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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

JORNAL CORREIO DO TOCANTINS: OAB QUER INVESTIGAÇÃO SOBRE O FUNDEB EM PARAUAPEBAS


ADVOGADOS PROTOCOLAM DENÚNCIAS NO MINISTÉRIO E POLÍCIA FEDERAL
Do Blog Sol do Carajás
Dr. Jackson: "Os documentos são assinados
 pelos gestores, não há como negar"
O valor gasto com transporte escolar duplicou em Parauapebas nos últimos meses, além de terem sido contratados serviços sem o devido processo de licitação, tudo bancado com recursos do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica).
Essas e outras acusações constam em 1.300 páginas de documentos apresentados em denúncia que foi protocolada ontem (27) no Ministério Público Federal e na Polícia Federal em Marabá pela Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil. A entidade cobra investigação das autoridades competentes e diz ter sido acionada por um denunciante que pediu anonimato.
São apontados na denúncia como pessoas implicadas: 17 servidores e ex-servidores da Prefeitura Municipal de Parauapebas, entre membros da Secretaria de Educação, Comissão de Licitação e áreas administrativas, além de três empresas. Segundo o denunciante, fraudes envolvendo a quantia gasta com transporte dos alunos estariam beneficiando autoridades públicas.
Dr. Helder: "Temos documentos de tudo"
A documentação foi protocolada ontem em Marabá pelo presidente da OAB Subseção Parauapebas, Jakson Souza e Silva pelo seu colega Helder Sousa Gonçalves. Eles foram ao MPF e à DPF acompanhados do colega Haroldo Silva Júnior, conselheiro da Seção Pará da OAB.
Depois da peregrinação pelos órgãos federais, os denunciantes vieram à Redação do CORREIO DO TOCANTINS, onde reforçaram a denúncia durante entrevista gravada. O grupo acredita que diante da riqueza das provas apresentadas o Ministério Público e a polícia vão acabar tendo de investigar o caso e vão chegar a conclusão sobre a ocorrência das práticas ilícitas. “Eles quase triplicaram o gasto que vinha sendo empregado com transporte escolar e contrataram com dispensa de licitação, quando isso não cabia. Houve período de transição de governo e eles tiveram tempo para prever esses problemas.
Outra situação estranha é o gasto com transporte nos meses de janeiro e de julho, quando das férias escolares. Então recebemos essa denúncia anônima e estamos tomando providências”, relata Haroldo Júnior, destacando que cópias da denúncia também estão sendo enviadas ao Ministério da Educação e ao Tribunal de Contas da União.
Nas alturas
O documento afirma que no ano de 2013 houve um acréscimo nas despesas do transporte escolar da ordem de 164,01%, quando comparadas com o mesmo período de 2012, ano eleitoral, que já apresentou discrepância com a ordem dos gastos praticados de 2009 a 2011. “Os contratos do transporte escolar que no período de 2009 a 2012 já apresentavam toda sorte de irregularidades, na gestão do atual prefeito, Valmir Queiroz Mariano, tais irregularidade foram agravadas, na medida em que as despesas mensais foram artificiosamente aumentadas, esgotando as dotações existentes, ultrapassando os limites legais de acréscimos ao valor contratado, com a finalidade de ensejar a contratação de novas empresas, em caráter de urgência, por dispensa de licitação e com valores artificiosamente inflados”, diz trecho.
Sobre a empresa que hoje atende ao município, mas que tem sua sede em Canaã dos Carajás, a denúncia é de que a mesma teria condenação naquele município que a impede de contratar com a administração pública, no município vizinho. A OAB aponta que a dispensa de licitação que favoreceu a empresa em questão foi realizada exclusivamente para desviar recursos públicos do transporte escolar. “Para se ter uma ideia: a despesa mensal ao longo de 2012 teve valor máximo de R$ 353.058,42, já no governo atual, com o mesmo serviço, só que agora executado pela empresa de Canaã em agosto de 2013 foi pago o valor de R$ 982.417,50. Trata-se de 178% de acréscimo ao maior valor mensal praticado em 2012”, explicita a denúncia.
Sem posição
Sobre as denúncias feitas pelos advogados, o CT procurou a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Parauapebas que explicou que o prefeito Valmir Mariano ainda não foi formalmente comunicado sobre qualquer acusação e que tanto ele, como os assessores citados só poderão se pronunciar, depois de acionados pela PF ou pelo MPF, caso isso venha a acontecer. O ex-prefeito Darci Lermen não foi localizado ontem por telefone.
Texto: Ulisses Pompeu e Patrick Roberto
Fonte: Jornal Correio do Tocantins

PARAUAPEBAS PEGA FOGO

Hoje o bambuzal que fica na PA-275, em frente a Rua do Comércio amanheceu pegando fogo. Até as 12 horas não tinha aparecido ninguém para tentar apagar o fogo. Descaso, irresponsabilidade.

Infelizmente essa não é uma situação isolada. Esse mesmo local constantemente tem sido vítima do fogo. Felizmente o bambuzal tem resistido firmemente aos ataques dos criminosos e ao abandono do poder público. Sempre tem alguns porcalhões que utilizam o espaço para descartar seu lixo e outros sem educação que tocam fogo. Desculpem a agressividade, mas botar fogo em qualquer coisa hoje em dia é sinônimo de falta de educação elementar. Não posso dizer que seja por falta de conhecimento, pois o que mais existe é campanha mostrando os malefícios do fogo.


Quando digo que Parauapebas está pegando fogo, não é exagero. Para todo lado que você olha vê fumaça. Muita gente ainda insiste nessa prática absurda de usar fogo até para limpar o quintal. Sem falar nos fazendeiros e agricultores que ainda fazem queimadas, numa prática criminosa contra o meio ambiente. O que deveria ser tratado como um crime, é feito a luz do dia, nas barbas das autoridades. 

Outro dia eu vinha de Marabá, em plena 4 horas da tarde encontrei um elemento queimando pasto a beira da rodovia, próximo a barreira da polícia rodoviária. Fazendo meu papel de cidadão, parei e avisei ao policial de plantão. Ele deveria pegar a viatura e prender o infrator em flagrante. Este, seria conduzido a uma delegacia, autuado, preso e responderia por crime ambiental e por colocar a vida de terceiro em risco. Isso aconteceu? Claro que não. O policial só me olhou com cara de quem está vendo um ET. Deve ter pensado: que cara esquisito! O que tem demais um cidadão fazer uma fogueirinha? E assim caminha o país. Temos leis demais e compromisso de menos.

Enquanto a população sofre com os efeitos das queimadas as autoridades fazem cara de paisagem. A Secretaria de Meio Ambiente se limita a fazer algumas campanhas pontuais, põe alguns out doors, mas não tem uma política para acabar com os abusos contra a natureza. E tome queimadas, e tome aterro, e tome supressão a áreas verdes, e tome destruição dos morros. Fiscalizar prá que se os infratores são amigos que financiaram a campanha?

A sociedade precisa fazer um pacto urgente para acabar com os abusos e práticas criminosas contra o meio ambiente em Parauapebas. Nosso município, por suas características geográficas é um prato cheio para catástrofes ambientais. Infelizmente quem paga o preço não é só o infrator. Todos nós pagamos. 

Precisamos de uma Secretaria de Meio Ambiente atuante, forte e independente. Precisamos de um secretário de verdade que seja capaz de agir com rigor, coragem e independência. Alguém que não tenha medo de fazer o papel de homem mal, de desagradar. Afinal, defender o planeta, defender a vida, defender nossos ecossistemas é tarefa que desagrada numa sociedade que ainda não foi totalmente civilizada. No futuro todos agradecerão.

O PT E O PED (PROCESSO DE ELEIÇÃO DIRETA)

Qualquer um pode falar o que quiser do Partido dos Trabalhadores. Nem um partido teria a pretensão de ser unanimidade, muito menos o PT que saiu do seio do movimento sindical e ousou a governar o Brasil, tarefa que era considerada um tabu até bem pouco tempo. Aqui não vou me ater sobre a importância do partido para as mudanças no Brasil e nem das barreiras do preconceito impostas pela elite reacionária conservadora que não engoliram o fato de perder o comando do país para um grupo de "peões sem diploma". Esse espaço será reservado para debater sobre o importante processo de eleição direta que o partido está envolvido.

Muitos criticam o PT pela chamada divisão interna. É que o partido está organizado em tendências internas que disputam espaço no comando da legenda. O que parece uma briga entre companheiros, um desentendimento ou racha, na verdade trata-se de uma forma democrática e legítima de relação de poder. É que no PT não tem essa história do coronel que manda e dos peões que obedecem como se nota em outros partidos. Aqui, todos tem o direito de fazer política do seu jeito, de ser ouvido, de criticar e ser criticado, desde que se obedeça rigorosamente seu estatuto.

É claro que de vez em quando essa disputa entre tendência extrapolam alguns limites. Aqui em Parauapebas podemos observar isso de vez em quando. Natural num ambiente onde o contraditório é respeitado e valorizado. O PT é um partido normal, feito por pessoas normais com interesses e realidades diferentes. As brigas são resolvidas (quase sempre) através do debate franco e fraterno. Aqui não tem santos, não tem heróis, não tem ingênuos. Tem gente que vibra, que grita, que corre atrás, que disputa; tem gente boa e tem gente má; tem gente com os mais nobres interesses e tem os que não tem nobreza alguma; tem os que sonham com uma nova sociedade e tem quem defenda o VELHO. Enfim, o PT é um Partido quase como os outros. Quase? E onde está a diferença?

Fora a questão ideológica, questão de identidade, a grande diferença do PT está exatamente na sua relação de poder. É o único partido no Brasil - EU DISSE O ÚNICO- que realiza eleição direta para todos os seus quadros de dirigentes. O PED (Processo de Eleição Direta) é uma revolução criada pelo Partido dos Trabalhadores e já vai para sua 5ª edição no dia 10 de novembro. É o ápice da democracia interna e o que coloca o partido na vanguarda dos que querem transformar o país, pois a transformação vem de dentro.

Para quem presta um pouco de atenção, percebe que todos os partidos políticos mantém uma prática conservadora, um modelo antigo de comando. Um grupo de dirigentes escolhidos por uma pequena elite mandam e os filiados apenas obedecem as decisões unilaterais. São comuns as intervenções nos Diretórios Municipais quando estes não estão lendo na cartilha dos caciques ou apenas para satisfazer caprichos ou acordos. Em Parauapebas recentemente tivemos o exemplo do PP (Partido Progressista). O Zacarias que foi colocado na presidência através de uma intervenção do comando estadual, foi retirado também por intervenção. E foi trocado da pior maneira possível. Não tiveram nem o respeito e a consideração de avisá-lo. Isso não acontece no PT. Pode haver brigas, desentendimento, disputas, mas os dirigentes sempre serão eleitos de forma direta e são respeitados. Intervenção é uma raridade que só acontece em caso de descumprimento do estatuto ou desobediência grave às resoluções aprovadas.

No próximo dia 10 de novembro o Partido dos Trabalhadores estará escolhendo os seus dirigentes. O quinto PED do PT – única sigla no país a realizar eleição direta para todos os dirigentes – contará com oito chapas que disputarão uma fatia no Diretório Nacional (DN), que tem 85 integrantes. O DN, por sua vez, escolhe – aí, indiretamente, mas dentro da correlação de forças saída das urnas – os 21 integrantes da Executiva, a cúpula do partido.
Os grupos adversários são praticamente os mesmos do último PED, de 2009. O número de candidatos a presidente é o mesmo: seis. Cada concorrente é apoiado por uma ou mais chapas que representam sua tendência.
O PED deverá atrair cerca de 650 mil petistas para a votação – se se repetir os 40% de comparecimento. Esse é um exemplo vivo de democracia. Assim o Partido dos Trabalhadores se fortalece e se amadurece para continuar no comando do Brasil. Eis aí o grande diferencial do PT para os demais. Nenhum outro partido sequer cogitou a enfrentar uma eleição direta para escolher seus dirigentes. 

E ai? Continua achando que partido é tudo igual?

Veja amanhã, terça: O PED no Pará e suas correlações de forças. Quais as tendências disputam o comando do Partido dos Trabalhadores aqui no Estado.

domingo, 29 de setembro de 2013

O MENSALÃO PSDB-MG É LINDO

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

O mensalão do PSDB-MG é mesmo um caso especial.

Criado em 1998 para ajudar a campanha de Eduardo Azeredo ao governo de Minas, até hoje o julgamento não ocorreu.

A primeira e única condenação acaba de sair. Atingiu um banqueiro do Rural, condenado a nove anos. Mas a lei lhe confere o direito de pedir recurso, o que quer dizer que tem 50% de chances matemáticas de provar sua inocência em segunda instância. Ninguém ficou indignado com isso, nem achou que seria uma ameaça às instituições ou um estímulo a criminalidade.


Tudo em paz, ao contrário do que ocorreu com os petistas, que não têm direito a apresentar um recurso pleno, equivalente a um segundo julgamento. Mesmo assim, fez-se um escândalo contra os embargos infringentes.

Leio hoje um artigo que classifica a decisão sobre os embargos como um “segundo roubo.” Um historiador diz nos jornais, hoje, que os embargos infringentes ameaçam transformar o STF numa instituição igual ao Legislativo e ao Executivo.

A pergunta é saber se, num país onde os três poderes devem conviver em harmonia, gostaríamos que o STF fosse dotado de forças especiais, um anacrônico Poder Moderador, no estilo de Pedro I durante no império, ou das Forças Armadas em tantas ditaduras, que se consideravam auto destinadas a resolver impasses políticos às costas do eleitorado.

Respeito o direito de todos a opinião mas acho que estamos a caminho de formar uma escola de cinismo à brasileira.

Isso acontece quando se impõem tratamentos diferentes para situações iguais. Os dois lados sabem que estão diante de uma mentira, na qual fingem acreditar. Um lado, porque lhe convém. O outro, porque não tem força para assegurar que a falsidade seja desmascarada.

Os réus do mensalão PSDB-MG tiveram direito ao desmembramento, que não foi oferecido aos petistas. Só isso seria suficiente para definir um abismo – mas não é só. Sua apuração é tão vagarosa que acaba de ser anunciado, oficialmente, que o caso deve ser julgado em 2015. Então fica combinado: um crime quatro anos mais velho será julgado três anos mais tarde.

Enquanto os réus do STF já poderão estar atrás das grades, como querem nossos indignados de plantão, os mineiros estarão ouvindo depoimento, fazendo sua defesa – e ganhando tempo para prescrições.

Ninguém conhece muitos detalhes do mensalão PSDB-MG por um bom punhado de razões. Uma boa apuração levaria a nomes e pessoas que ninguém tem interesse de colocar sob os holofotes. Quem? Homens de confiança do PSDB instalados no Banco do Brasil. Quem mais? Figurões do PSDB em atividade política, tanto os responsáveis por nomeações no Banco do Brasil como os beneficiários do dinheiro recebido.

Lucas Figueiredo diz, no livro O Operador, que a conta do mensalão PSDB-MG foi de R$ 40 milhões.

Pergunto: além de Eduardo Azeredo, derrotado em 1998, quem mais foi ouvido a respeito, como aconteceu com Lula?

A fábula do mensalão petista diz que o dinheiro para “comprar deputados” saiu da empresa Visanet e, de lá, foi desviado para Delúbio Soares e Marcos Valério. É assim que se procura provar a tese – falsa, na minha opinião – de que houve desvio de dinheiro público.

Como é inevitável numa fábula, havia um vilão necessário no centro desta operação, Henrique Pizzolato, petista histórico, diretor do Banco do Brasil. Ele foi condenado como responsável pelos pagamentos. Mas essa visão só pode ser sustentada quando se deixa o mensalão PSDB-MG de lado.

Pizzolato nunca foi o principal responsável pelos pagamentos as agências de Valério. Sequer tomou, solitariamente, qualquer decisão que poderia beneficiar a DNA. Nem estava autorizado a isso. Uma auditoria interna demonstrou que outro diretor, chamado Leo Batista, sem qualquer ligação com o PT, é que tinha a responsabilidade legal de fazer os pagamentos. Se era o caso de acusar alguém sozinho, teria de ser ele. Se era para acusar meia dúzia, deveria estar no meio. Nem era preciso invocar a teoria do domínio do fato. Seu nome está lá, nos papéis oficiais, com atribuições e assinaturas correspondentes. Mas não se fez uma coisa nem outra.

O problema é que Leo Batista e os colegas de diretoria eram, todos, remanescentes do governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso, quando o PSDB nomeava cargos de confiança no Banco do Brasil. Esse fato foi descoberto por um auditoria feita pelo banco, logo depois que o escândalo estourou.

Os diretores foram ouvidos e investigados. Mas, curiosamente, o inquérito que apura suas responsabilidades foi mantido em segredo. Sequer foi levado em tempo hábil ao conhecimento dos advogados de Pizzolato, embora pudesse ter sido útil para sua defesa. O próprio Pizzolato só tomou conhecimento da existência do inquérito secreto quando o julgamento estava em curso, em condições extremamente desfavoráveis.

Claro que você tem todo direito de perguntar o que esses diretores faziam por ali, naqueles anos todos. Abasteciam as agências de Marcos Valério com recursos do Visanet para ajudar a pagar as contas da campanha de 1998 do PSDB. Está lá, na CPMI dos Correios, para quem o esquema tucano levantou R$ 200 milhões.

Imagine, então, o que teria acontecido se todos os réus, acusados do mesmo crime, tivessem sido julgados no mesmo tribunal, com base numa mesma denúncia. O STF seria obrigado a condenar petistas e tucanos pela mesma melodia, decisão que teria coerência com os fatos e provas reconhecidas pelos ministros – mas teria o inconveniente de esvaziar qualquer esforço para criminalizar o PT e o governo Lula.

Em vez de fazer piadinhas e comentários altamente politizados sobre o “maior escândalo de corrupção da história”, nossos ministros teriam de dizer a mesma coisa sobre os tucanos.

Imagine se Marcos Valério resolvesse colaborar e tentar uma delação premiada para alcançar o PSDB? Quais histórias poderia contar após tantos anos de convívio? Quais casos poderia relatar?

Do ponto de vista da investigação policial, o mensalão mineiro seria pura delícia. É que coube ao candidato vitorioso na campanha mineira de 1998, Itamar Franco, receber boa parte dos pagamentos devidos a DNA. Itamar morreu sem falar publicamente sobre o assunto. Mas seu governo nada tinha a ver com o esquema. Eu já ouvi de um secretario de Itamar um relato consistente sobre tentativas de convencer Itamar, rompido com o PSDB, a honrar compromissos deixados pelos tucanos. Imagine se ele fosse ouvido. Seria um depoimento melhor que o de Roberto Jefferson, podem acreditar.

Mas vamos seguindo a história para chegar ao final. Com início diferente e tratamento diferente, o mensalão PSDB-MG irá terminar, certamente, com outro final. As penas duríssimas da ação penal 470 dificilmente irão se repetir. Varias razões contribuem para isso. Se hoje um número crescente de advogados de primeira linha já questiona as condenações, imagine o que irá ocorrer com o passar do tempo. O saldo político dos embargos infringentes não é favorável a novos linchamentos exemplares.

Quem conhece as relações entre os meios de comunicação de Minas Gerais e o governo de Estado, butim da campanha de 1998, sabe que não se pode esperar nada igual ao que se viu durante o julgamento da ação penal 470.

No julgamento dos petistas, os meios de comunicação assumiram a dianteira da denúncia e colocaram o STF atrás. Preste atenção: em certa medida, não foi o Supremo que assumiu o protagonismo neste episódio. Isso é o que dizem os jornais e a TV. Na verdade, foram eles, os meios de comunicação, que assumiram um papel central em todo o processo, levando o STF atrás de si.

Os jornalistas nunca tiveram dúvida sobre a culpa dos réus e, do ponto de vista legal, nem seriam obrigados a tê-las, já que não são juízes. Com base no veredito de seus “repórteres investigativos” jornais e revistas cobraram punições exemplares. Quando ficou claro que não havia provas objetivas, deram sustentação a teoria do domínio do fato. Empurrou o tribunal no caminho de condenações pesadas sob ameaça de acusar todo mundo de fazer pizza. O STF veio atrás, como o presidente Ayres Britto deixou claro ao prefaciar o livro de um jornalista que simbolizou essa postura duríssima dos meios de comunicação.

É curioso notar que apenas no julgamento dos embargos infringentes a Corte demonstrou uma postura diversa daquela assumida pelos meios de comunicação.Em mais de 60 sessões, foi a primeira decisão divergente. Tanto a pancadaria a que foi submetido Celso de Mello, como o esforço de outros ministros para dizer que não se fez nada demais são duas faces de uma mesma moeda. É um aperitivo para o que deve ocorrer caso os embargos possam beneficiar os réus.

Imagine se teremos a mesma indignação no mensalão PSDB-MG.

Meus leitores sabem que estou convencido de que as principais denúncias do mensalão não foram provadas nem demonstradas. Advogados de cultura jurídica muito maior, como Celso Antônio Bandeira de Mello, Yves Gandra Martins, para citar polos ideologicamente opostos do Direito brasileiro, pensam da mesma forma.

Tenho a mesma visão sobre o mensalão PSDB-MG. Temos verbas de campanhas, que se constituem crime de caixa 2, mas condenações menores.

Eu acredito que o interesse político em criminalizar Lula e o PT permitiram uma condenação sem provas. Mas será possível fazer a mesma coisa quando esse interesse político não existir?

É claro que não. E é por isso que o mensalão PSDB-MG deve ficar para longe, bem longe.

E AÍ, AÉCIO NEVES, VAMOS CONVERSAR?

Por Renato Rovai, em seu blog:
Caro senador Aécio Neves, imagino que o senhor não conheça este escriba e talvez nem a Revista Fórum, apesar de a revista já circular há 12 anos e de eu ter lhe encontrado recentemente no Aeroporto de Congonhas. Sentamos frente a frente no saguão e vossa excelência me olhou umas quatro ou cinco vezes de soslaio. Eu fiz de conta que não percebia e me mantive concentrado no tablet. Depois pegamos o mesmo ônibus que nos levou ao avião. Íamos para o Rio de Janeiro. Aliás, parece que vossa excelência gosta muito da capital carioca. Eu também sou fã. E se tivesse as mesmas condições econômicas que o senhor não resistiria a viver boa parte do meu tempo por lá. Mas o que me motiva a escrever este post não é o Rio. E outra coisa.


Assisti a uma recente inserção de TV do seu partido e vi que vossa excelência está aberta ao diálogo. Diz algo assim: “Sou Aécio Neves, vamos conversar”. Achei ótima a iniciativa. E por este simples blogue, lhe digo: “Sou o Renato Rovai e aceito o convite”. Quero conversar com vossa excelência.

E aproveito para lhe dizer que irei lhe enviar oficialmente essa solicitação de conversa. Acho que vou falar em entrevista, porque talvez a sua assessoria não entenda o espírito da coisa. Mas que fique claro, será um bate-papo. Aliás, um papo reto (o senhor tem usado este termo) transmitido pela web. No qual farei algumas perguntas sobre temas que me parecem muito importantes. Na sequência, seguem alguns temas das perguntas. Ah, claro, vou abrir para os internautas poderem falar com o senhor. É assim que funciona na lógica do papo reto. As pessoas não ficam com esse lenga-lenga do script televisivo, onde tudo é meio que combinado antes. Por isso não posso lhe garantir que tratarei apenas dos temas abaixo. Mas, confio no seu espírito democrático. E na sua boa intenção e sinceridade ao nos convidar para conversar. E fazer um papo reto.

Pautas para a conversa.

- As privatizações no governo Fernando Henrique e o custo delas para o Brasil

- O mensalão mineiro

- Supostos desvios de recursos da saúde no governo de Minas Gerais

- A investigação do cartel do metrô no governo de SP

- Os motivos que levaram o PSDB a ser contra o Bolsa Família no início do governo Lula

- Por que o PSDB é contra o Mais Médicos

- O silêncio da mídia mineira em relação ao governo de Minas, denunciado como censura econômica por vários jornalistas e movimentos sociais.

- Os motivos que lhe levaram a rejeitar a usar o bafômetro numa blitz no Rio de Janeiro.

- O que o senhor achou daquele texto em espaço editorial, assinado por Mauro Chaves, no jornal O Estado de S. Paulo, cujo título era “Pó parar, governador”.

- Qual a sua real opinião sobre o ex-governador José Serra. É verdade que o senhor e ele têm dossiês impressionantes um contra o outro?

Listei apenas 10 pontos iniciais. Mas como na internet não há limite de tempo, podemos ficar horas conversando. Papo reto, senador. Sem papas na língua. Que tal?

Então, só pra finalizar, vou imitá-lo.

E aí, senador Aécio Neves, vamos conversar?

sábado, 28 de setembro de 2013

DILMA PODE GANHAR NO PRIMEIRO TURNO



Imagem que representa os constantes tiros nos pés que a grande imprensa golpista reacionária tem dado nas tentativas de desestabilizar o Governo Dilma. (PIG=Partido da Imprensa Golpista) 


O Conversa Afiada não leva o Globope a sério.

E só trata da matéria para se divertir com os que levam ele e o Datafalha a sério.

Por isso, contemplem a Bláblárina em direção ao precipício e Cerra e Aécio à irrelevância.

Saiu no Estadão, em estado comatoso:


Ibope: Marina cai, Dilma cresce e abre 22 pontos



Presidente aumenta vantagem sobre a segunda colocada na corrida eleitoral na comparação com pesquisa de julho, que apontava diferença de 8 pontos



Pesquisa nacional Ibope em parceria com o Estado mostra que Dilma Rousseff (PT) abriu 22 pontos sobre a segunda colocada, Marina Silva (sem partido), na corrida presidencial. Em julho, a diferença era de 8 pontos. Desde então, a presidente cresceu em ambos os cenários de primeiro turno estimulados pelo Ibope, enquanto Marina perdeu seis pontos, se distanciando de Dilma e ficando mais ameaçada pelos outros candidatos.


No cenário que tem Aécio Neves como candidato do PSDB, Dilma cresceu de 30% para 38% nos dois últimos meses. Ao mesmo tempo, Marina caiu de 22% para 16%. Aécio oscilou de 13% para 11%, enquanto Eduardo Campos (PSB) foi de 5% para 4%. A taxa de eleitores sem candidato continua alta: 31% (dos quais, 15% dizem que votarão em branco ou anularão, e 16% não sabem responder).

O cenário com José Serra como candidato do PSDB não tem diferenças relevantes: Dilma tem 37%, contra 16% de Marina, 12% de Serra e 4% de Campos. Nessa hipótese, 30% não têm candidato: 14% de branco e nulo, e 16% de não sabe. Não há cenário idêntico a esse em pesquisa anterior do Ibope para comparar.

Nos dois cenários, Dilma tem intenção de voto superior à soma de seus três adversários: 37% contra 32% (cenário Serra) e 38% contra 31% (cenário Aécio). Isso indica chance de vitória no primeiro turno. Mas convém lembrar que praticamente 1 em cada 3 eleitores não tem candidato e ainda falta um ano para a eleição.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

SOB O SÍGNO DO MEDO (PARTE II)

O Governo Valmir ainda pode dar certo?


Ontem no texto sobre esse assunto descrevi a atitude do Secretário de Planejamento Célio Costa quando recebeu o Planejamento da Equipe de Transição. Tudo virou cinza na fogueira da arrogância. Célio Costa precisava marcar terreno, precisava mostrar da pior maneira quem manda. Assim agem os homens desprovidos de conhecimentos, de técnicas e de competência. Ele tem que usar o medo e a intimidação para garantir a subordinação. Assim agem os fracos, os inseguros.

O Célio estabeleceu um relacionamento baseado na desconfiança e no medo. Todo o secretariado do governo Valmir se sentiu subalternos e servis diante do super secretário. Todos andam pisando em terreno minado e para proteção foram formando pequenos grupinhos. A guerra estava declarada e os blocos foram se definindo. Em público tudo parecia ser amor e paz, pois vendo a moral e o poder que o Valmir dava ao Célio, ninguém se atrevia a contrariá-lo. Assim o grupo foi traçando a prática de autofagia. Foram comendo uns aos outros numa sequência desastrosa de intrigas e fofocas.

Todo homem que tenta se impor pela força, pela intimidação não se sustenta por muito tempo. A máscara do Célio Costa caiu quando ele apresentou o Plano Parauapebas 500 mil habitantes. A preço de ouro em pó (isso ainda é mistério) contratou uma consultoria para fazer um álbum de fotografias de maquetes e desenhos ilustrados e num espetáculo de pirotecnia apresentou como sendo um plano para preparar Parauapebas para o futuro. Pegou mal, muito mal. O tal plano que não dizia coisa com coisa deixou o governo constrangido e envergonhado. Durante o lançamento todos perguntavam: e o plano, quando vão apresentar? O planejamento do super secretário de gestão e planejamento não passava de um álbum de figurinhas que qualquer aluno do 7º ano fundamental seria capaz de montar. O governo ficou tão envergonhado que nem toca mais no assunto.

Tanta intriga e desconfiança interna não poderia ser mais catastrófico para o município. Nenhum reino dividido se sustenta como está escrito no Livro Sagrado. Diante de todo esse cenário temos um chefe indeciso, cansado, angustiado e desestimulado. Valmir já envelheceu uns cinco anos nesses oito meses de governo. Sua aparência não esconde esse aspecto cruel do poder. Gente do seu círculo mais íntimo conta que ele não dorme antes de tomar várias latinhas de cerveja misturada com várias doses de wysk. Isso de vez em quando até faz bem, mas diariamente nem um jovem saudável aguentaria. Isso é verdade? Não sei e sinceramente espero que não seja. Talvez seja somente intrigas. Mas a informação coincide contada por várias pessoas que frequentam sua intimidade.

Valmir já demonstrou que fez uma escolha desastrada da sua equipe de governo. Nunca na história do Pará houve um troca troca tão exagerada como aconteceu aqui. Vários Secretários, o próprio Chefe de Gabinete, vários assessores, três Comissões de Licitações, vários servidores concursados mandados ficar em casa sem trabalhar. Motorista do prefeito e segurança pessoal não duram. Essas funções que seriam da mais alta confiança são trocadas a cada mudança de humor do Prefeito. E para piorar, cada membro da equipe que sai continua recebendo dinheiro e favores em troca do silêncio.

E o secretariado? Pobres secretários! Ficam na corda bamba e no fio da navalha. Por um lado tem um vereador que manda e desmanda na secretaria. Por outro, vivem pisando em solo movediço e amedrontados com o fantasma da demissão. Valmir já deixou claro que ninguém está seguro, haja o que houver. Alguns até defendem isso como uma característica de autoridade e decisão do Prefeito. Falam: se não presta tem que tirar mesmo. Mas aí eu pergunto: não houve o mínimo de inteligência no momento de escolher? É necessário ficar fazendo experiência no meio do caminho? Imagine você entrar num avião e voar para testar a capacidade do piloto? Você teria coragem de encarar essa viagem? Nem eu. Dizem que até os secretários mais bem avaliados do governo como Dário e Horácio já foram ameaçados de demissão umas oito vezes.
O resultado dessa instabilidade é o desestímulo geral da equipe de governo. Nenhum secretário se atreve a fazer um planejamento a médio prazo pois não sabe se vai continuar. O sentimento geral é tirar proveito da pasta o quanto antes para não ficar na mão quando for exonerado. Isso é péssimo para o município e para o erário público.
Outra consequência desse clima de instabilidade é patológica. Já são vários casos de secretários com problemas de saúde como aumento de pressão arterial, complicação no diabetes, depressão, insônia e angústia. Tem secretário que fumava quatro cigarros por dia, hoje fuma quatro maços. O governo está doente. Ninguém aguenta esse estado. A consequência mais imediata disso é o estado de paranoia. Todos vigiam e desconfiam de todos. Servidores são constantemente intimidados e vigiados. Outro dia fui procurado por três servidoras que me relataram estarem sofrendo ameaças por suspeita de contato comigo. Seus chefes estariam acusando-as de estarem se encontrando comigo em Marabá  para me repassar informações. Quanta ingenuidade! Será que eles não sabem que tem internet e outros meios mais seguros do que encontros em outros municípios? Talvez essa paranoia se baseie em uma prática dos próprios acusadores que costumam marcar encontros em Brasília, em Belém, em Belo Horizonte para tramar e armar complô contra outros.

Encerro esse texto com a pergunta que fiz no início. O Governo Valmir ainda pode dar certo? Pode. Sou otimista e torço para que ele encontre o trilho certo. Não sou do tipo que fica na torcida para que tudo dê errado. Como cidadão de Parauapebas procuro contribuir para o progresso e o desenvolvimento dessa cidade. Minhas críticas, apesar de incomodar muita gente tem o intuito de expor problemas e provocar o debate. Meu maior prazer seria poder escrever nesse espaço coisas boas sobre o governo. Aliás, (modéstia a parte) me considero muito bom quando escrevo sobre coisas positivas.

Sabe aquele percurso que você faz e chega num ponto que não tem mais volta? Aquela linha que você vê que não pode seguir adiante e é impossível voltar atrás? Pois é. Como um entusiasta e pelo respeito que tenho pelo Valmir, acho que ele ainda pode fazer um excelente governo. Porém, ele está bem próximo dessa linha sem volta. Desacelere Valmir. Pare tudo e reflita. Ainda há tempo.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

VEREADORA ELIENE SOARES DO PT INAUGURA UM NOVO JEITO DE FAZER POLÍTICA EM PARAUAPEBAS




Considerada uma novata no meio político a Vereadora Eliene Soares vem surpreendendo com o seu novo jeito de fazer política, inaugurando uma nova prática de representatividade popular.  Com muita determinação, força de vontade e coragem tem se empenhado para fazer valer o seu papel de representante do povo. Assim, com apenas oito meses de mandato já imprimiu sua marca com um mandato popular, dinâmico e a serviço do povo, principalmente dos mais necessitados.


            A Vereadora Eliene não se prende a gabinete. Prefere o contato direto com a população para conhecer de perto os seus problemas, anseios e demandas. Sabe que a única forma de representar o povo é conquistando a confiança, por isso procura estabelecer uma relação de intimidade e respeito com o povo. É do tipo direta, simples e que fala olhando olho no olho. “Se o povo não confiar em mim como sua representante não terá sentido eu ser Vereadora. Sei que a população está desacreditada dos seus políticos e com muita razão, por isso, cabe a nós reconquistar essa confiança”, ressalta a Vereadora.

            Nesse período de mandato, Eliene já fez inúmeras visitas em diversos bairros e na zona rural, já reuniu com entidades de classes e já promoveu debates sobre participação popular. Com esse conhecimento e contato mais próximo com a comunidade foi responsável por importantes requerimentos e emendas a Lei de Diretrizes Orçamentária.


A Vereadora Eliene ressalta que tem obrigação de trabalhar por todos os cidadãos do município. Não é vereadora de bairro, mas de Parauapebas. Assim, está iniciando um calendário de novas atividades com o objetivo de divulgar para o povo os seus direitos e incentivá-lo a se unir em busca de novas conquistas. “A informação é a melhor arma que o povo pode ter para nos ajudar a construir uma nova realidade. Como professora sei como é importante difundir o conhecimento para ampliar a cidadania. Como vereadora quero que o povo entenda que tem direitos a saúde de qualidade, a uma boa educação, a saneamento, a lazer, etc. O conhecimento e a conscientização são armas poderosas,” destaca Eliene Soares.
            Desde a semana passada que a Vereadora Eliene está fazendo uma grande mobilização popular no Bairro Liberdade. Visitou as áreas mais críticas, fez reuniões com o povo e levou o Secretário de Obras Dário Veloso para ouvir pessoalmente e ver a necessidade do povo. No dia 27 de setembro, sexta, as 19h fará uma grande reunião na Escola Jean Piaget para prestar contas e fazer um planejamento concreto das ações proposta para o bairro. 

            Outros bairros também receberão a caravana da Vereadora Eliene. Aguardem!

            Assim é a Vereadora Eliene Soares. Comprometida, direta e sempre disponível para atender o povo. Assim inaugura uma nova forma de se fazer política, baseada na cidadania e na participação popular. Isso vem quebrar velhos paradigmas de que o vereador tem quer ficar no seu gabinete fazendo promessas ao povo e fazendo assistencialismo que não irá resolver seus problemas.

SOB O SÍGNO DO MEDO

Por que o Governo Valmir não dá certo?


Outubro de 2012. Após o resultado que consagrou o Valmir da Integral como o novo Prefeito de Parauapebas começou um momento de euforia e sonhos para muitos. Pela primeira vez na História de Parauapebas houve um processo de transição com tudo o que a nova equipe tinha direito. Esse legado fica para o Darci e sua equipe. Os mais antigos lembram como era feita a transição aqui. Era um tal de catar chaves na rua, de contratar chaveiro para arrombar portas, de jogar sucata no lixo, de desinfetar prédios velhos e nauseabundos, e outras lambanças a mais.

Mas vamos lá. Todos os espaços da prefeitura foram abertos para a nova equipe de governo. A Secretaria de Administração acabou sendo o coração desse processo pois era lá que estava a engrenagem funcional de todo o governo. Vi uma equipe empolgada e entusiasmada liderada pelo José Omar Arrais que era o homem de confiança do Prefeito. Por diversas vezes o próprio Valmir dava o ar da graça para ver de perto o que estava sendo produzido. Toda a equipe era formada por uma mistura de personalidades de diversos corolários. Alguns ficavam com cara de cachorro quando cai do caminhão da mudança por não entender nada do que estava se passando; outros estavam apenas para marcar presença. Sem nada para contribuir ficavam o tempo todo descendo para fumar e tomar cafezinho; outros ficavam deslumbrados como uma criança quando ganha aquela super bike de Papai Noel; alguns aloprados ficavam circulando pelas salas da SEMAD e de outras secretarias se dizendo representar o Prefeito e ameaçando os servidores, típico de gente imatura. 

Porém, tenho que reconhecer. Teve gente trabalhando sério e com afinco para conhecer as engrenagens da máquina e preparar tudo para botá-la em funcionamento sob o novo comando. Dava gosto de ver. Várias vezes testemunhei pessoas saindo do prédio a meia noite e até em finais de semana. Confesso que fiquei com inveja. No nosso tempo tivemos que trabalhar na clandestinidade contando apenas com informações advindas de alguns servidores aliados. Essa turma produziu e produziu muito. Fizeram todo um levantamento diagnóstico da situação e criaram um novo modelo de gestão bem planejado, bem articulado e com muita qualidade. Digo isso porque tive acesso ao produto final. Pensei: com um planejamento assim, não tem como esse governo dar errado!

O que aconteceu com esse planejamento?

O Valmir Mariano caiu na cilada de se "apaixonar" pelo forasteiro Célio Costa. Logo de cara entregou duas secretarias para ele comandar. Tarimbou a SEPLAN tornando-a sua super secretaria e entregou a SEDEN para o seu irmão Heleno Costa numa afronta a lei do nepotismo. Aliás, nepotismo tem sido a marca da sua gestão. 

O Célio Costa vertido com o manto da vaidade e calçado com os sapatos da arrogância recebeu o produto final do planejamento feito pela equipe de transição. Deu uma olhada de soslaio, folheou algumas páginas e disse: "joga tudo no lixo". Assim foi feito com uma pilha de documentos com quase um metro, fruto de três meses de trabalho de uma equipe. Foi tudo queimado em um container que fica atrás do Centro Administrativo. Tudo virou cinza sob os olhos incrédulos da equipe de transição.
 
Continua amanhã (sexta, 27 de setembro)

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

SESSÃO DO DIA 24 DE SETEMBRO




Nessa terça, 24 de setembro mais uma vez a sessão da Câmara de Vereadores foi marcada por protestos dos alunos da Escola Estadual Irmã Dulce que cobram das autoridades uma posição a respeito da interdição do prédio onde funcionava a referida escola. Vale lembrar que essa escola já fora interditada há uns cinco anos atrás e o governo do Estado demoliu a velha estrutura e construiu outra escola novinha em folha. Com menos de 4 anos, a construção ameaça desabar. O que vai acontecer não sabemos. O correto seria a construtora se responsabilizar pelo prédio e pelo prejuízo que está causando a comunidade escolar. Se o Jatene vai acionar a empresa juridicamente já são outras histórias.

Na referida sessão nem tudo foi enfadonho como vem acontecendo. Em homenagem aos portadores de necessidades especiais os vereadores abriram a tribuna para o Conselho das entidades que trabalham com inclusão. Após o grande expediente foi concedida a palavra aos membros do referido conselho que após o discurso propuseram um desafio a alguns vereadores: que dessem uma volta pelo plenário da casa e depois subissem a rampa da mesa diretora da Câmara. Isso de cadeira der rodas e sem nenhum auxílio. De forma muito bonita e inteligente os portadores de necessidades especiais deram uma aula prática de respeito e inclusão social. Todos nós poderemos ter alguma deficiência e a sociedade não está preparada para lhe dar com esses casos. Ficou comprovado na prática que mesmo constando no projeto da Câmara que está adaptada para receber os portadores de necessidades especiais, na realidade o novo prédio está longe de ser inclusivo. Os vereadores sentiram isso na pele ao experimentar se locomover em cadeira de rodas. Ficou a lição.

A vereadora Eliene tem demonstrado na prática grande envolvimento com a causa dos portadores de necessidades especiais. Já reuniu diversas vezes com as entidades representativas como APAE e SORRI e apresentou emenda ao orçamento solicitando a construção do Centro Municipal de Reabilitação.Caso o prefeito atenda a solicitação da vereadora, Parauapebas poderá vir a ser referência em atendimento aos portadores de necessidades especiais.

E por falar na Vereadora Eliene, nessa sessão ela apresentou um Projeto de Lei que cria a Ouvidoria Legislativa. Será um órgão que aproximará mais a população do Poder Legislativo com o objetivo de ouvir as demandas e reclamações. Essa foi uma grande sacada, pois sendo aprovado o Projeto de Lei, Parauapebas passará a ter uma Câmara dotada de um importante instrumento que valoriza o cidadão. Como o povo anda meio descrente dos seus vereadores, talvez com uma Ouvidoria se encoraje mais a reclamar seus direitos e até a denunciar abusos. Resta saber se os Vereadores terão coragem de aprovar esse Projeto que trará transparência aquela casa. A proposta foi encaminhada para análise das comissões.

Outro ponto importante da sessão foi a aprovação da entidade Ágape de Karate como sendo de interesse social no município. O autor da proposta Odilon não estava presente, mas teve sua ausência justificada. 

O que muitos vem percebendo nas sessões são os aparelhos de Tv’s espalhados pelo plenário e o telão que fica ao fundo que nunca funcionaram. Estão lá como elefantes pretos e devem ter custado uma fortuna ao erário. Dizem que todo o sistema de som e imagem teria custado 5 milhões. Não sabemos se isso é verdade. Em fevereiro a Vereadora Eliene chegou a pedir ao Presidente da casa explicações sobre o valor da construção do prédio. O fato é que ela nunca recebeu esse documento e os vereadores não sabem nem quanto custou esse prédio cheio de defeitos e inacabado. Alguém tem que abrir essa caixa preta. Informações sigilosas dão conta de que o Josineto teria recebido alguma pressão de um ex-presidente para não abrir essa informação, pois cabeças rolariam. Pelo sim, pelo não resolveram não falar mais nisso.

Enfim, a presença dos estudantes da escola Irmã Dulce, dos atletas do Karate e dos membros do Conselho de portadores de necessidades especiais deram um toque especial na sessão. Sempre é bom de se ver os cidadãos ativos participando e cobrando políticas públicas.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

GESTÃO DO PREFEITO DARCI COLOCOU PARAUAPEBAS EM 1º LUGAR NO RANKING ESTADUAL DE EFICIÊNCIA FISCAL

Fonte: Blog Pesquisas Acadêmicas



Em 2011, Prefeitura de Parauapebas foi estratégica para realizar investimentos e medíocre para gerar recursos próprios. Ainda assim, garantiu primeiro lugar no Pará em eficiência fiscal
Dois anos atrás, o município de Parauapebas tinha a prefeitura mais bem saneada do Pará e que ocupava a 42ª colocação no país. O dado consta do Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF) divulgado ontem, segunda-feira (23), pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). A nota – que vai de 0 a 1, e quanto mais próxima de 1, melhor – é de 0,829 para a Prefeitura Municipal de Parauapebas (PMP), o que implica alto grau de eficiência fiscal. O índice total é dividido em vários indicadores (IFGF Receita Própria, IFGF Gasto com Pessoal, IFGF Liquidez, IFGF Investimentos e IFGF Custo da Dívida).
Os investimentos feitos pela PMP em 2011 alcançaram pontuação máxima (1), embora, em extremo oposto, sua capacidade de gerar receita própria (0,389) tenha se posicionado de forma medíocre na 855ª colocação, o que evidencia a necessidade local urgente de diversificação da matriz econômica, para além da mineração, cujos royalties e arrecadação de ICMS colocam o município na desconfortável situação de dependência crônica.
No tocante a gastos com pessoal (0,997), o Executivo da "Capital do Minério" é o melhor pagador do Pará e está no topo do Brasil para seus servidores públicos. A prefeitura também foi eficiente em liquidez (0,91) e no controle de suas dívidas (0,878), entre receitas e despesas.
A segunda melhor prefeitura paraense nesse conjunto é a de Curionópolis, que tem IFGF de 0,796.
DESTAQUES
As prefeituras paraenses campeãs em receita própria são Curionópolis e Ourilândia do Norte (1), onde, apesar de existir mineração, há razoável diversificação econômica e, principalmente, excelente aproveitamento dos recursos que entram no caixa da prefeitura. Essas mesmas prefeituras também se destacam com conceito máximo (1) em investimentos porque, apesar de não terem as cifras vultosas que entram na conta-corrente da PMP, conseguem canalizar os recursos recebidos e transformá-los em benesses sociais.
A Prefeitura Municipal de Curionópolis tem crescido no ranking, notadamente por conseguir manter as contas enxutas, racionalizar os investimentos e manter o pagamento do funcionalismo em dia. Não é à toa que o prefeito Wenderson Chamon, o "Chamonzinho", é um dos chefes de Executivo com a mais alta popularidade e mais elevado prestígio do Pará.
Em Marabá, cuja prefeitura ocupou a terceira colocação na lista estadual das mais bem saneadas, os investimentos dos recursos atingiram nota máxima (1), mas a performance do pagamento dos servidores (0,595) foi deplorável.
O município de Canaã dos Carajás não teve pontuação calculada porque, segundo a Firjan, não apresentou dados – ou os apresentou com inconsistência – ao Tesouro Nacional. Pela Lei de Responsabilidade Fiscal, os municípios do país tinham até abril do ano passado para declaração de contas públicas do exercício de 2011.

CAMINHO DE SANTIAGO - DIÁRIO DE UM PEREGRINO VI

Sem ufanismo, mas o povo brasileiro faz a diferença


Na terça feira da semana passada falei um pouco das dificuldades do povo espanhol devido a crise que está assolando a Europa. Aqui vou comentar um pouco sobre as principais diferenças entre o espanhol e o brasileiro e nossas reações.

Quando cheguei em Saint Jean-Pied-de-Port na França para iniciar minha peregrinação no Caminho de Santiago, me senti completamente perdido por não conhecer o idioma. Me preparei um pouco para o espanhol, mas o Francês era completamente estranho para mim. Já narrei no meu primeiro texto no Diário de um Peregrino logo no início da caminhada a dificuldade que tive para jantar. No dia 04 de maio após uma noite passada em claro num quarto do Albergue dos Peregrinos pulei do beliche, tomei banho e fui tomar café as 6 da manhã. Estava ansioso para começar o meu primeiro dia de caminhada. 

No refeitório lotado de peregrinos de quase todas as partes do mundo dei uma olhada para ver se identificava algum brasileiro. Estava usando propositalmente um chapéu camuflado com a bandeira do Brasil e precisava urgentemente falar com alguém da terrinha. Para minha decepção não encontrei ninguém. Me dirigi a copeira e tentei perguntar algo sobre o início da rota. Ela apenas abriu os braços demonstrando que não entendia nada do que eu falava em portunhol. De repente um senhor de cabelos grisalhos e bigode se dirige para mim e pergunta em bom português se eu era brasileiro. Respondi que sim e perguntei se também era. Ele respondeu que era alemão mas que viveu por 7 anos no Brasil. Fiquei animado e entusiasmado por achar alguém naquele fim de mundo que falasse português e logo viramos amigos.

Entre uma conversa e outra o alemão que se chamava Michel me contou que trabalhou por 7 anos no Rio de Janeiro numa filial de uma indústria química alemã chamada BASF. Iria iniciar o caminho somente no dia seguinte, dia 05 de maio. Disse que precisaria de mais um dia para se preparar para a jornada. Me falou que ficou apaixonado pelo Brasil e tinha muita vontade de retornar. Acabara de deixar um emprego na Alemanha e o Caminho lhe serviria de reflexão para uma grande decisão. Talvez essa decisão fosse retornar ao Brasil para trabalhar. "Nunca vi um país tão lindo e de povo tão hospitaleiro," disse emocionado. Segundo Michael, na Europa já está tudo feito, tudo consolidado, enquanto no Brasil, tudo está por fazer, daí ser o país das oportunidades para quem quiser trabalhar e crescer. "Além de ser um país muito novo, tem muitas riquezas naturais, quase não tem catástrofes naturais e além de tudo tem um povo fantástico", exaltou Michael. 

Planejei sair no meu primeiro dia de caminhada as 7 horas em ponto, mas me empolguei com a conversa do Michael e quando atravessei o portal que marca o início da caminhada o velho sino da torre da igreja de pedra dava suas 8 badaladas estridentes. Com uma temperatura de 3 graus e um vento gelado subi a primeira ladeira em direção as geleiras dos Alpes franceses. Para me aquecer fui pensando em como o povo brasileiro é realmente fantástico, como nosso país é maravilhoso e nós brasileiros não damos conta disso. Fiquei lembrando dos inúmeros estrangeiros que vem ao Brasil e se dão bem simplesmente porque vem com os olhos abertos e enxergam aqui as oportunidades que nós não vemos.

Já havia lido num manual brasileiro sobre o caminho que o brasileiro é bem visto na rota até Santiago, isso graças a influência do escritor Paulo Coelho que contribuiu para tornar o caminho popular. Pude comprovar isso na prática. Sempre usando meu chapéu com a bandeirinha do Brasil (perdi no meio do caminho) ou minha velha camisa da seleção brasileira, por onde passava era muito bem tratado e sempre ouvia elogios sobre o Brasil. Também fui sacaneado por argentinos que em tom de gozação me falavam que aquela camisa (a da seleção) era proibida no Caminho. Respondia de bom humor que até agora só tinha me dado sorte e sempre acabava sendo convidado para uma "botelha del vino".

A cada dia de caminhada ia observando o comportamento dos peregrinos de outros países, mas meus sentidos estavam concentrados no povo espanhol. No tocante ao tratamento aos peregrinos não tenho o que reclamar. Em toda a rota eles vivem disso, foram preparados e treinados para tratar bem os peregrinos de qualquer parte do mundo. Mas percebi um traço que inevitavelmente fiquei comparando com o brasileiro. O espanhol é frio, cheio de regras e convenções. Chegam a ser grosseiros naturalmente. Se você chegar num bar e o garçom estiver conversando com alguém, você vai ter que esperar que ele termine a conversa para depois te atender. E não adianta você chamar que piora. Ele vai te olhar de cara feia ou responder grosseiramente: um momento! Porém, quando eles te atendem, o fazem com toda a formalidade possível. Até parecem um robô. 

Logo na primeira semana de caminhada enfrentei um trecho muito difícil. Longa distância sem cantinas o que recomendava levar água e lanche. Após 3 horas de caminhada cansativa cheguei numa espécie de encruzilhada onde só tinha uma igrejinha e um bar. Um verdadeiro oásis para o peregrino que está cansado e com fome. Mal chegamos e entramos em grupo no bar em busca de comida e bebida. Um espanhol com cara de poucos amigos gritou mostrando para o relógio: fora, não viram a placa? Aberto as 10 e ainda faltam 10 minutos! Filho da p., pensei indignado. O que custaria nos atender 10 minutos antes? Um brasileiro de São Paulo que encontrei no caminho fez a seguinte observação: "veja só, um trevo desse no meio do caminho, se fosse lá no Brasil já teria uma feira movimentadíssima com tudo o quanto há. Teria até japonês vendendo caldo de cana com pastel. Já aqui tem um único bar e o filho da mãe ainda bota banca para vender". É verdade, respondi. Não é a toa que eles estão amargando a pior crise. Não tem humildade, inteligência e nem a criatividade que nós temos.

Outro dia na cidade de Léon sai para tomar um café. Quando entrei na cafeteria tinha uma moça varrendo o chão e tinha uma daquelas plaquinhas amarelas que indicam chão molhado. Ao me ver, a moça mal educada me mandou sair. Bati com minhas botas bem forte no chão para deixar a sujeira e respondi: é por isso que você vai continuar limpando chão sua infeliz. E saí apressado temendo receber uma vassourada na cabeça. Aprendi uma lição: se estiverem limpando o chão, não entre. Procure outro estabelecimento.

Assim são os espanhóis. Não é que eles sejam maus. No geral é um povo até bom e hospitaleiro, mas foram forjados a ferro e fogo de maneira que se tornaram duros, inflexíveis e fechados. Mesmo com toda a crise que estão atravessando não são capazes de se tornarem humildes, de baixarem a crista. Continuam com aquela peculiar "superioridade" do povo europeu. Mesmo com toda a crise não se movem para romper tradições. Todos os dias fecham seus estabelecimentos na hora do almoço e só abrem depois das 16h. Ao passar pelas cidades nesse horário você vai se deparar com verdadeiras cidades fantasmas. Não encontra nem um lugar para comprar uma água. E estão em crise!

Diante de tudo o que vi fiquei pensando: é por isso que esses gringos quando vem ao Brasil ficam encantados. Realmente a nossa alegria, nossa cortesia e receptividade são contagiantes. O brasileiro não se abate com crises. Sempre dá um jeitinho, sempre usa a criatividade e dá a volta por cima. Se não temos emprego, vamos vender um churrasquinho na esquina. Se o orçamento aperta sempre tem uma alternativa de esticar mais uma horinha de trabalho. De tranco em tranco a gente vai levando a vida e sendo feliz. Não é a toa que os brasileiros estão tomando os postos de trabalho dos espanhóis em toda a Espanha. Todo lugar que tem brasileiro você sente a diferença.


Veja na próxima terça: o que podemos aprender com os espanhóis?





segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A ESCOLA DOS MILITANTES DO ÓDIO


Por Bepe Damasco, em seu blog:

Dia desses li um interessante artigo do Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo, sobre o perfil reacionário, grosseiro, intolerante e calhorda dos leitores dos sites da grande mídia que comentam suas notícias. Nogueira chega a dizer que se um estrangeiro, por exemplo, tomasse o caráter do povo brasileiro pelos comentaristas de UOL, G1, Globo.com e congêneres tomaria um susto e teria de nós a pior impressão.


Felizmente, essa banda abjeta da classe média cevada pelo PIG está longe de expressar o pensamento médio da população brasileira. Mas é verdade também que nunca antes na história deste país tantos homens e mulheres perderam completamente a vergonha de manifestar na internet as teses mais extremistas e xenófobas na política, o preconceito mais execrável e a visão mais desumana sobre adversários políticos.

Na verdade, eu nunca imaginei que o seio da população brasileira abrigasse tamanha quantidade de descerebrados e mesmo de nazifascistas. Dia sim, outro também, essa gente baba de ódio nas redes sociais e nos sites de notícia a tudo que lembre o PT, Lula, Dilma, esquerda e movimentos sociais.

Por falta de um mínimo de informação qualificada, civilidade e educação, eles fogem do debate como o diabo da cruz. Aprisionados num mundo paralelo à realidade, se expressam, em geral, em linguagem chula, típica das trevas e do submundo da política. Sem nenhum pudor e respeito às famílias e amigos dos que elegem como inimigos, vibram na internet com doenças e mortes de petistas.

No momento em que escrevo, seguro o ímpeto de citar algumas mensagens desses corvos e abutres sobre casos concretos de lideranças do PT enfermas ou mortas. Melhor poupar meu estômago, meu fígado e minha saúde. Prefiro lembrar que concepções tão sombrias de vida não nasceram assim do nada, nem tiveram como parteiras esta ou aquela conjuntura política.

Está na cara que essas cabeças de merda foram forjadas através da leitura amiúde dos Reinados Azevedo, Augusto Nunes e Mainardis da vida, mestres da intolerância e do antipetismo patológico. Na certa, recebem também na veia fortes doses diárias de Jabour, Merval e Noblat e aplaudem os artigos de Marco Antonio Villa e de Olavo de Carvalho. Sobre economia, se envenenam sobre a situação e os rumos do país com as previsões sempre furadas e a torcida contra o Brasil de Miriam Leitão e Ronaldo Sardemberg.

Para essa alcateia feroz produzida pelo PIG, (Partido da Imprensa Golpista) não existe cidadão, mas sim consumidor. Já as cotas raciais e sociais são verdadeiros palavrões e o Bolsa Família é um programa eleitoreiro do PT, feito sob medida para estimular a vagabundagem. Ah, eles só admitem enfrentar a complexa questão das drogas com repressão, porrada e cadeia. Também defendem com todo o ardor a redução da maioridade penal e a pena de morte.

Acham ainda que o grande mal do Brasil é a corrupção na política, mas não hesitam em subornar um guarda ou sonegar impostos. E são contra o financiamento público das campanhas eleitorais porque seus "gurus" da mídia de direita dizem que essa mudança só beneficiaria o PT. Sem-teto, sem-terra, causa indígena ? Bando de desocupados, chamem a polícia.

E pensar que muitas crianças, adolescentes e jovens estão sendo criados e educados por famílias com esses valores. Que tristeza!

UM SONHO CHAMADO EDUCAÇÃO

Hoje peço licença aos leitores para falar de algo muito pessoal, tema que evito sempre abordar aqui. O fato é que acho isso relevante e pode causar um debate. Como vocês perceberam, na semana passada quase não escrevi nesse espaço. Porém, não deixei meus leitores assíduos sem conteúdo. Procurei com esmero e cuidado selecionar bons textos de outras fontes para compartilhar com vocês. O motivo da ausência é que desde o dia 17 de setembro estive em Belém participando  de um Congresso Internacional de Educação.

Quem me conhece sabe que sou professor por vocação e formação. Estive afastado do ambiente escolar por 6 anos seguidos enquanto assumi função de gestão no Governo Darci. Nos dois primeiros anos enquanto era Secretário de Meio Ambiente ainda tentei conciliar a gestão com a educação. Não deu. Percebi que estava falhando e então decidi que deveria priorizar a gestão por ser um desafio novo, uma nova experiência em minha vida. No segundo mandato fui secretário de Administração, aí foi que não deu para conciliar com a educação mesmo. 

O caso é que nunca me desliguei da educação, nunca esqueci minhas origens. Sempre que alguém perguntava minha profissão ou sempre que preenchi uma ficha de hotel, respondi e escrevi com orgulho: PROFESSOR. Uma vez professor, sempre professor! Não via a hora de terminar a minha missão na prefeitura para poder mergulhar de cabeça no meu universo escolar. Meus amigos apostavam que nunca mais eu pisaria numa escola para trabalhar. Achavam que eu não me adaptaria mais a essa realidade. Apostaram e perderam.

Quando me apresentei na Escola Irmã Dulce para reassumir minha função senti toda a energia e vibração de quem está voltando para casa. Encontrei um ambiente não muito favorável como por exemplo: escola interditada por ameaça de desabamento, ano letivo com calendário atrasado, novo espaço sem as mínimas condições para a aprendizagem, e outras adversidades a mais. Em compensação encontrei gente com brilho nos olhos; encontrei alunos dedicados e com vontade de vencer desafios; encontrei professores que continuam sonhando em transformar a realidade por meio da educação; encontrei uma Diretora preocupada com os problemas da escola e solidária com sua equipe e coordenadores receptivos e acolhedores. Achei o máximo. Me senti novamente dentro do meu oceano.

Mal comecei a trabalhar percebi que estava desatualizado. Muitas coisas mudaram de lá para cá em todos os aspectos. E como mudaram! Por coincidência me informei sobre um congresso que aconteceria em Belém de 18 a 22 de setembro. Não pensei duas vezes. Me inscrevi e fui participar por conta própria, sem nenhum investimento que não fosse pessoal. Participei de palestras com grandes educadores como Eugênio Sales, Cipriano Luckesi, Vasco Moretto, Marcos Meier e outras autoridades de renome internacional. A Escola Evolução foi representada por 6 educadores enquanto toda a rede municipal foi representada por 3 educadoras.

A qualidade do congresso foi fenomenal. Todos os professores da rede pública tinham que obrigatoriamente participar de um evento desse porte pelo menos uma vez por ano. Isso seria um necessário momento de reflexão para que cada um pudesse repensar sua prática e se alimentar de novos conhecimentos. Só assim poderíamos transformar sonhos em realidades com mais objetividade. A educação só teria a ganhar com isso.

Além da qualidade do congresso, do nível dos palestrantes, das ideias revolucionárias, das práticas renovadas em sala de aula, o que me chamou a atenção foi uma equipe de professores de Santa Inês-MA. Era a maior caravana do congresso e estavam todas uniformizadas e identificadas com o crachá. Me interessei por aquela caravana empolgada e decidi puxar conversa. Descobri que trabalhavam todas na mesma escola e por conta própria decidiram participar do evento. Até o uniforme que usavam foi custeado do próprio bolso. Nesses 3 dias a escola ficou fechada. A escola perdeu com isso? A comunidade perdeu? Acho que não. Com certeza essas professoras voltarão muito mais entusiasmadas e com novas ideias. A educação como um todo ganhará. 

Com esse exemplo quero demonstrar que a educação precisa de gestos de ousadia e até de rebeldia. Fico imaginando como foi difícil aquela equipe inteira tomar a decisão de fechar a escola para fazer formação e, custeado do próprio bolso. É claro que essa deveria ser a iniciativa das autoridades com visão. Mas elas não esperaram pelas autoridades e nem ficaram se lamentando. Foram lá e fizeram acontecer.

Estou voltando para esse universo educacional muito mais estimulado, mais preparado. O congresso foi um momento de reflexão, de formação, de atualização e de estímulo. Redescobri que sou professor mais do que nunca e a minha prática pode sim mudar a realidade. Sou consciente que essa realidade só mudará a partir do meu envolvimento verdadeiro, minha prática apaixonado.

Você quer ensinar alguma coisa? Então se envolva com os seus alunos, acredite neles, desenvolva relações de confiança com o grupo. Ninguém ensina nada sem o exemplo e ninguém aprende nada se não houver confiança e respeito.

sábado, 21 de setembro de 2013

RECEITA COBRA R$ 713 MILHÕES DA GLOBO

Por José Dirceu, em seu blog:
A decisão é pública e está na internet, acessível a qualquer jornalista. Mas quase ninguém se interessou pela notícia: o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda negou recurso das organizações Globo contra uma multa aplicada pela Receita Federal. O processo envolve a cobrança de R$ 713 milhões.

Não, não é o mesmo processo sobre o qual já tratamos aqui neste blog, relativo aos direitos da Copa do Mundo de 2002 e que também envolviam centenas de milhões de reais. É outro. Mais uma multa da Receita por outra operação da Globo consideradas igualmente irregular.

A mesma Globo cujos colunistas, articulistas e editoriais pregam diariamente o discurso da ética (embora a ética deles seja seletiva). É claro que, sobre esse processo, nenhum deles escreveu coisa alguma.

A nova multa

A multa da Receita, essa nova, foi aplicada por aproveitamento de ágio formado em mudanças societárias entre as empresas do grupo. Foi a chamada triangulação, usada para tirar vantagem financeira da operação. Nesse caso, uma dívida pode até se transformar em lucro.

A Receita considerou que a Globopar (Globo Comunicações e PArticipações S.A.) fez em 2005 amortização indevida no cálculo do IRPJ (Imposto de REnda de Pessoa Jurídica) e da CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido).

Quando uma empresa compra a outra, essa mesma empresa tem o direito de abater tributos. Acontece que o valor usado na operação foi artificial, como concluiu a Receita Federal.

Diante da irregularidade, aplicou a multa de R$ 713 milhões em 2009.

Isso porque a dívida da Globopar foi “adquirida” pela TV Globo, que usou a Globo Rio Participações e Serviços Ltda para passar a ser credora e sócia da Globopar, que já era controlada pela Globo Rio. A compra se deu por meio de desconto da dívida que a Globo Rio tinha com a TV Globo. Resumindo, a operação usou empresas da mesma organização para reduzir o prejuízo da Globopar, que em 2005 era de R$ 2,34 bilhões.

A Receita considerou que as operações foram “legais apenas no seu aspecto formal”, já que todas as empresa pertenciam às mesmas pessoas.

“Como podemos perceber, operou-se um milagre dentro da Globopar, que teve um PL [patrimônio líquido] negativo de R$ 2,34 bilhões transformado em PL positivo, de R$ 318 milhões, tudo isso no exíguo prazo de 30 dias”, concluiu a Receita. “A Globopar passou a desfrutar de um ágio a amortizar que nada mais é que seu próprio patrimônio líquido negativo.”

Uma reportagem do portal Consultor Jurídico explica outros detalhes da intrincada operação.

A Globo recorreu da multa ao Carf, que agora rejeitou os argumento. Ainda cabe recurso para a Globo.

E agora, a mídia vai ficar calada de novo?

Como aconteceu com a multa em relação aos direitos da Copa, a imprensa novamente fechou os olhos para essa notícia. Se fosse qualquer outra grande empresa do país, o caso estaria nas manchetes. Como se trata da Globo, o silêncio de sempre.

A PRESSÃO MIDIÁTICA PERDEU NO STF


Por Mauricio Dias, na revista CartaCapital:

O resultado da votação dos embargos infringentes, com resultado apertado, expressa a derrota da imprensa que sempre tentou pautar o julgamento.

Valendo-se de espaço farto na mídia, os arautos do apocalipse do Supremo Tribunal Federal, o fim da credibilidade da Corte, quebraram a cara. Anunciaram que, vitoriosa a aceitação dos embargos divergentes benéfica a 12 réus da Ação Penal 470, a Justiça estaria desmoralizada perante a opinião pública.

A decisão sobre a inclusão dos embargos chegou a uma dramática situação de empate: cinco juízes contra e cinco a favor dos embargos. O ministro Celso de Mello estava com o voto de desempate. Indicado no governo Sarney, ele é o mais antigo ministro da Corte.

Sem nenhum constrangimento, o ministro Marco Aurélio Mello, que votou contra o uso desse recurso, botou a faca no pescoço do decano e alertou publicamente: “As pessoas podem ficar decepcionadas, e isso pode levar a atos”.

E, de fato, levou. No dia da decisão, um braço do que os jornais consideram opinião pública chegou às portas do STF. Houve tentativas de bombardear o prédio com fatias de pizza, gritando palavras de ordem contra a possível aceitação do embargo.

Visto pela tevê, fica a desconfiança de que havia mais pizza do que manifestantes. A imprensa não deu destaque. Os manifestantes não saíram na foto. Não era aquela multidão esperada e cultivada no imaginário de alguns.

A mídia, como nunca antes em qualquer país do mundo, tentou pautar o julgamento na Justiça. Nos Estados Unidos, há pelo menos um caso que, por essa razão, levou o juiz a anular o julgamento.

Mas é possível tirar daí uma lição. Pressionar o Supremo Tribunal Federal, como fez a mídia, pode ser o começo de um processo capaz de criar instabilidade jurídica. Nesse episódio a pressão perdeu. Uma derrota com placar apertado.

Com decisões desmedidas, estimuladas pela atenção espetaculosa da imprensa, o julgamento do chamado “mensalão” sempre esteve um tom acima do objetivo natural de fazer justiça, de punir os envolvidos nos delitos cometidos.

Há 25 réus condenados com penas que variam de 2 a 40 anos. Por que tanta resistência com os embargos infringentes que poderão somente alterar, para menos, algumas penas? Não se pode dizer que a Justiça não deixou de cumprir seu papel em razão da cor do colarinho dos réus. Não só cumpriu, como exagerou.

É nesse ponto que se vê o outro lado da Ação Penal 470: a face política que, a partir de certo ponto, transformou o “mensalão” em julgamento de exceção. Construíram, sem constrangimentos, pontes e escadas, e abriram trilhas imaginárias, fosse o que fosse, para punir aqueles réus com “notória exacerbação”, como anotou o ministro Teori Zavascki.

O “mensalão” foi uma rara oportunidade de se tentar provar que, no Brasil, os privilegiados também são punidos quando erram. Quem quiser que se embale nessa fantasia. Ela insinua que, a partir de agora, as celas das cadeias vão ser divididas por pobres e ricos, pretos e brancos.