embora aderindo ao Império Brasileiro, o Pará continuava sendo governado por elementos nitidamente comprometidos com a Coroa Lusa. As preferências dos nacionais dividiam-se entre o cônego Batista Campos e o bispo D. Romualdo Coelho.

Imediatamente após a posse, numerosos brasileiros enviaram à Junta uma petição em que exigiram a demissão de cargos civis e militares de todos os portugueses ou pessoas ligadas ao passado, que de uma maneira ou outra se tinha mostrado contrários à incorporação do Pará ao Império. Como encontraram resistência, uma coluna, sob o comando do alferes Pereira de Brito, dirigiu-se para a residência de Batista Campos. O comandante pediu-lhes que ordenasse a abertura das portas do Trem de Guerra. Apreciando os sucessos, e ante à gravidade da situação, resolveram atender às exigências dos revoltosos, e as portas do depósito de armas foram-lhe abertas. Depois disso, conseguiram que todos os portugueses fossem demitidos de seus cargos públicos e que Giraldo José de Abreu fosse substituído na presidência por Batista Campos.

Entretanto, Greenfell e seus navios estavam fundeados na baía do Guajará. Na noite do dia imediato, sabendo do que ocorria na cidade, mandou seus marujos para à terra a fim de prenderem todas as pessoas que fossem suspeitas, sem obedecer qualquer distinção social. Centenas de pessoas foram aprisionadas. Na manhã seguinte (dia 17), Greenfell mandou que o Parque de Artilharia se postasse no Largo do Palácio. Escolheu entre os prisioneiros cindo deles e mandou fuzilá-los. Mandou prender Batista Campos. A prisão do líder nacionalista foi efetuada pelo capitão Joaquim José Jordão. O inglês mandou amarrar Batista Campos na boca do canhão. No instante em que ia ordenar o disparo, muitas pessoas influentes, que ali se encontravam (entre elas o bispo D. Romualdo Coelho), intercederam e o cônego foi poupado. Todavia, levaram-no preso para bordo do brigue “Maranhão”, sendo de lá transferido para a charrua “Gentil Americana”. Os civis e militares que tinham sido presos na noite de 16 foram coletivamente assassinados no porão do brigue “Palhaço”. Foi a maior chacina que havia ocorrido até então na história paraense; nada menos de 252 pessoas ali perderam a vida. Em outubro de 1823, em Cametá houve uma rebelião contra o morticínio no brigue “Palhaço”, bem como nas vilas de Baião, Oeiras, Portel, Melgaço, Moju, Igarapé-Miri, Marajó, Abaeté, Muaná, entre outras.
Brigue Palhaço. Tela de Romeu Mariz Filho

Referência Bibliográfica
BARATA, Manoel. Formação histórica do Pará. Belém: UFPA, 1973.
PROST, Gérard. História do Pará: das primeiras populações à Cabanagem. Volume I. Belém: Secretaria de Estado de Educação, 1998.
RAIOL, Domingo Antônio. Motins políticos. Belém: UFPA, 1970.
ROCQUE, Carlos. História geral de Belém e do Grão-Pará. Belém: Distribel, 2001.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

11 DE AGOSTO - DIA DO ESTUDANTE

Em 11 de agosto, é comemorado o dia daqueles que dedicam parte de seu tempo aos estudos, é Dia do Estudante. Das crianças da educação básica aos pesquisadores doutores, passando pelos jovens do ensino médio e superior, a data é uma homenagem a todos eles.
Para entender as comemorações desse dia, é preciso voltar na história, pois, em 11 de agosto de 1827, D. Pedro I autorizou a criação dos primeiros cursos superiores no Brasil. Foram criadas as Faculdades de Direito de Olinda, em Pernambuco, e do Largo do São Francisco, em São Paulo, pioneiras no ensino superior.
Dessa forma, a comemoração do Dia do Advogado, que no Brasil também é celebrado no dia 11 de agosto, é uma forma de comemorar o início do ensino superior e das disciplinas jurídicas em solo brasileiro. Em 1927, durante as comemorações do centenário dessa data, o jurista Celso Gand Ley sugeriu que essa celebração fosse mais abrangente, comemorando também o Dia do Estudante.
Outro fato que reforçou ainda mais as comemorações dessa data foi a criação da União Nacional dos Estudantes (UNE) no dia 11 de agosto de 1937. Com o objetivo de representar os estudantes de diversas categorias, a UNE participou de movimentos populares, como as “Diretas Já” e os “Caras Pintadas”.
Outra comemoração ligada à classe estudantil é o dia 17 de novembro, conhecido como o Dia Internacional do Estudante. A data remete à resistência estudantil à ocupação nazista, em 1939, na antiga Tchecoslováquia.
Estudantes no Brasil
Até a criação dos primeiros cursos superiores em solo brasileiro, os jovens que desejassem continuar os estudos deveriam ir para a Europa, possibilidade aberta apenas para os filhos de famílias nobres. A partir de 1827 outras instituições de ensino foram surgindo em virtude da iniciativa pública e também privada.
O acesso à Educação é um direito assegurado pela Artigo 26 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, por isso, vários programas governamentais já foram criados para incentivar a permanência na escola e zerar o analfabetismo.
Uma dessas iniciativas do Governo brasileiro é o Plano Nacional de Educação, que monitora, a cada ano, o número de alunos matriculados na educação básica. Há, ainda, planos para o ensino superior que, além de facilitar a entrada em uma universidade, concedem auxílio para estudantes.
Segundo o Censo Escolar 2015, realizado pelo Ministério da Educação (MEC), quase 40 milhões de brasileiros estão matriculados em escolas de ensino infantil, fundamental e médio. No entanto, 17,3% das crianças com idade entre 4 e 5 anos ainda não estão matriculadas na pré-escola. Outra informação desse levantamento é que 1,6 milhão de adolescentes entre 15 e 17 anos abandonou os estudos antes de terminar o ensino médio.
Mundo Educação.bol

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

COLUNA DO LEITOR - DA SENZALA À GERAÇÃO WI FI

Por José O. Zelão V. Reis.

No final dos anos sessenta e toda a década de mil novecentos e setenta, período conhecido como anos de chumbo da ditadura militar, os movimentos sociais, sindicais e partidários para sobreviver e contrapor às barbáries impostas pelo regime (tanto dos militares quanto dos seus apoiadores - empresários internos e externos), tiveram que agir na clandestinidade - às vezes partindo para o confronto armado, como foi o caso das guerrilhas urbanas no eixo Rio-São Paulo e a guerrilha do Araguaia (debelada em 1975).

Nesse período, também não menos perseguida, sobreviveu fora da clandestinidade a UNE (União Nacional dos Estudantes). A UNE era a voz da juventude e influenciou no Brasil inteiro outros segmentos da classe estudantil e da sociedade como um todo. Na dor pela tortura e na perda pela morte, pelo desaparecimento e pelo exílio, a juventude era a força da esperança, a chama da liberdade, o grito que rompeu fronteiras e a voz que ecoou em distintos continentes e se fez ouvir incansavelmente até que veio a anistia, o primeiro passo para a retomada da democracia.

A transição não foi fácil; mais que transição foi uma imposição negociada: *o primeiro presidente civil pós-ditadura militar foi um fracasso, posto que veio por indicação dos militares; o segundo foi um desastre, visto que veio de uma tradição coronelista do que há de mais arcaico e corrupto do interior nordestino (nada contra os meus irmãos do nordeste, apenas contra os coronéis, não importa de onde o são); o terceiro foi uma farsa trans-vestida de social-democracia, sendo o mesmo um filhote do imperialismo norte-americano - foi um entreguista do patrimônio nacional a preço de bananas às multinacionais.

Mas o povo não se cansou e a luta continuou


A partir daí tivemos treze anos de governo popular, de reconhecimento e respeito internacional, de autoestima de um povo que saiu da linha de miséria e extrema pobreza ao ponto de se tornar modelo para o mundo no combate à fome, na ampliação de vagas nas universidades e do acesso às classes historicamente alijadas do ensino superior e na promoção e desenvolvimento de programas sociais como forma de distribuição de renda.

Isto mexeu com os brios da "Casa Grande" e infelizmente a nossa geração não preparou a geração Wi Fi para usufruir e gozar dessas benesses, conquistadas a ferro e a fogo. A nova geração não sabe de onde/como veio tanta liberdade e tantas oportunidades; apenas enxergam "culpados", como meninos mimados, quando o seu desejo não é satisfeito.

A Casa Grande soube aproveitar o "descuido" da ex-senzala, a insatisfação dos meninos mimados e o deslumbre dos ex-pobres/neo ricos que não entenderam nada e... de novo deu o golpe.

Retrocedendo ao período colonial, resta saber como os ex-ricos agora neo pobres vão se virar para reconquistar o seu lugar ao sol. Se vão lutar como os seus pais ou se vão procurar culpados.

P.S.*

1. Sarney (oriundo da ditadura militar - saiu do PDS e se filiou ao PMDB na última hora, porque a legislação eleitoral não permitia coligação interpartidária, resquícios  do autoritarismo); 
2. Collor -  eleito pelo voto popular - cassado por corrupção ativa);  e
3. FHC - indicado por Itamar Franco, deu sequência ao programa de privatização iniciado por Collor, sob orientação do FMI.

Depois deles até o golpe do Michel houve o período intermediário com Lula e Dilma.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

A GUERRILHA CIENTÍFICA NO BRASIL

Por Felipe Melo
No Brasil existe uma forte cultura de superação, seja do que for. O brasileiro gosta de ver seus compatriotas superando dificuldades, que são exaustivamente garimpadas pela mídia e propagadas como exemplos de vida. São os heróis nacionais verdadeiros quase sempre de bolso vazio. Atletas pobres que conseguiram subir ao pódio apesar da infância descalça e faminta. São portadores de deficiência que insistem em exercer sua cidadania em cidades onde só gozam desse direito os donos de carros quando estão enlatados numa dessas armaduras. Quando então alguém encontra e devolve dinheiro alheio garante seu acesso à TV e ao céu, simultaneamente, afinal o maior heroísmo dos brasileiros é a honestidade.
Decidi seguir a carreira acadêmica no Brasil. Após 10 anos como bolsista (graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado), aos 32 anos, fui contratado via concurso público pela UFPE. Então descobri, da maneira mais crua, o que como estudante não tinha vivenciado tão na pele. Fazer ciência no Brasil é um ato de guerrilha, de subversão da ordem cuja gratificação é puramente íntima para uns, ideológica para outros, talvez até um compromisso patriótico para outros tantos, mas sempre uma luta de superação e sem direito ao paraíso. Guerrilha é isso, enfrentar de maneira improvisada as adversidades do cotidiano mirando numa grande missão.
Fui estudante de Biologia na UFPE dos anos 90, a famigerada ‘Era FHC’, quando as universidades se encontravam num estado de penúria crônica. Não havia muitas oportunidades para os poucos estudantes interessados na ciência de Darwin. Éramos majoritariamente brancos de classe média e nossas famílias permitiam que cursássemos uma universidade sem a necessidade de uma bolsa. Alguns tinham bolsas de iniciação científica (PIBIC), um programa concebido para fixar alunos nos laboratórios de pesquisa, único no mundo, mas muito exclusivo. Quando ingressei no mestrado em 2002 na mesma UFPE, tinha que disputar uma das poucas bosas que se dava aos 5 primeiros colocados da seleção. Quando parti para o doutorado em 2004 no México (UNAM), fui com uma das duas bolsas de doutorado que a Capes ofereceu naquele ano para todos os candidatos que concorriam no Brasil na área de Ecologia. Oportunidade maravilhosa para quem nunca havia pisado e terras estrangeiras. Durante esses anos de México vi como de repente, o Brasil estampava a capa da revista Nature. O mundo estava maravilhado com o “foguete” científico do Brasil, que da penúria crônica passou à abundância de recursos e oportunidades, em poucos anos. A ‘Era Lula’ traçou prioridades, acelerou a expansão universitária e inundou os órgãos de fomento federais e estatais com recursos. Bolsas já não eram um problema. Os recursos para pesquisa sujeitos à saudável avaliação por pares eram claramente mais abundantes.
Voltando à UFPE, já doutor em Ecologia, tive uma boa bolsa de pós-doutorado por 18 meses, antes de ser aprovado num concurso. Vi como a graduação tinha mudado. Agora, as turmas de Biologia eram majoritariamente compostas por negros e pardos, em sua maioria mulheres, geralmente da classe emergente da Era Lula. Eram filhos e filhas de pedreiros, domésticas, comerciantes moradores de subúrbios recifenses e cidades próximas misturados aos filhos da classe média. Muitos recebiam uma bolsa que lhes ajudava a pagar passagens, aluguel num quartinho nas proximidades da UFPE (quando eram do interior) e refeições. O programa Ciência sem Fronteira mandava pencas desses estudantes para experimentar o mundo. A UFPE é hoje infinitamente mais diversa que antes, mais alegre, mais inclusiva. A guerrilha dos que me precederam havia ganho uma batalha importante, transformar as universidades, de feudos da elite canavieira pernambucana em uma casa de estudos com portas abertas para o povo brasileiro.
Em termos de pesquisa, íamos “de vento em popa”. Nossa pós-graduação subia de nota a cada avaliação da Capes (hoje somos nota 6 [máximo é 7]) e tínhamos recursos suficientes para pesquisa via órgãos de fomento. Alcançamos 90% dos docentes do departamento como bolsistas de produtividade do CNPq, um luxo. Éramos claramente um centro de excelência no Brasil. Obviamente não era um paraíso, afinal a má gestão das universidades públicas continua causando desperdícios de tempo e dinheiro, além de condições insalubres de trabalho. Como em qualquer guerrilha, apesar das vitórias, continuamos trabalhando em condições insalubres, sem água, energia ou segurança. Um ramal telefônico continua sendo um luxo na UFPE, como nos anos 80, quando até se declarava linha telefônica no imposto de renda. Os vícios do sistema público de emprego ganham expressões máximas nas IFES (instituições federais de ensino superior), atrapalhando o cumprimento da missão das universidades e da produção de conhecimento. Mas o sentimento era de que avançamos muito e já podíamos mirar no horizonte novas missões: internacionalização, inserção social mais efetiva, resolução de problemas do mundo real. Já figurávamos entre os cientistas mais citados do mundo, com destaque em diversas áreas do conhecimento.
Eis que de repente, não mais que de repente, nos mandaram avisar que o dinheiro estava acabando. Era o final do primeiro governo Dilma e depois do maior edital de financiamento que o CNPq já tinha aberto, o Universal de 2013, começavam a chegar as primeiras dificuldades. Parte dos projetos aprovados neste grande edital não foram pagos. No ano seguinte, aconteceu o mesmo e desde então têm sido assim. Nossa pós-graduação que havia ascendido à antessala do paraíso (nota 6) não conseguia pagar nem papel e tinta para emitir certificados. Então, veio a “lapada” (como costumamos dizer aqui no Nordeste) que nos derrubou do foguete em que voávamos, com foguete e tudo. A ruptura democrática experimentada pelo Brasil em 2016 antecedia o desastre total. A fusão do MCTI com as Comunicações e a entrega da pasta a Kassab davam o tom do que se avizinhava inexoravelmente. Nós que antes tivemos acadêmicos no MCTI como Sérgio Rezende agora temos um burocrata golpista. As notícias que antes eram de esperança passaram a ser de terror. Editais de jornalões plantando novamente a sepultada ideia de privatização das universidades. Fim do Ciência sem Fronteira, congelamento de orçamentos da Capes e CNPq, sem falar das fundações estaduais, novamente reduzidas à insignificância da qual algumas haviam emergido embaladas pelo crescimento da produção de conhecimento no Brasil. O exemplo mais emblemático vem do Rio de Janeiro, com sua estatal paralisada há um ano, colegas meus e alunos sem salário e bolsa há quatro meses. Mandaram “fechar a bodega” no Rio. O governo do golpe mandou avisar que produção conhecimento passou a ser luxo. Num governo cadavérico, com fantasmas, vampiros, cramunhões e coisas do gênero, nada mais natural que voltar à escuridão da ignorância.
Foram anos de planejamento, e se tem algo que a classe científica tem como um privilégio é que gerimos a nós mesmos. Os governos oferecem recursos e prioridades mas a execução e planejamento da ciência brasileira é fruto da árvore dos mesmos cientistas guerrilheiros. Somos nós que insistimos na missão, à revelia de qualquer governo. Controlamos os órgãos que nos controlam e financiam (Capes, CNPq) e temos autonomia para decisões que nos afetam. O que fazer agora, com o foguete? Em queda livre? Vamos deixar que se estilhace no chão da ignorância e desgoverno?
Outra vez nos resta tomar o controle das máquinas e guiar esse foguete como se possa para evitar que se quebre. Não podemos permitir que se percam tantos anos de avanços e planejamento por conta dessa aventura golpista que nos impuseram. É hora novamente de nos organizarmos como uma guerrilha. Resistir por birra, por raça, por insurreição, por missão.


Felipe Melo - Professor/Pesquisador - Departamento de Botânica, UFPE

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

O vômito mortal

Um poema amarelo

Pobre menino! Pobre menina. Não importa a idade, a escolaridade, a experiência. Mas o comportamento foi típico de uma criança confusa e perdida.

Viu sua vida melhorar milagrosamente. Arrumou um emprego bacana, conseguiu virar universitário, comprou bens, viajou, trocou o ônibus pelo avião e até carro comprou.

Acreditou que foi tudo por mérito e esforço pessoal. Pode até ter sido, mas e seus pais? Outrora também não tiveram méritos? Não trabalharam arduamente enquanto não conseguiam sequer comprar um presente para você no natal?

Acreditou numa verdade fabricada, embarcou numa canoa furada. Sonhou o sonho que não era seu, viveu uma realidade que não era sua. Defendeu bravamente uma bandeira por pensar que era sua, fez aliança com o inimigo e até dividiu os seus farelos.

Vestiu-se com as cores da bandeira, foi para as ruas. Bradou, vociferou contra a corrupção. Acreditou que estava fazendo por sua vontade, por sua consciência. Estava tão envolvido que nem percebia que apenas era usado, para depois ser vomitado.

Repetiu frases, bordões como mantras. Ofendeu amigos e até desconhecidos em nome de uma tal libertação. Cuspiu nos aliados, nos seus defensores e se aliou aos carrascos. Mal sabia o pobre que tudo não passava de um plano macabro de quem não tem escrúpulos nem pudor.

Com a cabeça dominada, manipulada, nem percebeu uma velha máxima: “uma mentira repetida exaustivamente vira verdade”. Atendeu prontamente ao chamado da grande mídia e engrossou a fila da insanidade.

Completamente extasiado, completamente dominado pelo sistema, como se tratasse de uma hipnose coletiva, foi ferrenho na luta pensando que era sua. Como um soldado adestrado espalhou mentiras e boatos nas redes sociais. Compartilhou ódio, intolerância e como um cão traiçoeiro mordeu a mão dos seus companheiros.

Agora está perplexo, descrente de tudo e de todos. Percebeu que acordou do transe tarde demais. Acordou de um sonho e percebeu que era um pesadelo. Envergonhado, com o estômago embrulhado, percebeu que apenas foi usado e descartado.

Está se sentindo completamente nu, sem eira, nem beira e sem algibeira. Foi cuspido pelo grande dragão que lhe deixou sem pão e sem chão. Completamente envergonhado, sente-se isolado. Como se estivesse acordado com uma imensa ressaca física e moral, não tem coragem nem para reagir, para usar a mesma bravura, a mesma valentia de dias atrás.

Agora só lhe resta o ostracismo, a solidão e a desesperança ao ver que seus novos heróis não passavam de velhos vampiros que comeram sua pobre alma. Sem vislumbrar um novo horizonte, se recolhe no seu quarto insano e agoniza no próprio vômito.


terça-feira, 1 de agosto de 2017

AGOSTO CHEGOU. VIVA A REPÚBLICA!

Hoje o Brasil acordou mais "brazil". O noticiário nacional escancara uma realidade catastrófica que não dá mais para esconder debaixo do tapete: a completa falência do ensino público. As universidades federais que representavam o último grupo de resistência contra o desmonte da educação estão dando seus últimos suspiros de agonia. Corte drástico de verbas federais, sucateamento sistemático das estruturas, estrangulamento dos departamentos de pesquisa... estão jogando as maiores universidades públicas na lama. Essa realidade é bem emblemática para um país que é levado a cultuar a ignorância e a barbárie. 

E o ensino médio? Esse é bom nem falar. Deixa quieto que dói menos. 

E se você acha que tem uma luz no fim do túnel, é melhor correr e apagar, pois no mês de agosto teremos a bandeira vermelha na conta de energia. E logo você que tinha fobia contra bandeira vermelha heim! 

UERJ SUSPENDE ANO LETIVO

publicado 31/07/2017



Do G1:


A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) decidiu nesta segunda-feira (31) que não voltará às aulas. A decisão foi tomada pelo conselho de diretores da universidade e as atividades foram suspensas. Não há previsão para iniciar o primeiro semestre letivo de 2017.

O reitor, Ruy Garcia Marques, informou que não há condições de retomar as aulas por causa do atraso nos salários de funcionários e pagamentos das bolsas para estudantes. Além disso, professores e alunos não têm dinheiro para o transporte até à UERJ.


segunda-feira, 31 de julho de 2017

OS BRUTOS TAMBÉM MAMAM?

O abestado do pisca-alerta


Alguma coisa acontece no meu coração. É quase ódio, como diria o Paulo Bemerguy, meu mano. O “quase”, aqui, é a gaveta do arrependimento diante do pecado. O “ódio” é apenas uma permissão ao exagero, meu tempero. Tudo isso por causa do irritante trânsito em Belém. Dos intransigentes motoristas. Dos tresloucados recalcitrantes. Dos recalcados trafegantes. De alguns patetas em forma de gente.


É fértil o terreno do estresse no asfalto. Daria tábuas e tábuas de dez xingamentos. Mas quero apenas tratar de um personagem, uma só erva daninha. Meucalo. Euvouchamá-loassim: “OAbestadodoPisca-Alerta”. Antes, um flashback.

Em 1993, Joel Scumacher, um diretor de cinema que tem a cara do Gabeira misturada com a do Itamar Franco, com um olhar de Zilka Salaberry, fez uma obra-prima: “Um dia de fúria”. Eu já gostava dele, por causa de: “Os Garotos Perdidos”, com Jim Morrison emoldurado na caverna dos vampiros!

“Um dia de fúria” revela o drama de um cidadão à beira de um ataque de nervos. O momento da explosão. A bomba-agá da intolerância no paradoxo deste mundo repleto de soluções com mania de problema. Shumacher cutuca as feridas da sociedade fast-foda-se. É um filme violento. Sem adornos, embora tolinho no final. Tudo no filme, a trilha, os enquadramentos, a fotografia, o tríplice conflito, a opção pelo travelling, a escolha de Robert Duvall (a quem admiro) em contraponto ao Michael Douglas (de quem nem gosto), a opção por Los angeles, a caricatura da leseira americana, tudo foi desenhado como uma espiral concêntrica, que conduzisse a trama ao suicídio. O drama do avesso. A realidade na veia aberta da ficção. O ralo.

Sinto na pele, primeiro às 18h e depois às 22h, o encosto do William Foster, o cara vivido por Douglas, aquele que chuta o balde, enforca o pau da barraca e espanca a gota d’água ao se aborrecer nos percalços do trânsito de uma cidade civilizada, virando lobo, fera e monstro. Não vou virar cavalo do cão. Mas não sou imune à vontade. Quem nunca desejou matar, estrangular, esquartejar, bicudar um motorista barbeiro ou boçal? Pensar não machuca. Nesses horários de pico, em frente ao Cesupa da Alcindo Cacela, formam-se filas triplas. A Camila percebe minha irritação e recita o mantra:

- Paaaaai! Calma, paaaaaai...

Graças a Deus, eu sou obediente à filha. Mas a vontade, a vontade mesmo, e aqui eu abro meu coração vulnerável ao ódio, a vontade é virar Michael Douglas em “Dia de Fúria”. Em slow-motion, para ser cruel, despedaçando otários, dilacerando playboys, triturando energúmenos, fatiando filhinhos de papai e papaizinhos amamãezados, os seres que compõem um autêntico Abestado do Pisca-Alerta.

Que murmurem! Não importa que murmurem que sou ranzinza ou implicante. Mas veja: o Abestado do Pisca-Alerta é a sílaba tônica da parlemice, a flexão da rudeza, a boçalidade conjugada – o idiota em gênero, número e grau. O que me assusta é que ele se reproduz com a volúpia das baratas. Deixou de habitar apenas as portas de colégios e faculdades. Está em todo o canto, a praga, presença nojenta na rotina das cidades. É soberano, em Belém, e nos obriga à condição de súditos. Onde está Michael Douglas que não vê uma coisa dessas? O pisca-alerta só deve ser utilizado em situações de emergência. Não estou inventando: está no Código de Trânsito, artigo 251, parágrafo 1º. É lei, que se permite até exceções – não abusos. A exceção (o pisca-alerta com veículos em movimento, por exemplo) não foi feita para humilhar a regra. Mas tem uma moçada – os Abestados do Pisca-Alerta – cujo cérebro está no dedão do pé e a unha encravada na cabeça. Esses caras param no meio da rua, para jogar conversa fora, bocejar, comprar menta, mascar chiclete, fazer agá, seja na pacata Triunvirato ou na nervosa Conselheiro Furtado. Como se a rua fosse o quintal da casa deles, a garagem do raio que os parta, o esfíncter da mãe!

- Paaaaaai...

É impressionante. O pisca-alerta, para os abestados é o salvo-conduta da burrice, o passaporte da mediocridade, o carimbo da cretinice passada no cartório da insensatez. Pessoas nefastas, por que não são lançadas para além do horizonte, feitos tábuas no mar? Estacionar em fila dupla é uma grave infração de trânsito, com multa de 127 reais (não atualizei) e perda de cinco pontos na carteira. Com pisca-alerta ligado, é infração ao quadrado. Meu Deus! Onde está o Michael Douglas? Schwarzzenegger? IdiAmin Dadá? Incrível Hulk? Saroquinha!

O Abestado do Pisca-Alerta, pretenso dono das ruas, estaciona onde quer, atrapalha quem bem entende, é um revival do antropocêntrico. A empingem do trânsito, roendo a paciência alheia. Não tem noção de cidadania. É estúpido, grosseiro, intransigente, leso trouxa, canalha, babaca, pilantra, pacóvio, covarde, parvo, imbecil, pamonha. Filho da p...!

- Paaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai!

Eu me pergunto qual o problema desses brutos. Não foram amamentados? Roeram caroço de pupunha? Devia haver, no bafômetro, um indicador de consumo de leite materno na infância. Seria proibida a carteira a quem não tenha mamado.

A Lei do Peito Livre!

Ou então, meus amigos, é melhor que se rasguem os códigos, não só o de trânsito. Imponha-se a barbárie. Elejamos Charles Bronson. Ou Duciomar, tanto faz...



Paulo Silber Gama Alves - Escritor e Jornalista

quinta-feira, 27 de julho de 2017

COLUNA DO LEITOR - INOCENTES OU IMBECIS?

AVANÇAR NA FAIXA DE PEDESTRE, NÃO DAR SETA E MUITO MAIS.


Por Alípio Mário Ribeiro*

(VINTE MINUTOS ANDANDO PELA CIDADE, MAIS DE 10 INFRAÇÕES REGISTRADAS!)

As atitudes irracionais tomadas por pessoas no dia-a-dia podem ser interpretadas como atitudes inocentes, por falta de conhecimento e treinamento, ou como imbecilidade? É possível agir irracionalmente com razão?
Vi várias reclamações nas redes sociais sobre motoristas que dirigem seus veículos na pista esquerda (em ruas de pista dupla na mesma direção), devagar, atrapalhando aqueles que querem ir mais rápido e dentro do limite de velocidade. Será que eles não sabem que têm de deixar a pista esquerda livre para ultrapassagem? São inocentes (compraram a carteira de motorista e desconhecem as leis de trânsito) ou são imbecis? Pior são os motociclistas! Como são atrevidos e infratores! Por isto são os que mais sofrem com os acidentes que eles mesmos provocam!
O brasileiro é passivo? Não gosta de reclamar? Como mudar isto?
Creio que uma fiscalização rígida e rotineira mudaria muita coisa. Os agentes de trânsito, por exemplo, poderiam rodar pelas ruas multando aqueles que estacionam nas esquinas, nas vagas preferenciais, nas calçadas, que trafegam na contramão! Basta uma ronda nos horários de pico de bares e restaurantes para ver o tanto de infratores. Eles debocham do estado. Sei que existem câmeras pela cidade. A lei permite que se multem os infratores baseado nas imagens desta câmeras. Será que estão multando? É frequente ver motoristas trafegando pela PA 275 no centro da Cidade Nova, que, simplesmente, param seus veículos, esperando para virar à esquerda ou à direita, infringindo a lei e cruzando a faixa dupla. Basta ficar 05 minutos nas esquinas das ruas 10, 11 e 16 com a PA. As placas juntos aos semáforos são claras! Proibido virara ä esquerda/direita. Mas eles não dão a mínima! E depois do viaduto então? E as paradas de ônibus e vans? Estão tomadas por veículos dos infratores que desafiam a lei!
Além dos veículos com seus motoristas imbecis, existem também os pedestres imbecis! Se um veículo trafega em marcha à ré, é obrigação do pedestre ficar atento e não atravessar pela traseira do veículo. Estou cansado de sair da garagem, de ré, e pedestres baterem no carro gritando e me ofendendo. Para que isto? Pior é que o pedestre tem certeza que é de ferro. Não usa a calçada quando ela está livre! Anda pelas ruas desafiando os veículos! É um imbecil ou um super-homem?
E a imbecilidade humana não para por aí! Quantas vezes tentei desviar de objetos, garrafas de água vazias, latas de cerveja, pedaços de frutas e vários outros objetos atirados por passageiros de dentro de ônibus, vans e outros veículos? Outro dia um motorista filho de uma boa mãe atirou uma guimba de cigarro que caiu dentro do meu carro. Eu sempre ando com os vidros do carro fechados. Mas um passageiro abriu o vidro traseiro justamente no momento que o imbecil atirou a guimba! Foi um Deus nos acuda! Serviu de lição para meu amigo passageiro, mas ninguém deu uma lição no imbecil do motorista!
Eu já cometi atos imbecis! Depois de estacionar, abri a porta do carro sem olhar antes para trás e checar se vinha algum veículo. Um ciclista me acertou em cheio. Machuquei a perna e tive que aguentar, calado, os xingamentos do sujeito! E se fosse uma moto, um carro? Nem vou contar sobre aqueles que dirigem olhando o celular! É tão comum! Quantas vezes acompanhei e filmei motociclistas guiando suas motos e mexendo no celular! São kamikazes? Querem morrer?
Quem ainda não presenciou crianças pilotando motos por aí? E adultos carregando crianças, bebês nas motos? Será que os imbecis não percebem que podem cegar os pequeninos? Se a poeira e os grãos de areia machucam os olhos até de quem caminha pelas ruas, imagina os olhos dos anjinhos inocentes na parte frontal das motos? Este tipo de infração tem que ser combatido com rigor!
Há que se tomar uma atitude. O "sem noção”" da rede globo já publica imagens e videos de imbecis no trânsito. Então. Fotografem tudo! Enviem para o órgão de trânsito responsável. Aliás, aqui em Parauapebas, o DMTT deveria criar um número numa rede social para receber as denúncias através de imagens e videos!
Uma coisa eu sei que faço: furo pneus e risco carros que estacionam em frente à minha garagem! Se é para ser um imbecil, que arque com as consequências da imbecilidade! Incluo-me!
E você? Quantos imbecis já encontrou hoje?

*Advogado e professor

terça-feira, 25 de julho de 2017

25 DE JULHO - DIA NACIONAL DO ESCRITOR

Esta data celebra as pessoas dedicadas às palavras escritas. Sejam nos textos científicos ou fictícios, os escritores precisam ter a grande habilidade de entreter os leitores e, para isso, é necessário um vasto conhecimento de vocabulários, da gramática e ortografia, além de uma boa dose de criatividade e conhecimentos gerais do mundo.
A nível internacional, os escritores são homenageados em 13 de outubro, data conhecida como o Dia Mundial do Escritor.

Origem do Dia Nacional do Escritor

A ideia de homenagear todos os escritores no dia 25 de julho surgiu a partir do I Festival do Escritor Brasileiro, organizado na década de 1960 pela União Brasileira de Escritores, sob a presidência de João Peregrino Júnior e Jorge Amado, um dos principais nomes da literatura nacional.

Frases para o Dia do Escritor

"Escrever é estar no extremo de si mesmo" (João Cabral de Melo Neto)
“Escritor: não somente uma certa maneira especial de ver as coisas, senão também uma impossibilidade de as ver de qualquer outra maneira.” (Carlos Drummond de Andrade)
“Quando os escritores morrem, eles se transformam nos seus livros. O que, pensando bem, não deixa de ser uma forma interessante de reencarnação.” (Jorge Luis Borges)
“O mais belo triunfo do escritor é fazer pensar os que podem pensar.” (Eugène Delacroix).
Fonte: www.calendarr.com

segunda-feira, 24 de julho de 2017

O SILÊNCIO DOS PATINHOS AMARELOS

Selecionei uma matéria que achei bastante pertinente para o momento atual. Acrescento aqui que o silêncio não é apenas fadiga como destaca um jornal alemão, mas trata-se precisamente de uma vergonha dos que entenderam que foram usados, manipulados e depois cuspidos pela engrenagem do poder. Muitos perceberam que caíram no golpe da promessa de que tudo iria melhorar, e agora entenderam que tudo não passava de uma manobra descarada capitaneada pela FIESP, Rede Globo, Temer, Cunha, Aécio e seus asseclas.

Porém, mesmo vendo que foram enganados, manipulados, muitos foram tão afetados que ainda continuam repetindo o mantra com o qual foram adestrados: "a culpa é do PT", "Petralhas", "chola não", "é tudo igual mesmo..."

A manipulação mental foi tão forte que a galera do patinho amarelo e as paneleiras, mantém uma indignação seletiva. Não importa o Aécio ser flagrado pedindo $2 milhões para o Joeslei Batista, não importa o ex-deputado Rocha Loures ser flagrado correndo com malas de dinheiro, não importa o Temer ser flagrado em escuta telefônica dando ordens para pagar o Cunha para ficar calado, não importa o Aécio ser flagrado dizendo "tem que ser alguém que a gente mata antes de delatar", não importa o STF ter soltado os corruptos flagrados e ter garantido o mandato do Aécio, que por sua vez foi pego em grampo telefônico dando ordens a Gilmar Mendes - do STF, nada importa para os patinhos adestrados. A única coisa que importa para essa massa é a condenação do Lula e a destruição do PT.

Leia a matéria, mas só se você ainda não foi atingido pelo feitiço do patinho. Senão, esqueça. Melhor continuar nas redes sociais sendo útil aos corruptos.


O silêncio das ruas do Brasil


Impopular, suspeito de corrupção e à frente de controversas reformas, Michel Temer tem sido poupado de grandes manifestações. O que está por trás da atual passividade dos brasileiros?


Um presidente extremamente impopular que tenta aprovar reformas rejeitadas pela maioria da população; escândalos de corrupção envolvendo diretamente o próprio ocupante do Planalto; economia que dá sinais apenas tímidos de recuperação; apoio parlamentar sendo largamente negociado com verbas e loteamento de cargos; pesquisas que apontam que a maioria da população deseja eleições diretas. 

Diante de cenários com bem menos elementos, os ex-presidentes Fernando Collor e Dilma Rousseff tiveram que enfrentar multidões que foram às ruas do Brasil para pedir suas cabeças.

Por que então Michel Temer, que foi gravado em uma conversa comprometedora com um empresário e amarga popularidade de apenas 7% (segundo último levantamento do Datafolha) não está sofrendo com grandes protestos tal como ocorreu com seus antecessores?

Temer enfrentou em seu governo algumas manifestações convocadas por centrais sindicais contra as reformas ou concentrações de apoio à Lava Jato. Mas todas as iniciativas tiveram adesão que ficou longe dos números registrados ao longo de 2015 e início de 2016. Uma greve geral organizada no final de junho acabou sendo um evento esvaziado, mesmo após a apresentação da denúncia criminal contra o presidente. Mais de 2.500 policiais foram convocados para acompanhar manifestantes em Brasília, mas pouca gente apareceu. 

O mesmo se repetiu nos dias do julgamento da Chapa Dilma-Temer pela Justiça Eleitoral, no julgamento pelo Supremo sobre a permanência de Edson Fachin como relator da delação da JBS e após a divulgação do fim da força-tarefa da Polícia Federal em Curitiba que se encarregava dos casos da Lava Jato.

Fadiga?


O silêncio das ruas tem chamado a atenção da imprensa internacional. O jornal Süddeutsche Zeitung, da Alemanha, chegou a publicar em junho que é "surpreendente que não haja milhões nas ruas para exigir a saída de Temer.” Sensação de "fadiga” e "apatia” foram algumas das palavras usadas por jornais estrangeiros para explicar a passividade das ruas diante dos escândalos e da insatisfação com o governo. (...)