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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

PROIBIDO PARA MENORES DE 18 ANOS - O DOCE VENENO DA ARANHA (PARTE II)

Ontem resolvi me aventurar nesse estilo literário para quebrar um pouco o clima pesado da política, e fiquei surpreso com a repercussão. O blog bateu record de acesso, e percebo com felicidade que nem tudo na vida é política. Para quem não leu a primeira parte desse conto, clique aqui antes de continuar. Mas lembre-se: se você tem menos de 18 anos ou tem algum problema cardiológico, pare por aqui.

(Parte II)


...Numa noite de quinta-feira Tereza foi ao shopping e esqueceu o celular em casa. Paulo não resistiu e deu uma conferida. Não achou nada demais. Notara nos últimos dias que Tereza sempre apagava as mensagens. “Ela é muito esperta e não seria tão estúpida assim”. Enquanto lia na cama, escutou o aparelho vibrar. Viu uma mensagem no whatsapp de uma amiga conhecida e ficou intrigado com o seu teor. “Oi gata, estou morrendo de saudade. Não consigo parar de pensar em você. Te amo e te desejo ardentemente”

“Não é possível! A Martinha? Mas ela é nossa amiga e vive em nossa casa. Será?” – Pensou Paulo intrigado. Chegou a pensar que seria um homem e que a Tereza poderia estar usando o subterfúgio de colocar o nome da Martinha na agenda. Conferiu o numero do telefone e realmente batia com o numero da Martinha. “Puta que pariu. Estou perdendo minha mulher para outra mulher”. Paulo ficou angustiado com essa descoberta. Não sabia o que era pior: ser traído por um homem ou por uma mulher.

Martinha era uma dentista que frequentava a casa de Paulo há uns três anos. Era amiga intima e confidente de Tereza e mantinha uma relação reservada com Paulo a quem achava demasiadamente sério. Em alguns momentos, Paulo até desconfiou que a Martinha nutria um desejo por ele, pois sempre o olhava de forma estranha. Alta, cerca de 1,75, corpo esculpido, vaidosa a ponto de evitar o sol para manter sua pele branquinha. Era um branco diferente, não daquelas branquelas sem graça, mas tinha um brilho como se tivesse sempre bronzeada e não perdesse o tom. Uma coisa meio difícil de explicar. E para completar o conjunto da obra, ainda mantinha uma linda cabeleira de cor castanha, quase loiro e cacheados. Dizia que seus cabelos jamais veriam uma chapinha. E como se não bastasse era inteligente e descolada. Gostava de falar de política sem ser radical. Era amante de artes e história e conhecia música clássica como ninguém. Ah, já ia me esquecendo: ela também mandava bem no violão e no saxofone. Tudo isso fazia de Martinha uma mulher cobiçada e desejada por onze entre cada dez homens. E ela continuava solteira aos 32 anos. Falava sempre que ainda não havia achado sua cara-metade e não estava com pressa.

Paulo ficou digerindo aquela situação. Não estava preparado para essa nova realidade e sentia-se como se tivesse levado um soco no estômago. Já fazia um tempão que não bebia nada alcoólico, pois estava tentando parar como uma forma de reconquistar o amor de Tereza. Esse era um raro motivo dos seus desentendimentos desde a época da faculdade quando “metia o pé na jaca”. Resolveu beber algo para aliviar a pressão. Foi até o armário da cozinha e achou uma garrafa de whisky pela metade. Começou a tomar sem gelo como costumava fazer e tentou organizar os pensamentos. Agora a Martinha dominava suas lembranças. Lembrou do dia em que a vira completamente nua no banheiro de sua casa. Eles saíram de uma festa de formatura de madrugada e Tereza a convidou para dormir em sua casa para não ter que leva-la no outro lado da cidade. Enquanto Tereza tomava banho, Paulo foi ao banheiro do térreo da casa e ao abrir a porta, lá estava Martinha do jeito que viera ao mundo. “Perdão, não sabia que estava aí”, - falou Paulo encabulado. “Ah, eu é quem peço desculpas por não ter trancado a porta”, - respondeu Martinha despreocupada. Agora ele não conseguia parar de pensar nela enquanto esvaziava a garrafa de Whisky.

Paulo saiu dos seus devaneios com o barulho do carro de Tereza entrando na garagem. Se recompôs, não podia dar bandeira. Por enquanto ia fingir que de nada sabia até saber como lidar com essa realidade. Tereza entrou, recriminou o marido por estar bebendo e subiu para o quarto. 

Numa noite de sexta-feira, Martinha apareceu na casa de Paulo. Havia combinado com Tereza de saírem juntas para “botar o papo em dia”. Paulo atendeu a porta e recebeu-a com um afetuoso abraço e comentou: “nossa, como você está linda!”. “O quê? Não acredito. Estou ouvindo um elogio do super-homem do coração gelado?” – respondeu Martinha encabulada. “Pois é. Você conseguiu até derreter o gelo. Se eu não fosse casado e fiel, te pegaria de jeito. Sente, a Tereza ainda está no banho”, - falou Paulo num tom galanteador. Martinha estava vestida com um vestido preto com um decote meio atrevido, com uma parte do busto tão transparente que quase dava para ver seus peitos. Ela percebeu que Paulo estava olhando e num instinto automático cruzou os braços encabulada. Ficaram ali conversando um tempão até que Tereza descesse do quarto. 

- Posso saber o que você tanto conversa com meu marido sua perua? – falou Tereza enquanto dava dois beijinhos em Martinha.

 - Estávamos aqui preparando a revolução comunista, brincou Martinha. 

- Vamos ao restaurante Dom Marine comer algo, não quer vir conosco? – perguntou Tereza de bom humor. 

- Acho que não. Iria atrapalhar o papo das cinderelas – respondeu Paulo. 

- Ah, vamos vai! Não vai atrapalhar nada, e você sempre é uma boa companhia – implorou Martinha puxando Paulo pelo braço. 

- Tá bom. Vamos nessa!”

Saíram os três no carro de Martinha para o restaurante. Paulo se animou e pediu uma garrafa de vinho. Como Tereza não bebia, a Martinha o acompanhou. A conversa rolou solta e animada. Num determinado momento, Paulo se levantou para ir ao banheiro e na volta ficou de longe por um instante observando como as duas conversavam. Havia cumplicidade e um brilho no olhar peculiar aos amantes. Notou que as duas entrelaçavam as mãos sobre a mesa enquanto suas pernas se tocavam sob a toalha. Aproximou e disse:

- Vocês estão parecendo um casal apaixonado. Admiro sinceramente essa amizade. Dá para notar que há amor. 

- Ham! Como assim? Acho que você bebeu demais – balbuciou Tereza encabulada.

 - Tá com ciúme seu bobo? – brincou Martinha com uma piscadela.

 - Eu, ciúmes? Se eu tiver que perder minha mulher, que seja para outra mulher linda – respondeu Paulo encorajado pelo efeito etílico. 

- Vamos mudar o rumo dessa prosa sem graça – recriminou Tereza. 

- Desencana amiga. Cadê seu senso de humor? Paulo, Paulo, sempre colocando a gente pra cima. Obrigada pelo elogio! – respondeu Martinha com um iluminado sorriso.

A conversa ficou mais animada. Martinha pediu uma segunda garrafa de vinho sob os protestos de Tereza. Enfim, aquela noite foi especial para os dois que passaram a trocar olhares lascivos. Enquanto Tereza foi ao banheiro, a Martinha disparou: 

- O que você faria se descobrisse que sua mulher estava tendo um caso com outra? 

- Se a outra fosse você eu me faria de recheio de sanduíche e curtiria a beça – respondeu Paulo com os olhos fixos nos olhos dela que brilhavam como dois faróis. Ela levou a taça de vinho à boca e esvaziou num só gole. “Que loucura!” – balbuciou com a voz embargada enquanto acariciava as mãos de Paulo. O clima foi interrompido por Tereza que se aproximou visivelmente de mau humor e ordenou: 

- Vamos pedir a conta. Por hoje já deu.

No caminho de volta pra casa, Tereza dirigiu, pois os dois tinham tomado bastante vinho. Todo o percurso foi feito sob um silêncio sepulcral. Chegando em casa, Paulo subiu para o quarto e as duas ficaram na sala conversando por cerca de uma hora. “Queria ser uma mosquinha para escutar o que essas duas conversam. Aposto que estão fazendo uma DR” – pensou Paulo. Nessa noite Paulo dormiu tranquilamente embalado pelo deus Baco e pelas lembranças da sua nova musa. Quando acordou no dia seguinte viu uma mensagem no seu celular: “obrigada pelo vinho e pela companhia. Pensei muito em você e estou confusa”.

Paulo leu e releu a mensagem por várias vezes. O que estaria acontecendo? Estava tudo muito confuso. Viu que Tereza já havia se levantado e saído de casa. Tomou um banho e enquanto estava em baixo do chuveiro tentava organizar seus pensamentos. Não parava de pensar em Martinha. Saiu do banheiro e olhou mais uma vez a mensagem no celular. Resolveu responder: “foi uma noite fantástica. O vinho, a conversa, seus olhos, sua boca... estava tudo perfeito! Também estou confuso, mas feliz”. Como resposta, Paulo recebeu a gravura de um cachorrinho segurando um coração palpitante e um monte de desenho de beijos. Sentiu seu coração pulsar forte dentro do peito e lembrou de sua adolescência. Há muito não tinha aquela sensação.

... (Continua amanhã, 6).

5 comentários:

  1. amanhã é 5,não nos deixe na expectativa ate depois de amanhã,esperando ansiosa os próximos capítulos.

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    1. Correto. Então amanhã, 5 teremos o final desse conto.

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  2. Essa história está tomando o rumo que pensei. Se fosse eu proporia a Terezinha um relacionamento aberto a três. Muito interessante.

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  3. Apesar do tom erótico o texto nos ajuda a refletir sobre a rotina do casamento. Essa poderia ser a história de muitos casais. Anciosa pelo próximo capítulo. Adianta aí vai.

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  4. Um ótimo texto,com certeza fara muitos leitores prestarem mais atenção em seus relacionamentos.Uma pimenta sempre da um colorido na monotonia.

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