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terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

LÍDER OU GESTOR - EIS A QUESTÃO!

 

            By Luiz Vieira



Você sabe qual a diferença entre líder e gestor? Muitos pensam que são apenas sinônimos, mas na verdade, existe uma grande diferença.

Gestor lida com processos, com gerenciamento, com a organização da instituição ou empresa. Podem ser excelentes profissionais, podem ter muita competência, mas não ser um líder. O líder é um especialista em gestão de pessoas. Ele, geralmente é dotado de inteligência emocional e tem a capacidade de conduzir uma equipe com diferentes estilos e personalidades de forma harmônica. Sabe separar o pessoal do profissional, é dotado de empatia, dialoga bem em qualquer situação e sabe colocar as palavras certas de acordo com o momento.

O líder conquista a confiança do grupo por suas atitudes. Todos sabem que podem contar com ele, pois se importa com todos e trata toda a equipe com honestidade e transparência. Assim, torna-se uma referência que a maioria quer seguir. Em síntese, o líder tem a capacidade de conduzir a equipe para fazer o que precisa ser feito de forma organizada.

Podemos afirmar, com base nas experiências empíricas e em várias pesquisas que pode haver um gestor bem preparado, mas, por não ter as características de um líder, seu trabalho não apresenta bons resultados. Por outro lado, um bom líder, mesmo que não tenha as habilidades de gestão, poderá alcançar melhores resultados junto a equipe devido a sua capacidade de organizar as equipes e explorar as habilidades de cada um.

O cenário ideal para qualquer instituição (e aqui eu destaco as instituições educacionais), seria o de um gestor com habilidades de liderança. Além de conhecer todo o processo de gestão, o gestor-líder tem a capacidade de conduzir a equipe para a realização das tarefas de forma otimizada e alcançará os melhores resultados.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

COMO SE ELEGER PREFEITO E SE PERPETUAR NO PODER - MANUAL MAQUIAVÉLICO DO PODER


O sonho de 10 entre 10 políticos é se eleger a um cargo executivo e se perpetuar no poder. Em cargos legislativos como vereador, deputado e senador, isso é possível. Já no executivo (prefeito, governador ou presidente), só pode se reeleger uma vez. Daí, o ex tem que esperar quatro anos para tentar novamente uma nova eleição para o mesmo cargo.

Aqui, vou tratar apenas de prefeito. Para governador e presidente já é outra história, pois o buraco é mais em cima. Esse método de milhões que vou ensinar gratuitamente, só vale para prefeito, principalmente de cidades pequenas, interioranas, onde o povo está mais suscetível as manobras políticas.

Pegue um copo d’água, sente-se confortavelmente que agora vou incorporar o espírito de Nicolau Maquiavel que vai me soprar no ouvido esquerdo essa importante e diabólica lição.

Vou saltar a parte da sua primeira eleição para prefeito, pois essa eu cobro muito caro. Agora que você já se elegeu a prefeito de um município qualquer desse interior do Brasil (e não me interessa os métodos que você usou para isso), vem o seu grande desafio. Governar bem o município? Que nada! Relaxa! O povo geralmente não está muito preocupado com esse detalhe da boa governabilidade. No fundo, bem lá no fundo, o eleitor elege alguém que na média se pareça com ele, com todos os seus vícios e defeitos. E o que esse eleitor quer? Mesmo que ele (o eleitor) grite aos quatro ventos que quer educação, saúde, saneamento e outras cositas mais, na verdade, tudo o que ele deseja é um afago, um agrado e algumas promessas de favorecimento pessoal.

Então, prefeito, anote aí sua principal prioridade depois de eleito: garantir desde o primeiro dia de mandato a sua reeleição. E para alcançar esse objetivo, você tem que mandar seus escrúpulos às favas. A primeira tarefa é se livrar dos seus amigos e parceiros que te ajudaram na eleição. Esses, são metidos a honestos e, no primeiro vacilo que você der, no primeiro desviozinho de uma merreca, vão te denunciar ou te chantagear. Trate de arranjar novos parças, ou melhor, novos cúmplices. Se “ajunte” a lobistas, principalmente que moram longe de sua cidade e que tenham esquemas com Brasília e tenha alguma influência no judiciário. Com toda certeza, você vai precisar.

Pausa. Respire! Não fique nervoso(a). (Lembre que quem está falando é Maquiavel e não Luiz Vieira).

Com esses novos aliados (ou cúmplices), faça acordos diversos, mas deixe sempre uma ponta amarrada. Mantenha essa gente comprometida e envolvida com você. Grave conversas, promova festas do cabide com muito whisky e garotas animadas, filme tudo e guarde a sete chaves. Se algum dia um desses cúmplices mostrar os dentes, esfregue na cara dele o segredo mais sórdido e logo ele vai botar o rabinho entre as pernas e recolher os caninos. Assim, você manterá o poder e seu mandato transcorrerá na mais perfeita ordem.

Ah, com esses novos aliados (cúmplices), promova todo o tipo de falcatrua. Afinal, você precisará de muuuito dinheiro para sua reeleição. Ou você pensa que aquele bando de eleitores e lideranças políticas que você convenceu a votar e trabalhar na sua campanha de graça vai cair de novo no seu conto de sereia? Agora, cada voto valerá muito dinheiro. Cada apoio será mais caro que a fórmula da eterna juventude. Mas, faça as falcatruas com presteza. Traga de longe um especialista em transformar licitações fraudulentas milagrosamente em processor transparentes e sem vícios. Distribua contratos (na saúde e nas obras públicas estão os melhores), chame uma grande companhia para cuidar da limpeza urbana, contraia empréstimos em bancos, faça os cambaus. Só não te recomendo a usar verba federal, pois de vez em quando, costuma dar BO. Mas, faça tudo isso de maneira que você não se envolva.

Não deixe rastro, nada de mensagens, nada de ligações. Trate de tudo pessoalmente com seus aliados e bem longe do seu município. Seu nome tem que estar mais limpo do que toalha de sacristia. Não se afobe e não se empolgue. Se algo acontecer, você não precisa ter vergonha de colocar a culpa em algum dos seus secretários ou mesmo no empresário que você confiou. E eles cairão nessa teia que você armou e nada poderão fazer, a não ser se debater. 

... (Continua na quarta-feira)

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

HELDER BARBALHO E OS CATITUS

"Catitu fora da manada é comida de onça"


No dia 5 de fevereiro do corrente, o governador do Pará, Helder Barbalho veio mais uma vez a Parauapebas. Entre outras atividades, entregou para a comunidade a Escola Estadual de Ensino Médio Eduardo Angelim que passou por uma reforma geral. 

Dessa vez, o que roubou a cena não foi as rodadas do governador no carimbó. Durante o seu discurso, ele deu um puxão de orelhas nos pretensos candidatos a prefeito de sua base em Parauapebas. Porém,  o puxão de orelhas (ou foi uma CR?) mais veemente, foi para o prefeito de Parauapebas Darci José Lermen.

O governador usou um animal bem presente na Amazônia para exemplificar o que estaria acontecendo no cenário político de Parauapebas. Disse textualmente: "catitu fora da manada é comida de onça". Aqui, Helder se dirige diretamente ao prefeito que, na visão do governador não teve a competência de unir sua base. Mas, essa crítica foi também diretamente para os pretensos candidatos Kenyston Braga,  Rafael Ribeiro, Bráz e Branco da White, que lançaram suas pré-candidaturas e partiram para uma disputa radical e, usando a estratégia do "fogo amigo", causaram sérios danos na própria base do governo. Temos como exemplo os vídeos vazados do deputado Braz numa situação particular comprometedora. Esse, foi um exemplo do tal "fogo amigo", pois comenta-se nos bastidores do poder que os mesmos saíram da própria base do governo e tinham a clara intenção de expurgar o candidato com mais chance de representar o governo numa disputa pela prefeitura.

Na continuidade do seu discurso, o governador Helder Barbalho, mais uma vez olhando para o prefeito Darci disse: "Eu fico com quem faz. porque lamentavelmente tá na moda, alguns políticos que só ficam em rede social falando bobagem e não dizem o que fazem, não dizem o que realizam. Exercem cargo, mas não tem um prego numa barra de sabão pra mostrar. Portanto, eu acho que a população está cansada de conversa fiada e quer governante que entregue. Governante que sabe o que diz, que sabe fazer e não só papo furado e conversa fiada. Muito menos governante que ao invés de trabalhar fica só em rede social. Quer ficaer em rede social, vira blogueiro, vai ser digital influencer..." 

Esse desabafo em público do Helder para Darci demonstra bem o clima de insatisfação do governador com os rumos da política em Parauapebas. Tive informação de que em conversa com um correligionário de Parauapebas, Helder teria dito que achava o cúmulo do absurdo o Darci ter ido participar da Farofa Gkay e ficar fazendo propaganda de botox enquanto o município vive sua maior crise. 

Como um político experimentado, Helder sabe do prejuízo que será perder um município importante como Parauapebas para a oposição ao seu governo. Por isso, até entendo o seu rompante e o ato radical de lavar roupa suja em público. Mas acho que o governador exagerou. Esse puxão de orelha tinha que ser em particular, a quatro paredes de forma individual. Publicamente Helder deveria demonstrar que sua base estaria unida e forte para o que der e vier. 

Ao usar a alegoria do catitu, o governador também deixa uma metáfora no ar. Sabemos que o catitu é uma espécie de porco que é visto como praga. Por onde passa a manada, deixa um rastro de destruição e grande prejuízo. 

Outra observação. Talvez o governador não conheça a capacidade de articulação do prefeito Darci que tem se tornado a cada mandato, um verdadeiro Mandrake. De onde menos se espera, eis que ele tira uma carta matadora da manga. Então, com certeza, o que o Helder nem desconfia é que essa crise é estruturada, é pensada, é planejada e tem método. Enfim, está tudo sob controle.

Aposto que esse último parágrafo te deixou com uma pulga atrás da orelha não foi? Calma! Se eu tiver de bom humor depois da ressaca de carnaval eu te explico.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

O PERFIL DO NOVO GESTOR/LÍDER

 By Luiz Vieira 

       

    Em qualquer área, em qualquer empresa ou instituição, o ambiente acaba refletindo as características do gestor/líder.            Através do seu ambiente de trabalho, uma pessoa com o olhar mais atento, perceberá que ali tem um profissional proativo ou relapso, organizado ou desleixado, equilibrado ou conturbado. E, geralmente, o ambiente de trabalho reflete a sua vida normal no dia-a-dia e vice-versa.

    Por isso, devemos priorizar a formação de lideranças capazes de transformar seu ambiente de trabalho em locais saudáveis. Devemos incentivar a busca pelo autoconhecimento, autocontrole e, principalmente a inteligência emocional. Um líder que tem uma vida pessoal conturbada, por mais que ele seja um bom profissional, seus problemas vão afetar a empresa ou instituição. Uma pessoa que não organiza seu espaço pessoal, tende a reproduzir esse ambiente no seu espaço de trabalho. Assim, torna-se imprescindível que os profissionais tenham autoconhecimento, tenham capacidade de autocrítica e reconheçam a necessidade de construir mudanças em todos os setores de sua vida. A busca do crescimento contínuo é a palavra-chave.

    Como seres humanos, não somos perfeitos e infalíveis. Temos nossos altos e baixos. Quando nos reconhecemos como seres falhos, vem a consciência de que a mudança contínua nos levará inevitavelmente ao aperfeiçoamento. Só paramos de mudar e evoluir quando morremos. Essa mudança tem que ser consciente e com objetivo. Com propósitos bem definidos, vamos mais longe e mais rápido.

     Consideramos que já temos consciência dos nossos propósitos e objetivos, já sabemos onde queremos chegar... Já fizemos um balanço como anda os pilares de nossa vida. Já ajustamos muitos fatores da nossa vida pessoal que estão interferindo no nosso trabalho, nas relações profissionais e pessoais. E agora?

    Agora já estamos preparados para investir na nossa formação profissional e tornar nosso ambiente de trabalho muito mais prazeroso e produtivo. O cenário ideal é sua profissão ser objeto de transformação, crescimento e felicidade para você e para os que te rodeiam. Com propósitos bem definidos e construídos com conhecimento, você não só mudará a sua realidade, como também a realidade de quem estiver a sua volta. Os propósitos geralmente indicam os caminhos a serem seguidos e as melhores escolhas. E como estamos tratando de gestão educacional, certamente buscamos envolver toda a equipe na busca incessante de melhores resultados no aprendizado dos nossos discentes. Para isso, o gestor, além da competência pedagógica, deve ter as habilidades da liderança para envolver e incentivar a equipe na busca desses objetivos.

    O bom gestor geralmente é também um bom líder. E como líder, ele tem o importante papel de incentivar, de encorajar, de impulsionar sua equipe a dar o melhor de si, e se comprometer com todo o processo. Por isso, deve ter a arte da persuasão e não da coerção. O líder é como se fosse um bom vendedor. Ele vende suas ideias. Ele inspira os demais e faz com que todos se sintam importantes e imprescindíveis dentro da escola. Ele reconhece a capacidade, os pontos fortes de cada um e sabe respeitar as individualidades. Assim, o trabalho flui naturalmente e quando há algum conflito, é resolvido antes que tome maiores proporções.

    Outra característica do líder-gestor é o feedback. O gestor deve acompanhar a execução dos projetos ou das rotinas de trabalho e contribuir para o crescimento pessoal e profissional de sua equipe. Por isso é importante o constante feedback. Faz-se necessário que o gestor esteja sempre atento e dê retorno durante e depois da execução de cada tarefe. O feedback tem que ser verdadeiro, honesto, objetivo e humano. Comece elogiando o que há de positivo e, depois, fale dos pontos que o colaborador deve melhorar, sugerindo alternativas. Pergunte se ele entendeu e peça para anotar. É importante pedir que repita suas orientações para ter certeza que ele entendeu. Isso promove o crescimento, a confiança e evita desperdício de energia. 
    O gestor que não dá feedback vive apagando incêndio e boicota sua própria equipe, além de boicotar a si mesmo.

terça-feira, 30 de janeiro de 2024

QUANDO A ESCOLA SE TORNA A NOSSA CARA

Luiz Vieira

              

    Desde a entrada, a comunidade já percebe que ali é um ambiente diferenciado. No portão, o agente de portaria recebe a todos com simpatia e cortesia. Sabe das principais informações sobre a escola e encaminha o visitante para o setor de acordo com o que veio tratar. Todos os funcionários (do porteiro ao diretor) estão preparados para receber a todos com toda a deferência, fazendo que todos se sintam especiais na comunidade escolar.

    Porém, esse ambiente, nem sempre foi assim. Antes, era uma escola com aspectos de abandono. O mato tomava conta da área externa. Não havia árvores e o interior estava sempre sujo. As paredes sempre estavam pichadas devido a ação dos vândalos. A quadra de esportes ficava sem uso e quando era utilizada, era por meninos que pulavam o muro nos finais de semana para jogar bola, deixando um rastro de destruição e sujeira.

    Esse cenário mudou quando o professor João assumiu a direção e imprimiu naquele lugar suas características, seus sonhos e seus propósitos de vida. Sua primeira ação foi se aproximar da comunidade e abrir as portas da escola. Com método e paciência, foi fazendo a mesma entender que a escola é um patrimônio de todos, e assim, deve ser abraçada, defendida e cuidada.

    E o mais importante, segundo o diretor João é que agora, a própria comunidade era quem cobrava das autoridades as melhorias para a escola. “E quando a comunidade cobra, os resultados vêm mais rápido – destacou o diretor com um sorriso. Aquela pequena escola passou a ser a referência da comunidade. Antes, fechada e alheia ao povo, agora estava sempre de portas abertas, inclusive nos finais de semana, onde era usada para todos os fins como atividades desportivas, reuniões da associação de moradores, festa da comunidade, cultos, entre outras.

    Tudo naquele ambiente fugia aos padrões do que estávamos acostumados a ver. Uma escola limpa, paredes e chão bem cuidados, jardim florido e área verde com boa manutenção... Logo na entrada, notava-se que ali tinha uma equipe bem administrada e motivada.

    Na visita que fiz à escola, no portão, fui recebido por um senhor gentil que me cumprimentou de forma simpática, se apresentou como o vigia Antônio e perguntou o meu nome. Me apresentei e disse que precisava falar com o diretor. Ele, gentilmente, me acompanhou até a direção. – “Diretor, tem um senhor aqui querendo falar com o senhor” – disse gentilmente.

    A sala do diretor estava impecável. Uma mesa de escritório bem organizada, quatro cadeiras, um sofá no canto sobre um carpete preto e uma estante com alguns livros. Na mesa havia um vaso com flores aparentemente colhidas do jardim da escola e na parede havia um banner com a filosofia e metas da escola. Enquanto conversava, meus olhos críticos passeavam pela sala em busca de algum detalhe que apresentasse desordem. Nada. Absolutamente nada. Tudo ali estava incrivelmente bem organizado.

    O diretor me falava da escola com brilho nos olhos. Primeiro me falou do que já havia conquistado junto com a comunidade, elogiou sua equipe, os alunos, professores... “Batalhamos bastante para que essa escola chegasse a esse nível. No início, nem muro tinha. Faltava desde vigia, merendeiras e até alguns professores.” – falou cerimoniosamente. Depois, apresentou as dificuldades e o que a escola precisava com urgência. “Nossa maior dificuldade atualmente é referente a recursos humanos. Estou cobrando com insistência que a SEDUC me mande mais duas merendeiras, pelo menos mais duas ASG´s (Agente de Serviços gerais) e os técnicos para os laboratórios e biblioteca. Por enquanto, vamos nos virando por aqui com a ajuda voluntária da comunidade.” – falava com serenidade, sempre olhando nos meus olhos.

    No final da conversa, fui visitar o restante do espaço. Salas de aula bem decoradas, banheiros limpos e, alunos estudando e aprendendo na maior animação. Tive a impressão de que ali trabalhava um gestor com conhecimento de gestão, apaixonado pela educação e comprometido com os resultados da escola. Enfim, um gestor líder.

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

O CRIME INVISÍVEL

Muita gente tem comentado sobre os esquemas de corrupção que supostamente acontecem na administração pública de Parauapebas. Bastou o GAECO fazer uma visitinha de cortesia nas casas de alguns agentes públicos para esse debate pegar fogo nas redes sociais.

Porém, há um fator que ultrapassa todas as formas de corrupção que passa desapercebido pela grande maioria do público. Principalmente porque a grande maioria acredita que corrupção é exclusividade dos políticos. Mas o buraco é mais em baixo. 

Quero, antes de qualquer coisa deixar registrado o meu apreço pela imprensa de Parauapebas. Tenho orgulho de ter feito muitas amizades nesse setor, principalmente no rádio e na Tv. Mas, como em todos os setores, temos as maçãs podres e, essas, infelizmente, acabam contaminando quase todo mundo.

Setores da imprensa - principalmente sites de notícias e até perfis de Instagram - recebem uma verdadeira fortuna da prefeitura de forma "legal" (com nota fiscal) e de forma ilegal (caixa 2). E recebem para divulgar os trabalhos da prefeitura? Não. De vez em quando até publicam alguma notinha, um edital, mas o produto mais caro é o silêncio. Ou seja: muitas secretarias pagam para que esses sites ou páginas de redes sociais não falem mal, não divulguem os escândalos e falcatruas que rolam. Pura chantagem do mais baixo nível que embrulha o estômago até de avestruz.

O perfil do Instagram conhecido como Picunhão publicou a foto da nota fiscal de recebimento de uma mensalidade no valor de 51.900,00 pago pela SEMED a um site local. O leitor desavisado pode pensar: "Que absurdo! As crianças sem transporte, sem merenda escolar e a SEMED pagando 50 mil por mês pra um site fazer propaganda! Mas posso te garantir que esse valor é apenas uma pechincha. Isso é apenas a ponta de um barbante que está emaranhado sobre uma montanha de novelos e faz parte de uma rede de corrupção intrincada que tem toda a chance de ficar impune por nunca ser descoberto. 

E como eu sei disso? Já estive lá como agente público e já recebi muitas propostas indecentes e tentativas de extorsão e chantagem. Nunca denunciei simplesmente porque eu teria que ter uma prova cabal e, para obter essa prova, teria que ceder a uma dessas  chantagens e produzir algum registro. Não tive estômago para isso.  Tenho orgulho de dizer que nunca cedi a nenhuma e escorracei os chantagistas e picaretas, ou, simplesmente ignorei os recados. Mas, até hoje pago um alto preço por isso. Que preço? Explico: se um vereador pega indevidamente o carro oficial da câmara e sair pra tomar cachaça, ficar tri-bêbado, atropelar e matar um jovem trabalhador, essa banda da imprensa não dará nenhuma repercussão. No máximo fará uma notinha sem importância. Já eu, ao contrário, se tomar um copo de cerveja e der o azar de cair na blitz da lei seca, podem ter a certeza de que sofrerei um implacável linchamento moral. 

Arrisco a dizer que, essa forma de corrupção praticada por alguns órgãos de imprensa é a mais danosa. Pode até não ser a que mais causa prejuízo ao erário pelo valor praticado. Mas, no fim, representa muito, pois alimenta uma rede que vira uma bola de neve. Se setores da imprensa se cala, deixa de informar com imparcialidade, esconde os "podres" de agentes públicos por dinheiro, está contribuindo diretamente com todo o esquema de corrupção existente no município. E, se essa turma acredita em castigo divino, já deve estar desconfiada que virarão churrasquinho do "chifrudo", pois, provavelmente, por aqui ficarão impunes a não ser que se metam com o Jogo do Tigre.

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

GAECO NA SEMED - LEAL INOCENTE

    

Ontem, 28 de novembro, as redes sociais de Parauapebas ficaram em polvorosa com a notícia de que o GAECO (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) fez uma visita surpresa na casa do secretário de educação, Sr. José Leal Nunes e também na SEMED. Segundo um amigo que já passou por isso, essa é uma situação humilhante que ele não deseja nem para o seu pior inimigo. Eu também não desejo para ninguém, muito menos para o Leal. Muito pelo contrário. Quero me solidarizar com o ele pelo ocorrido e reafirmo minha tese de que ele é inocente. “Como assim Luiz Vieira? Tu só pode estar de sacanagem!” 

     Não estou e explico mais uma vez.

    Em primeiro lugar, o Leal tem responsabilidade pelo que acontece na SEMED pelo simples fato de ser o gestor legalmente nomeado. Porém, como já falei antes, há um esquema de centralização de poder na área financeira da prefeitura que o secretário vira um mero expectador no que diz respeito a gestão financeira. E isso é uma bomba que, mais cedo ou mais tarde vai explodir. Apesar do secretário ser “obrigado” a assinar tudo, não é ele quem define as regras do jogo. Eu mesmo quando estive lá, botei o pé na parede, briguei com o diabo, fiz um escarcéu e, mesmo assim, alguma coisa conseguiu escapar. Imagine o Leal que é totalmente submisso e não tem condições de brigar com ninguém!

    Em segundo lugar, o Leal assume o cargo fictício de secretário de educação. A vereadora Eliene Soares – “dona da secretaria” – precisava de um ser dócil, obediente e incapaz de se rebelar. Encontrou no Leal a figura perfeita para seu projeto de poder. Como ela previu, o Leal seria incapaz de calcular ou até mesmo de perceber o risco que corria. Amigos que trabalham na SEMED, comentam que uma assessora próxima à vereadora manda mais do que ele.

    Por esses dois motivos eu afirmo que estão procurando no lugar errado e, talvez não encontre nada além de papéis não comprometedores. O buraco é mais em cima. Quem quiser encontrar o esquema, tem que utilizar o serviço de inteligência do Estado ou até mesmo se infiltrar no meio.

    Posso até estar sendo ingênuo, mas acredito na inocência do Leal. E torço para que ele acorde e não fique pagando o pato sozinho.

 

domingo, 5 de novembro de 2023

A EDUCAÇÃO DE PARAUAPEBAS ESTÁ FALIDA E A CULPA NÃO É DO LEAL

Foto da rede social

Após um tempão sem escrever aqui, nem me dei conta de que esse Blog já atingiu 1 milhão de visualizações, mesmo estando há anos sem movimentação. Apesar das cobranças que recebo diariamente de leitores, insisto em não usar esse espaço devido a um autoexílio político que me impus. 

Porém, nessa sexta-feira, meu WhatsApp mais uma vez foi bombardeado com prints e links de um texto publicado na coluna do Blog de Zé Dudu sobre a possível exoneração do secretário de educação José Leal Nunes. Não sei o porquê as pessoas acham que me importo com esse tema. Ou será que importo?

Tento não me importar, mas o "trem" está no sangue. Lá vem aquele diabinho disfarçado de libélula, pousa em meu ombro esquerdo e sopra em meu ouvido: "Vá lá Luiz Vieira. Dê sua opinião. Não vai falar nada?" Geralmente, dou um peteleco no tal diabinho/libélula e mando-o pra puta-que-pariu. Não tenho nada que opinar, principalmente porque já estive nessa pasta por 1 ano e 10 meses e não consegui romper com o sistema viciado e enraizado que perpetua ali. E olha que briguei! 

Então, caro leitor, o título não é uma mera ironia - recurso que vez por outra usava aqui. - Mas, trata-se de uma defesa honesta do atual secretário de educação José Leal Nunes. Dito isso, vamos às *detrudições. (*Desculpe por usar uma palavra que não existe no dicionário oficial, mas existe no "linguajá" baiano de seu Terêncio, meu saudoso pai).

Primeiro, não acredito que Darci exonere o Leal, pois o prefeito evita a qualquer custo bater de frente com a vereadora Eliene Soares (MDB) - dona da educação em Parauapebas. Caso aconteça um milagre e ele exonere o Leal, apenas trocará 6 por meia dúzia, pois nomeará uma secretária novamente indicada pela vereadora e que seja tão obediente quanto o Leal. E nesse caso, quando digo obediente, é para não usar o termo "fidelidade canina ou fantoche". Afinal, sou um professor e não posso ficar usando essas palavras feias. 

Essa troca, se houver, será apenas uma cortina de fumaça para encobrir as críticas da sociedade sobre os escândalos que a pasta atravessa. Assim ele fez na saúde e deu certo. Pelo menos, desviou o foco e o prefeito conseguiu respirar um pouco. Mas é aquele tipo de mudança que tem como objetivo deixar tudo como está.

É fato que a falta de gestão na SEMED (secretaria Municipal de Educação) colocou o governo em situação vexaminosa. Diariamente vemos nas redes sociais reclamações como falta de transporte escolar, falta de merenda, escolas sem aulas, falta de professores, calote nos fornecedores e prestadores de serviço, etc. E todos perguntam: onde está indo parar o dinheiro? Para uma secretaria que tem um orçamento de mais de meio bilhão de reais, que é maior do que o orçamento de 80% das prefeituras do Brasil, fica meio duvidoso falar que existe crise. 

Mas acredite. A crise existe e você leitor, não sabe da missa um terço. O buraco é bem mais embaixo, e a má notícia é que essa crise não vai passar nos próximos anos. Infelizmente, o futuro de nossas crianças está comprometido nos próximos cinco anos ou mais. Pessimismo? Quem dera!

Agora, sejamos justos. Jogar a culpa em cima do pobre Leal, é injusto. Chego a dizer que é até uma desonestidade intelectual. No máximo, podemos até falar que ele teve muita coragem de continuar com uma fidelidade canina a vereadora Eliene Soares. Mas nem desse detalhe eu o culpo por conhecer a ingenuidade e o caráter simplório dele. Ele apenas faz o que lhe mandam e se contenta em aparecer na foto, nem que seja num cantinho discreto. 

O professor Leal tem muitas qualidades e habilidades, mas nem de longe tem a habilidade mínima para um gestor. Isso já foi comprovado quando ele foi diretor na Escola Estadual Carlos Henrique (que quase fechou) e do antigo Colégio Fênix/COOPED que veio a falência na sua gestão. Isso não é uma crítica, pois ninguém é obrigado a ser bom em tudo. Eu, por exemplo, tenho muitas habilidades, mas me bote para fazer uma "Equação diofantina x³ + y³ + z³ = K", que vou me comportar como um jumento lesado

O secretário não pode ser culpado por uma crise que ele não criou. A estrutura montada para gerenciar os recursos de todas as secretarias é "viciada". E diga-se de passagem: é uma estrutura muito profissional e competente. O secretário vira um mero "assinador" de papel e por isso, é quem pode ir para a cadeia ou ter seus bens bloqueados sem nem sequer saber o que está se passando. 

Então, se o Darci quiser realmente transformar a educação de Parauapebas, não será com a troca do secretário. Teria que ter a coragem de romper com um sistema desastroso e maléfico que ele mesmo criou na prefeitura de Parauapebas. Teria que ter sangue nos olhos para chegar para a vereadora e dizer: acabou madame! Agora a receita da educação não servirá mais para motivações espúrias nem para promoção pessoal. Chega de vereador sendo dono de secretaria! Chega de botar gente que só tem competência para carregar a bolsinha da madame para cuidar de coisa séria! Agora, todo o dinheiro será administrado para transformar Parauapebas numa referência nacional de educação.

Esse seria o primeiro passo para a transformação. Eu diria até a redenção, a volta do antigo líder político que o Darci já foi um dia. O segundo passo seria criar a comissão de licitação e setor de compras dentro da SEMED. É inadmissível que uma secretaria do porte da SEMED que, por lei administra recurso do seu orçamento, ficar a mercê de uma CPL centralizada que mal dá conta de realizar os processos das secretarias que não são gestoras de fundos. Aí sim. Com uma comissão de licitação própria, com uma comissão de controle dentro da estrutura da SEMED, com a independência técnica e política necessária, o secretário poderia ser responsabilizado pelas falhas da sua gestão.

O Darci terá capacidade de dar essa reviravolta e afastar os vampiros da prefeitura? Dificilmente. Um velho sábio filósofo já dizia: "depois que você abre as portas da sua casa para um vampiro e oferece seu sangue em troca de poder e glória, só sai desse pacto morto". 

Veremos.



terça-feira, 27 de junho de 2023

IDEOLOGIA PRA QUÊ?

Outro dia, a caminho da academia, ouvia o programa matinal sertanejo de uma rádio local. O locutor, com voz alterada, anunciava o preço da arroba do boi gordo na região. Fiquei analisando sua indignação, sua revolta pelo fato de o preço do boi estar caindo. E ele, alterado, fazia comentários completamente desproporcionais, colocando a culpa no governo, nos eleitores do candidato tal.

Sua indignação era real, mas não era legítima. Na minha mania de ficar analisando as pessoas pela sua fala (geralmente as pessoas falam o que pensam, o que acreditam, mesmo quando contam piadas), vi que se tratava de um exemplo genuíno de uma vítima da ideologia dominante.

O dito locutor da rádio é claramente um pobre. Digo pobre de dinheiro, mas pela sua vivência e experiência (ou falta dela), se tornou pobre também de cultura e de espírito. O normal seria ele ficar feliz com a queda do preço da arroba do boi gordo, pois isso representa queda no preço da carne no açougue e, consequentemente, ele que ganha uma “miséria” como trabalhador assalariado, poderá comprar mais carne e melhorar sua alimentação. Seria até legítimo para um grande criador de boi, para um latifundiário sem visão de macro economia ter essa preocupação. Mas para um cidadão que não tem sequer uma cabeça de galinha, isso soa estranho e vai na contramão da lógica.

O locutor citado era apenas uma vítima da falta de conhecimento. Vítima da ideologia que emprenhou sua mente desde a infância com ideias paralelas a realidade, se tornou um alienado. E a ideologia dominante tem exatamente esse papel: fazer você comprar e assumir as ideias que favorecem a quem tem o poder econômico e, às vezes, o poder político. Isso leva o locutor a pensar como rico e não se reconhecer como um trabalhador assalariado. A ideologia dominante faz com que o pobre lute contra sua própria classe, contra seus próprios interesses. É isso que garante que o pobre seja a favor da reforma trabalhista que lhe tire direitos; isso garante que o pobre legitime a precarização do trabalho e acredite que é um empreendedor por ter uma moto e passar o dia entregando marmita sem nenhuma garantia de direito; alienado, sem quaisquer perspectivas, acredita ser quem não é, e vira um objeto útil a causa dos exploradores, dos milionários e joga sempre contra a sua classe. São seres úteis a manutenção do sistema que perpetua a miséria, a desigualdade e favorece a uma pequena elite.

sexta-feira, 12 de maio de 2023

PARAUAPEBAS, 35 ANOS - AQUI NÃO TEM PROBLEMA. TEM REALIZAÇÃO E GESTÃO MODELO

Uma cidade que se distancia do Brasil pelo elevado índice de desenvolvimento.
Um presente - Sonhar não custa nada e nem paga imposto

Aviso importante: Se não ler até o final, não vai compreender


Nesse dia 10 de maio, o município de Parauapebas completou 35 anos de emancipação política. E como não poderia deixar de ser, tivemos festa para o povo com todo o requinte e bom gosto que a ocasião pede. Na verdade, não foi uma festa, mas uma semana inteira de eventos que culminou com o "MAIOR CHURRASCO DO MUNDO" no Parque de Exposição Lázaro de Deus.  

    Todo esse clima de festa organizada pela prefeitura com muito bom gosto, inteligência e dedicação, demonstra o espírito e a realidade que o município se encontra no presente momento. Antes, vou tentar descrever como foi a festa e, depois explico porque as comemorações fazem jus ao espírito de desenvolvimento do jovem município.

    Já no dia 01 de maio o prefeito fez a abertura da programação com uma grande festa dedicada aos trabalhadores denominada AÇÃO CIDADANIA PARA TODOS. Entre as várias ações desse dia, tivemos 08 estandes de atendimento distribuídas nos bairros da periferia (se é que podemos chamar algum bairro aqui de periferia pois todos se parecem com o centro). Em cada estande desse, a prefeitura ofereceu atendimento com o projeto Cidadão do Futuro que envolveu desde serviço médico e odontológico especializado, emissão de documentos, minicursos de formação, palestras com destacados profissionais, workshop sobre a Importância de Preservar o Meio Ambiente, entre outros temas. Além disso, tivemos rua de lazer com play ground e diversas atividades para toda a família se divertir. 

    Na terça-feira, 02 de maio, além de continuar a AÇÃO CIDADANIA que ainda está sento realizada até a presente data, a prefeitura inaugurou 03 grandes escolas de Ensino Fundamental e 02 escolas de Educação Infantil. A noite foi marcada com um grande show para a comunidade cristã que de forma civilizada reuniu católicos e evangélicos numa noite de muita alegria, respeito e tolerância religiosa.

    Mas como não teria sentido fazer festa sem realização para a cidade, o período da tarde foi dedicado a inauguração de 02 postos de saúde que vão melhorar ainda mais a vida da população. 

    Para não me alongar muito e não tomar o precioso tempo do leitor, vou pular os demais dias, mas deixo registrado que em todos os dias até o dia 10 de maio, houve inaugurações de importante obras como parques públicos com arrojado projeto paisagístico, trechos de asfalto em todas as áreas da zona rural, cobertura de redes de esgoto em alguns pontos que ainda não recebiam esse serviço e, para coroar, a população foi surpreendida com um desconto de 70% nas contas de água e IPTU. 

    Nos dias 09 e 10 ainda foi mais especial. Dia 09 a cidade parou para ver o show do maior ícone da cultura pop brasileira vindo direto de Salvador-BA. Pela fama e pela representatividade do artista, $400 mil foi uma bagatela. E no dia 10 de maio, em plena quarta feira, a cidade acordou às 6 horas em ponto com uma alvorada composta por bandas e artistas de vários segmentos distribuídos em 15 bairros da cidade. E claro, a partir das 9 horas da manhã, o Parque de Exposição já estava totalmente lotado pela população que foi prestigiar o maior churrasco do mundo. E o melhor: a prefeitura não gastou nem um centavo para esse churrasco. Tudo foi feito graças a bondade dos fazendeiros que doaram os bois, dos funcionários da prefeitura que fizeram os preparativos necessários e do CTG do Rio Grande do Sul que veio especialmente para servir ao povo de Parauapebas. Só enfatizando que o churrasco gaúcho foi uma grande sacada do prefeito, pois essa tradição representa muito bem o nosso povo do Pará que já incorporou a cultura gaúcha como sua.

    E as inaugurações não pararam. Tem agenda até o final do mês com obras em todos os bairros e zona rural. 

    Essa festa representa bem o estado de espírito em que vive a população. Com apenas 35 anos de emancipação, a jovem cidade com uma das maiores renda per capita do Brasil, graças a riqueza do seu subsolo, se destoa do resto do país e causa inveja a todos. Fruto de uma gestão austera e comprometida com o desenvolvimento do seu povo, a cidade vive em plena lua de mel entre governo e população. 

    Enquanto a maioria das cidades Brasil afora padecem de problemas como falta de escolas, de habitação, saneamento, segurança, violência e outras mazelas, Parauapebas segue avançando com uma rapidez incrível. A fórmula que compreende grande orçamento e gestão austera proporcionou ao povo desse rincão um verdadeiro oásis no meio de um deserto. Nenhuma cidade do Brasil se compara com a nossa. Nossos serviços públicos e a qualidade de vida do povo só se compara com as melhores cidades europeias como Copenhague (Dinamarca), Estocolmo (Suécia), Zurique (Suíça) e Braga (Portugal). 

    Problemas com saúde, segurança, saneamento, educação? O que é isso? Basta perguntar para qualquer cidadão daqui, que ele não vai se lembrar da última vez que teve problema nessas áreas. 

    Muitos perguntam qual é a mágica para o município alcançar esse patamar em tão pouco tempo: "aqui não tem mágica. Fazemos um feijão com arroz bem feito. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa", responde o prefeito demonstrando humildade e sensatez.

    Na verdade, a gestão foi organizada para que a engrenagem da máquina pública funcione bem e esteja sempre azeitada. O prefeito acabou com a ingerência política em todas as secretarias. Agora não tem mais essa de vereador ser dono de secretaria e usar a seu bel prazer. Cada secretaria é administrada por um técnico de notável saber e competência na áreas e todos passaram por um intensivo treinamento de Gestão de Alta Performance. E o prefeito acabou de vez o apadrinhamento político na contratação de servidores. Realizou concurso público em todas as áreas e o que temos hoje são funcionários de carreira sem nenhuma pressão política ou apadrinhamento.

    E  como ficou a relação da câmara com o prefeito após essas mudanças radicais? No começo foi difícil, mas logo começaram a aparecer os resultados, de modo que nenhum vereador tem coragem de fazer oposição ao prefeito. 

    E assim segue a vida na melhor cidade do mundo para trabalhar, viver e ser feliz. Problemas? Todos temos de alguma forma, mas aqui tudo se resolve com transparência, boa fé e honestidade. 

    Se você leu até aqui e não surtou com tanto devaneio e fantasia, parabéns! Sua saúde mental está em dia. Entendeu direitinho o subtítulo desse texto. 

    Mas isso pode vir a ser nossa realidade. Por que não? Afinal, como dizem e repetem os coaxes, "BASTA ACREDITAR"  Mas como não estou na fase de acreditar em papo furado de coache, digo: BASTA QUERER, PLANEJAR E PARTIR PARA A AÇÃO. Fácil não é, mas não é impossível. 

segunda-feira, 1 de maio de 2023

O QUE APRENDI SOBRE DIREITO DO TRABALHO


Nesse primeiro de maio, dia do trabalhador, ofereço a você um belíssimo texto que vai ampliar ainda mais a sua visão sobre a relação do trabalho com o Estado e a sociedade.

Boa leitura e boa reflexão! 


Ruth Manus*


Nesses vários anos estudando Direito do Trabalho quase todo santo dia- na graduação, na iniciação científica, no TCC, em uma pós graduação no Brasil, em duas pós na Europa, no mestrado e agora no doutorado- eu aprendi bastante coisa.

Aprendi que o Direito do Trabalho é um dos grandes pilares de um Estado Democrático de Direito. Aprendi que sem Direito do Trabalho é praticamente impossível que haja a chamada "dignidade da pessoa humana".

Aprendi que o verdadeiro Direito do Trabalho não serve só aos trabalhadores, nem é prejudicial às empresas. O Direito do Trabalho existe para tentar equilibrar uma relação que é desequilibrada por natureza. Onde não há igualdade natural, é preciso que haja igualdade jurídica.

Aprendi que as empresas não são inimigas da sociedade. E que, sobretudo as pequenas e microempresas, são as primeiras a sofrer num cenário de crise. E que os empresários lutam muito para tentar manter as coisas de pé. E que nunca é fácil. Aprendi a não confundir os pequenos empresários com as grandes corporações que detêm uma parcela gigantesca do poder econômico de um país.

Aprendi que o Direito do Trabalho carrega uma cruz pesada, cheia de estigmas, como se a sua existência fosse um favor ao invés de ser um direito social. Aprendi que, apesar do Direito do Trabalho não ser de direita nem de esquerda, ele acaba distorcido e ameaçado a cada vez que cai nas mãos de quem esteja serviço de grandes e específicos interesses.

Aprendi que o Direito do Trabalho sempre é o primeiro a ser fuzilado. A matéria prima está cara? Vamos reduzir os salários. A tributação é absurda? Vamos renegociar as condições dos trabalhadores. O Estado é corrupto, há milhares de desvios? Vamos fazer uma reforma trabalhista.


Aprendi que a legislação envelhece e que é preciso atualizá-la. E que atualizar a lei é exatamente o oposto de desregulamentar. Que quando um parlamentar diz que está modernizando a lei e, para tanto precisa subtrair dezenas de direitos, isso só pode fruto de ignorância ou de má-fé.

Aprendi que em Estados sérios não se tenta resolver crise econômica com reforma trabalhista. Que uma coisa não se confunde com a outra. Que afirmar que uma reforma trabalhista é a salvação de um país em crise é como dizer que é possível curar um câncer tratando uma tendinite. Aprendi que a promiscuidade que existe na relação entre o Estado e as grandes empresas, sobretudo multinacionais, é uma ameaça muito maior à sociedade do que uma legislação antiquada. E aprendi que as decisões acerca da lei são tomadas exatamente por quem não depende delas.



* RUTH MANUS é advogada e professora de direito do Trabalho e de Direito Internacional. Escritora e colunista com crônicas publicadas nos jornais O Estadão, O Estado de S. Paulo, Correio da Bahia e Observador, de Lisboa.




 

quinta-feira, 13 de abril de 2023

MINHA ESCOLA FOI ATACADA. E AGORA?

Nos últimos dias, a sociedade brasileira ficou chocada com os casos de ataques as escolas. E quando professores e estudantes são atacados e mortos dentro do local que deveria ser um lugar sagrado e confiável para deixar nossas crianças, é natural que sejamos tomados pelo pânico e pela sensação de impotência. E nesse momento, infelizmente, tomados pela emoção, temos tendência em pensar em soluções imediatistas e estapafúrdicas. 

Diante do caos, nossas autoridades, de forma apressada, adotaram medidas que nada contribuirão para evitar novos ataques e proteger nossas crianças e professores. O governador do Pará Helder Barbalho anunciou que colocará policiais nas escolas. A prefeita de Canaã dos Carajás anunciou que além de policiais, colocará concertina (aquelas bolas de arames cortantes que se usa em presídios) nos muros das escolas e detector de metais nas entradas. 

Os pais de alunos, por sua vez, exigem medidas drásticas como segurança armada, detector de metais e, pasmem, até professores armados e crianças trancadas nas salas de aula.

O que as autoridades esqueceram foi o detalhe mais importante: consultar os educadores. Sim, os esquecidos professores. Um conselho de especialistas em educação seria capaz de analisar o cenário, estudar as medidas que fracassaram ou deram certo em outros países e, ai sim, apresentariam um conjunto de propostas concretas e consistentes capazes de frear essa estupidez.

Mas para entender o que está acontecendo, é necessário que continue lendo o texto com muita atenção e analise os dados com frieza.

Mas, afinal, o que está acontecendo com o Brasil?

Em 07 de abril de 2011, (há exatamente 12 anos) no bairro do Realengo, na cidade do Rio de Janeiro, um ex-aluno de 23 anos invadiu a escola municipal Tasso da Silveira, armado com 2 revólveres, atirou e matou 12 alunos (sendo 10 meninas), feriu 13, e em seguida se matou. Na época, o caso foi tratado pela imprensa como de fato era na ocasião: algo fora do comum no Brasil.

"De acordo com mapeamento da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) sobre casos de ataques em escolas por alunos ou ex-alunos, o primeiro episódio foi registrado em 2002. À época, um adolescente de 17 anos disparou contra duas colegas dentro da sala de aula de uma escola particular de Salvador. O levantamento da Unicamp deixa de fora episódios de violência não planejados, que podem ocorrer, por exemplo, em decorrência de uma briga". (agênciabrasil.ebc.com.br).

Foram listados 22 ocorrências desde 2002. Ao todo, 30 pessoas morreram, sendo 23 estudantes, 05 professores e 02 funcionários das escolas.

Do total de casos, 13 (mais da metade) estão concentrados apenas nos últimos dois anos - 2022 e 2023. Isso demonstra claramente que as ações estão ligadas ao crescente discurso de ódio e ao incentivo para que a população se arme. E você cidadão, sem saber, pode ter contribuído com isso.

Para justificar a minha tese, cito o exemplo dos Estados Unidos. Lá existe o maior numero de ataque em escolas do mundo, e, não por coincidência, é onde existe o maior numero de cidadãos armados e a cultura armamentista é dominante. Quando o ex-presidente Barack Obama tentou restringir o acesso a armas pelos civis, encontrou uma forte barreira no Congresso que, por sua vez, tem o maior numero de congressistas com campanhas financiadas pelos fabricantes de armas. Entendeu a lógica?

Qual seria a solução para evitar mais ataques


Essa é a pergunta de milhões e que a resposta é mais complexa do que você imagina. Mas vamos começar pelo...

...O que não devemos fazer


  • Colocar policiais, guarda municipal ou seguranças armados nas escolas - Além de não resolver o problema ainda pode criar outros. Se fosse assim, nos Estados Unidos não teria mais ataques nas escolas. Lá, uma "agência de pesquisa governamental analisou dezenas de revisão de pesquisas publicadas entre 2000 e 2020 sobre o policiamento escolar e concluiu que a presença de policiais não aumentou a segurança nas escolas e não preveniu ataques violentos". (Fonte: G1 Educação). E ainda teríamos mais um agravante no Brasil: o numero deficitário de policiais no Pará e no Brasil, iria deixar outras áreas descobertas, facilitando o ataque de marginais em outros pontos da comunidade. 
  • Colocar detectores de metais nas portas das escolas - Você já viu como é num aeroporto? Quando o detector de metais apita é um inferno. Revista, abre bolsa, passa novamente... No aeroporto ok, pois além do numero menor do que numa escola, eles possuem toda uma infraestrutura para isso. Agora visualiza na porta da escola! Menino abrindo a mochila, derramando tudo na calçada para encontrar a tesoura, mãe nervosa e com pressa para deixar o filho e voltar para o trabalho, rua interditada pelo numero de alunos aguardando a revista... Ou seja, uma escola pequena iria gastar em média 2 horas para a entrada dos alunos. Agora imagine uma escola pública com mil alunos por turno?

O que podemos fazer?

O perigo está em casa... ou dentro da escola


A solução não é simples, visto que vivemos numa sociedade forjada a partir de conceitos capitalistas/consumista onde grande parte das famílias são reféns dos seus filhos adolescentes. Como eu disse antes, as autoridades tem que ouvir os educadores que vivenciam o dia-a-dia da escola. E começar a investir na educação já seria um bom começo. A educação foi a área que mais sofreu corte de verba nos últimos 4 anos. Somente em 2021, foram quase 5 bilhões de cortes no orçamento do MEC que já não é grande coisa. As escolas públicas aqui de Parauapebas sequer tem projeto anti-incêndio e nunca vi a sociedade se mobilizando para cobrar isso. É uma questão de EDUCAÇÃO.

Porém, emergencialmente, caberia aos governadores e prefeitos, ao invés de colocar policiais nas escolas, usar o serviço de inteligência das polícias e guardas municipais para investigar e monitorar redes sociais de grupos extremistas que propagam violência. E, caso realmente haja a necessidade de colocar policial na escola, que seja à paisana, de forma discreta para ter mais eficiência e se misturar no meio escolar. Imagine a cena de um policial fardado na escola: alunos apreensivos, em pânico e desconcentrados; enquanto os possíveis agressores/assassinos, vendo a presença da polícia, construa um plano B como acontece com frequência nos EUA.

Por outro lado, cabe aos pais a tarefa mais importante dessa missão de proteger nossas crianças: monitorar os filhos. Isso mesmo que falei: monitorar os filhos. Por mais que se propague esse discurso de que a criança e o adolescente tem que ter liberdade, essa liberdade não é irrestrita, pois cabe ao adulto a responsabilidade sobre as ações dessas crianças e adolescentes.

Portanto pais, é sua responsabilidade fiscalizar a mochila do seu filho, e não da escola com detectores de metais. É sua a responsabilidade saber o que seu filho posta nas redes sociais ou quem ele segue antes de virar caso de polícia. É sua responsabilidade ver que tipo de jogo seu filho joga no PlayStation ou no celular. É sua responsabilidade saber com quem ele "tecla" no celular, de qual comunidade ele participa e quem são suas principais influências nas redes sociais.

Veja nas estatísticas, que a maioria dos ataques foram feitos por alunos ou ex-alunos. E nesse caso, não adianta polícia, guarda armada ou muros de presídio nas escolas. 

É inegável que nossa sociedade está adoecida. A escola deixou de ser um lugar interessante e professores deixaram de ser autoridades importantes e influenciadores. Hoje em dia quem influencia nossas crianças são influencers vazios que despejam futilidades e inutilidades nas redes sociais. E são exatamente essas redes sociais que estão formando mentes paranoicas, violentas e cheias de ódio.

O fato é que precisamos reconstruir uma cultura de paz primeiro dentro de casa e depois na escola. Como diz o ditado: a fruta não cai longe do pé. Então, veja o que está ensinando aos seus filhos através dos exemplos e das práticas mais sutis do dia-a-dia. Converse com suas crianças, liguem o sinal de alerta aos menores sinais de distúrbios emocionais. 

Não diga o que a escola tem que fazer, mas pergunte honestamente o que ela está fazendo a respeito. Converse com professores, coordenadores e direção. E acima de tudo: não entre em pânico.

E pelo amor de Deus: pais, compareçam às reuniões bimestrais de pais e mestres da escola do seu filho e pare de inventar desculpas para sua ausência!



terça-feira, 14 de março de 2023

ÁGUAS DE MARÇO

 Oposição a Darci???


    No dia 1 de março de 2015 - época em que o prefeito Valmir Mariano estava no poder - escrevi um texto com esse mesmo título - leia aqui. No referido texto, previ muitos raios e trovoadas na política de Parauapebas. E como se eu tivesse o poder de prever o futuro, muita coisa aconteceu que realmente sacudiu Parauapebas como se fosse abalada por um terremoto. Os fatos que se sucederam, rendeu outros textos com o mesmo título  (Parte II, III...). 

    Agora, oito anos depois, escrevo o texto com o mesmo título, porém, dessa vez, prevejo que as águas de março trarão um céu de brigadeiro para os últimos meses da gestão do prefeito Darci

    Calma! Antes de tirar conclusões apressadas, relaxe. Leia o texto até o fim e tire suas conclusões.

    Na segunda-feira 13 de março desabou uma forte chuva em Parauapebas. Muitas ruas alagaram, os buracos aumentaram e em alguns trechos houve deslizamento de encostas de morro e aterros cedendo. A cidade ficou um caos. Fortes chuvas em março já são esperadas. Tudo ok. O que não está ok é a repetição dos problemas ano após ano.

    A oposição mais do que ligeiro começou a publicar vídeos com a catástrofe nas ruas da cidade e, como se tivesse num profundo orgasmo, criticou a ineficiência da gestão municipal e o PROSAP. Parece que estão vigilantes 24 horas e na torcida para que aquela barragem do lago do complexo turístico estoure e alague toda a cidade. O apocalipse seria o cenário ideal para tais opositores.

    O que tem de errado a oposição criticar os problemas oriundos da chuva ou o PROSAP? Nenhum problema. O problema está na imaturidade da nossa oposição e às vezes, até falta de propósito. Não demonstram qualificação para apresentar críticas consistentes e propostas concretas. Fazem uma oposição de ocasião e demonstram claramente que seriam o mesmo do mesmo com uma fachada diferente, travestido de novo. Calma! Continuo explicando a minha linha de argumentação.

    Nunca vi ninguém da oposição que critica o PROSAP, criticar ou denunciar o lixão que se formou ao lado da barragem do lago do complexo turístico da Cidade Nova. Basta parar sobre a ponte da barragem e você verá uma APP (Área de Proteção Permanente) sendo aterrada com entulhos e tudo às claras no centro da cidade. Aquilo ali no futuro, se houver qualquer construção, será uma tragédia anunciada.

    Também nunca vi ninguém da oposição criticar ou denunciar nos órgãos competentes a supressão da mata ciliar do Igarapé Ilha do Coco ao longo da obra do PROSAP. Também nunca vi ninguém propor que se plante mais árvores nos espaços públicos, que se respeite a Lei Ambiental, que parem de desmontar nossos morros... E vocês reclamam de um alagamento? Para onde vocês acham que essa água vai? Será que acreditam que a natureza não cobra o preço pela supressão de áreas verdes? Vocês acreditam que brejo é só para criar sapo e muriçoca e tem que aterrar mesmo? Então parem de reclamar e providenciem uma barca.

    Nunca vi a oposição reclamar do desordenamento urbano da nossa cidade que se transformou num camelódromo. Aqui você pode botar um boteco em qualquer canteiro publico, pode botar uma revenda de automóveis num estacionamento público, uma loja de redes ou de chocolates, um pátio de oficina mecânica nos pontos mais privilegiados das áreas públicas. E se tiver um bar, pode usar a calçada pública ou até fechar a rua que está tudo bem. E mais: se ganhar um quiosque da prefeitura com um contrato que proíbe ampliação ou venda de bebidas alcoólicas, não se preocupe. Pode transformar num boteco, num clube e amplie a vontade para ocupar mais área pública. Ninguém vai te importunar. E porque a oposição nunca entrou com uma representação para fazer com que o Código de Posturas seja cumprido para todos e não para alguns desafetos? Será que é porque parte dessa oposição se beneficie com esse desordenamento? 

    Alguém pode alegar que já fez muitas denúncias no MP e tem vários processos contra o Darci e seus secretários. Sim, mas só fizeram na época da campanha eleitoral e a maioria sem sentido ou fundamento. Quero ver a ação fora de campanha eleitoral como deve ser feito pela oposição qualificada, com intenções republicanas e legítimas de transformar Parauapebas.

    Então, eu digo com toda segurança: Darci governará durante o resto do seu mandato com céu de brigadeiro mesmo que Parauapebas se afunde em tempestade. E se quiser, elegerá o seu sucessor. Digo se quiser, pois talvez ele queira ficar só olhando e "deixar" que um aventureiro sem qualificação assuma o poder por quatro anos e garanta sua volta como aconteceu na época do Valmir Mariano.

    Será que vai aparecer uma oposição qualificada que convencerá o eleitorado de Parauapebas que o município precisa de mudanças profundas? Vamos pagar pra ver. 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

TERRORISTAS OU PATRIOTAS?

 


Após os atos de terrorismo e vandalismo ocorridos no último domingo (8) em Brasília, onde bolsonaristas invadiram as sedes dos Três Poderes e, como animais raivosos destruíram tudo o que viram pela frente, centenas de prisões já foram feitas. Até o momento, mais de 1.200 já foram presos ou estão passando por triagem na PF do Distrito Federal. Porém, a investigação segue em busca dos terroristas que financiaram a tentativa de golpe e muita gente "importante" nesse momento está com a região final dos intestinos que não passa uma agulha.

A grande polêmica do momento, principalmente nas redes sociais é sobre o enquadramento desses "patriotas" na Lei antiterrorismo criada em 2016. Ouvimos e lemos questionamentos como: "que absurdo, tratar pais de famílias como terroristas!" "Até uma velhinha de 69 anos foi tratada como terrorista." "Aquela gente estava lutando para salvar o Brasil do comunismo, não são terroristas".

Afinal, o que é  terrorismo?

Segundo o dicionário Oxford terrorismo é:

1. Modo de impor a vontade pelo uso sistemático do terror.

2. Emprego sistemático da violência para fins políticos, esp. a prática de atentados e destruições por grupos cujo objetivo é a desorganização da sociedade existente e a tomada do poder.

Estamos acostumado ao imaginário do estereótipo de terrorista como alguém barbudo, mal encarado que vive explodindo bombas e atirando em pessoas. Geralmente, achamos que terrorista são só os muçulmanos fundamentalistas ou os membros do grupo Al-Quaeda responsável pelo atentado de 11 de setembro  de 2001 nos Estados Unidos.

Como você leu acima, terrorista pode ser qualquer pessoa que usa de violência para impor seus objetivos, geralmente, age em grupo para causar desestabilidade social. No caso específico do dia 8 de janeiro, tentaram contra a democracia e queriam impor sua vontade política, ignorando as regras democráticas. E aquele ato só não terminou em morte porque não houve resistência nem por parte da polícia. Imagine se um grupo de civis que discordam deles fossem para a praça dos Três Poderes tentar conter a destruição! Sem dúvida, teria ocorrido o maior banho de sangue da história.

Aqui, quero fazer um parêntese: quando atribuímos o terrorismo aos grupos islâmicos fundamentalistas que matam em nome de Deus (Alá), esquecemos ou ignoramos que nós cristãos já matamos muito mais do que eles e, também fizemos em nome de Deus. E é terrorismo do mesmo jeito.

Então, não se engane. O terrorista pode ser aquele pai de família que é gente boa, pode ser aquela tia que ama a família, pode ser aquele religioso que frequenta as igrejas com assiduidade, aquele que defende a família e os bons costumes, aquele que declara que "O Brasil é do Senhor Jesus". Dentro da sua casa, da sua igreja, do seu trabalho, pode ter um terrorista e você não sabe.

Portanto, fique atento aquelas pessoas que tem posições extremistas, que não aceitam o contraditório, que seguem um líder com fanatismo e não aceita contestação, que usa demasiadamente termos religiosos... Enfim, preste atenção principalmente nos que não aceitam o resultado de uma eleição mesmo sem prova de fraude e se apega em teorias da conspiração. O terrorista pode morar ao lado ou mesmo dormir com você.