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terça-feira, 9 de setembro de 2014

Valmir quer mais 300 milhões

(Do Facebook do Vereador Arenes)


Olá minha gente amiga e trabalhadora de todo nosso município, estou pedindo que todos ou todas as pessoas que puderem participar da sessão na Câmara Municipal de Parauapebas, do dia 09 de setembro de 2014, a partir das 16:00 h, possam comparecer e marcar a sua presença la, pois estaremos ali discutindo exatamente o que interessa toda nossa gente, e nesse dia o governo municipal através do Prefeito Valmir Mariano está pedindo mais recursos públicos na ordem de mais de R$: 300.000,000;00 (Trezentos Milhões de Reais), para terminar de fechar o ano segundo ele, verifique de que lado seu vereador(a) está. Oportunidade importante para não sermos julgados culpados ou inocentes, mas sim, oportunidade de saber quem defende o povo ou quem esta a serviço dos interesses do governo ou ate mesmo pessoal. Vou fazer a minha parte. Abraços de seu amigo Vereador ARENES.

Prefeito guloso e vereadores cúmplices


O orçamento de 2014 aprovado pela Câmara dos Vereadores foi o maior de toda a história de Parauapebas. Uma bagatela de R$1.325.000.000,00 (um bilhão, trezentos e vinte e cinco milhões de reais). Seria dinheiro para deixar todas as ruas de Parauapebas com asfalto, água, rede de esgoto, iluminação, praças, novas escolas, novos postos de saúde nos bairros, novas vias, novas casas populares e outros mimos. Seria, se a maior parte dessa dinheirama não escorresse pelo ralo da corrupção.

Faltando menos de quatro meses para terminar o ano o prefeito fala que esse dinheiro já acabou e que para continuar as obras precisa de mais 300 milhões. Inclusive várias obras na cidade -a exemplo do Bairro Liberdade como denunciou a vereadora Eliene-  estão abandonadas por falta de dinheiro como afirmou o Secretário de Obras Queiroga. Tudo bem que nosso município é rico e ao mesmo tempo apresenta muitos problemas e muitas demandas. Tudo bem que os vereadores aprovem uma emenda orçamentária, pois dinheiro existe. Tudo bem, desde que o prefeito apresentasse a prestação de contas do que fez com esse dinheiro.

Hoje na sessão, os vereadores (com exceção de três) vão  aprovar essa emenda de trezentos milhões e ainda vão justificar. Duvidam? Então vão lá e vejam com seus próprios olhos. Somente uns três vereadores vão questionar, mais talvez acabem votando a favor como no episódio lamentável do ano passado. Talvez um vereador peça ao prefeito uma prestação de contas detalhada com os gastos desse ano para embasar seu voto e adie a votação. Talvez! Vamos ver o que acontece.

De concreto mesmo é que Valmir não tem que prestar contas a ninguém. Ele gasta o nosso dinheiro como bem quiser, já que ele tem quase todos os vereadores sob sua batuta. Valmir está pouco se lixando com o que o povo pensa ou para operação da Polícia Federal. Ele confia plenamente no poder da grana, na impunidade da justiça e na cumplicidade das autoridades. Confia até que vai se reeleger pois aprendeu que aqui o dinheiro compra tudo. 

E assim caminhamos como ovelhas rumo ao matadouro. A cidade está mergulhada na mais grave crise e um grupo de meia dúzia enriquece acintosamente e dá risada da nossa inércia. Há até desavisados que comenta que no tempo do Darci tinha corrupção, só que o dinheiro circulava por aqui e movimentava todo o comércio. que absurdo!

domingo, 7 de setembro de 2014

O processo de independência do Brasil


Para compreender o verdadeiro significado histórico da independência do Brasil, levaremos em consideração duas importantes questões:

Em primeiro lugar, entender que o 07 de setembro de 1822 não foi um ato isolado do príncipe D. Pedro, e sim um acontecimento que integra o processo de crise do Antigo Sistema Colonial, iniciada com as revoltas de emancipação no final do século XVIII. Ainda é muito comum a memória do estudante associar a independência do Brasil ao quadro de Pedro Américo, "O Grito do Ipiranga", que personifica o acontecimento na figura de D. Pedro.

Em segundo lugar, perceber que a independência do Brasil, restringiu-se à esfera política, não alterando em nada a realidade sócio-econômica, que se manteve com as mesmas características do período colonial.

Valorizando essas duas questões, faremos uma breve avaliação histórica do processo de independência do Brasil.


Desde as últimas décadas do século XVIII assinala-se na América Latina a crise do Antigo Sistema Colonial. No Brasil, essa crise foi marcada pelas rebeliões de emancipação, destacando-se a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana. Foram os primeiros movimentos sociais da história do Brasil a questionar o pacto colonial e assumir um caráter republicano. Era apenas o início do processo de independência política do Brasil, que se estende até 1822 com o "sete de setembro". Esta situação de crise do antigo sistema colonial, era na verdade, parte integrante da decadência do Antigo Regime europeu, debilitado pela Revolução Industrial na Inglaterra e principalmente pela difusão do liberalismo econômico e dos princípios iluministas, que juntos formarão a base ideológica para a Independência dos Estados Unidos (1776) e para a Revolução Francesa (1789). Trata-se de um dos mais importantes movimentos de transição na História, assinalado pela passagem da idade moderna para a contemporânea, representada pela transição do capitalismo comercial para o industrial.

Os Movimentos de Emancipação


A Inconfidência Mineira destacou-se por ter sido o primeiro movimento social republicano-emancipacionista de nossa história. Eis aí sua importância maior, já que em outros aspectos ficou muito a desejar. Sua composição social por exemplo, marginalizava as camadas mais populares, configurando-se num movimento elitista estendendo-se no máximo às camadas médias da sociedade, como intelectuais, militares, e religiosos. Outros pontos que contribuíram para debilitar o movimento foram a precária articulação militar e a postura regionalista, ou seja, reivindicavam a emancipação e a república para o Brasil e na prática preocupavam-se com problemas locais de Minas Gerais. O mais grave contudo foi a ausência de uma postura clara que defendesse a abolição da escravatura. O desfecho do movimento foi assinalado quando o governador Visconde de Barbacena suspendeu a derrama -- seria o pretexto para deflagar a revolta - e esvaziou a conspiração, iniciando prisões acompanhadas de uma verdadeira devassa.

Os líderes do movimento foram presos e enviados para o Rio de Janeiro responderam pelo crime de inconfidência (falta de fidelidade ao rei), pelo qual foram condenados. Todos negaram sua participação no movimento, menos Joaquim José da Silva Xavier, o alferes conhecido como Tiradentes, que assumiu a responsabilidade de liderar o movimento. Após decreto de D. Maria I é revogada a pena de morte dos inconfidentes, exceto a de Tiradentes. Alguns tem a pena transformada em prisão temporária, outros em prisão perpétua. Cláudio Manuel da Costa morreu na prisão, onde provavelmente foi assassinado.

Tiradentes, o de mais baixa condição social, foi o único condenado à morte por enforcamento. Sua cabeça foi cortada e levada para Vila Rica. O corpo foi esquartejado e espalhado pelos caminhos de Minas Gerais (21 de abril de 1789). Era o cruel exemplo que ficava para qualquer outra tentativa de questionar o poder da metrópole.

O exemplo parece que não assustou a todos, já que nove anos mais tarde iniciava-se na Bahia a Revolta dos Alfaiates, também chamada de Conjuração Baiana. A influência da loja maçônica Cavaleiros da Luz deu um sentido mais intelectual ao movimento que contou também com uma ativa participação de camadas populares como os alfaiates João de Deus e Manuel dos Santos Lira.Eram pretos, mestiços, índios, pobres em geral, além de soldados e religiosos. Justamente por possuír uma composição social mais abrangente com participação popular, a revolta pretendia uma república acompanhada da abolição da escravatura. Controlado pelo governo, as lideranças populares do movimento foram executadas por enforcamento, enquanto que os intelectuais foram absolvidos.

Outros movimentos de emancipação também foram controlados, como a Conjuração do Rio de Janeiro em 1794, a Conspiração dos Suaçunas em Pernambuco (1801) e a Revolução Pernambucana de 1817. Esta última, já na época que D. João VI havia se estabelecido no Brasil. Apesar de contidas todas essas rebeliões foram determinantes para o agravamento da crise do colonialismo no Brasil, já que trouxeram pela primeira vez os ideais iluministas e os objetivos republicanos.

A Família Real no Brasil e a Preponderância Inglesa


Se o que define a condição de colônia é o monopólio imposto pela metrópole, em 1808 com a abertura dos portos, o Brasil deixava de ser colônia. O monopólio não mais existia. Rompia-se o pacto colonial e atendia-se assim, os interesses da elite agrária brasileira, acentuando as relações com a Inglaterra, em detrimento das tradicionais relações com Portugal.

Esse episódio, que inaugura a política de D. João VI no Brasil, é considerado a primeira medida formal em direção ao "sete de setembro".

Há muito Portugal dependia economicamente da Inglaterra. Essa dependência acentua-se com a vinda de D. João VI ao Brasil, que gradualmente deixava de ser colônia de Portugal, para entrar na esfera do domínio britânico. Para Inglaterra industrializada, a independência da América Latina era uma promissora oportunidade de mercados, tanto fornecedores, como consumidores.

Com a assinatura dos Tratados de 1810 (Comércio e Navegação e Aliança e Amizade), Portugal perdeu definitivamente o monopólio do comércio brasileiro e o Brasil caiu diretamente na dependência do capitalismo inglês.

Em 1820, a burguesia mercantil portuguesa colocou fim ao absolutismo em Portugal com a Revolução do Porto. Implantou-se uma monarquia constitucional, o que deu um caráter liberal ao movimento. Mas, ao mesmo tempo, por tratar-se de uma burguesia mercantil que tomava o poder, essa revolução assume uma postura recolonizadora sobre o Brasil. D. João VI retorna para Portugal e seu filho aproxima-se ainda mais da aristocracia rural brasileira, que sentia-se duplamente ameaçada em seus interesses: a intenção recolonizadora de Portugal e as guerras de independência na América Espanhola, responsáveis pela divisão da região em repúblicas.

O Significado Histórico da Independência


A aristocracia rural brasileira encaminhou a independência do Brasil com o cuidado de não afetar seus privilégios, representados pelo latifúndio e escravismo. Dessa forma, a independência foi imposta verticalmente, com a preocupação em manter a unidade nacional e conciliar as divergências existentes dentro da própria elite rural, afastando os setores mais baixos da sociedade representados por escravos e trabalhadores pobres em geral.

Com a volta de D. João VI para Portugal e as exigências para que também o príncipe regente voltasse, a aristocracia rural passa a viver sob um difícil dilema: conter a recolonização e ao mesmo tempo evitar que a ruptura com Portugal assumisse o caráter revolucionário-republicano que marcava a independência da América Espanhola, o que evidentemente ameaçaria seus privilégios.

A maçonaria (reaberta no Rio de Janeiro com a loja maçônica Comércio e Artes) e a imprensa uniram suas forças contra a postura recolonizadora das Cortes.

D. Pedro é sondado para ficar no Brasil, pois sua partida poderia representar o esfacelamento do país. Era preciso ganhar o apoio de D. Pedro, em torno do qual se concretizariam os interesses da aristocracia rural brasileira. Um abaixo assinado de oito mil assinaturas foi levado por José Clemente Pereira (presidente do Senado) a D. Pedro em 9 de janeiro de 1822, solicitando sua permanência no Brasil. Cedendo às pressões, D. Pedro decidiu-se: "Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto. Diga ao povo que fico".

É claro que D. Pedro decidiu ficar bem menos pelo povo e bem mais pela aristocracia, que o apoiaria como imperador em troca da futura independência não alterar a realidade sócio-econômica colonial. Contudo, o Dia do fico era mais um passo para o rompimento definitivo com Portugal. Graças a homens como José Bonifácio de Andrada e Silva (patriarca da independência), Gonçalves Ledo, José Clemente Pereira e outros, o movimento de independência adquiriu um ritmo surpreendente com o cumpra-se, onde as leis portuguesas seriam obedecidas somente com o aval de D. Pedro, que acabou aceitando o título de Defensor Perpétuo do Brasil (13 de maio de 1822), oferecido pela maçonaria e pelo Senado. Em 3 de junho foi convocada uma Assembléia Geral Constituinte e Legislativa e em primeiro de agosto considerou-se inimigas as tropas portuguesas que tentassem desembarcar no Brasil.

São Paulo vivia um clima de instabilidade para os irmãos Andradas, pois Martim Francisco (vice-presidente da Junta Governativa de São Paulo) foi forçado a demitir-se, sendo expulso da província. Em Portugal, a reação tornava-se radical, com ameaça de envio de tropas, caso o príncipe não retornasse imediatamente.

José Bonifácio, transmitiu a decisão portuguesa ao príncipe, juntamente com carta sua e de D. Maria Leopoldina, que ficara no Rio de Janeiro como regente. No dia sete de setembro de 1822 D. Pedro que se encontrava às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, após a leitura das cartas que chegaram em suas mãos, bradou: "É tempo... Independência ou morte... Estamos separados de Portugal".Chegando no Rio de Janeiro (14 de setembro de 1822), D. Pedro foi aclamado Imperador Constitucional do Brasil. Era o início do Império, embora a coroação apenas se realizasse em primeiro de dezembro de 1822.

A independência não marcou nenhuma ruptura com o processo de nossa história colonial. As bases sócio-econômicas (trabalho escravo, monocultura e latifúndio), que representavam a manutenção dos privilégios aristocráticos, permaneceram inalteradas. O "sete de setembro" foi apenas a consolidação de uma ruptura política, que já começara 14 anos atrás, com a abertura dos portos.

Fonte: HISTORIANET


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Instituto contraria Ibope e prevê vitória de Dilma no primeiro turno


3/9/2014 19:56
Por Redação - de São Paulo

Esta será a segunda vez que Marina e Dilma se encontram, nas urnas
Esta será a segunda vez que Marina e Dilma se encontram, nas urnas
Ao contrário do que prevê o Ibope, em pesquisa divulgada na noite desta quarta-feira, na qual a presidenta e candidata Dilma Rousseff (PT) iria para um segundo turno contra Marina (PSB/Rede Sustentabilidade) em condição de inferioridade, o jornalista Paulo Henrique Amorim (PHA) divulgou, logo em seguida em seu blog, que os trakings comerciais, uma forma de pesquisa atualizada diariamente, do Instituto DataCaf, já colocam a candidata à reeleição pelo PT com 42% das intenções de voto, em seguida aparece a candidata Marina Silva pelo PSB com 25% e em terceiro lugar Aécio Neves pelo PSDB com 12%. Brancos/Nulos/Não souberam 21%.
“Como se sabe, o DataCaf está para as eleições como o Institulo alemão GfK para medir audiência de TV”, escreveu o jornalista. Com base neste levantamento, Dilma Rousseff do PT seria reeleita no primeiro turno. Contrariando as pesquisas do IBOPE e o Datafolha. Os números do DataCaf, desta quarta-feira, mostram uma “estabilização pra cima” da Presidenta Dilma.
“Passado o efeito mais intenso do velóriomicio, muita gente começa a se perguntar: mas, esse moralismo difuso, essa ‘roleta biblica’ , isso governa um país ? Isso pode mobilizar uma classe média que se beneficiou dos governos Lula e Dilma, mas não sabe. Pensa que foi o Papai do Céu que enviou. E ela mesma, sozinha, conseguiu”, continua PHA.
“E tem a juventude enraivecida, também sem parâmetro de comparação. Para tudo isso coopera o ‘envenenamento’ de que falava o grande presidente João Goulart, durante 12 anos ministrado pela Globo e derivados, da Urubóloga àquele que recebeu uma banana de presente”, acrescenta.
Ainda segundo o jornalista e apresentador da TV Record, o “efeito manada” se desfaz. “Se desfaz com o ‘cartesianismo’ de que a Dilma foi por ela impiedosamente acusada num debate”.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

TRANSPORTE PÚBLICO EM PARAUAPEBAS

DURA LEX SEDI LEX

                                                                    Por José O. Zelão Vieira Reis.
 
Esta é uma expressão em latim que quer dizer: a lei é dura, mas é a lei. Trocando em miúdos quer dizer que a lei existe e deve ser cumprida. A pergunta é: quem deve cumprir a lei? Ou, a lei é para todos ou só para alguns? Ou ainda, por que a lei é dura com alguns e branda com outros? Está tudo errado!

Certamente você já ouviu dizer ou até mesmo já disse que Parauapebas é uma cidade sem lei. É o que parece. Lei existe, mas nem sempre é cumprida; principalmente quando se trata de prestação de serviços à população menos favorecida, a que mais necessita dos serviços.

Outro dia, estava num birro não muito distante do centro da cidade; mas como o sol estava a pino, resolvi tomar uma van (o nosso transporte coletivo urbano). Como era no início da linha, até que estava vazia, tive a sorte de tomar assento. Ao longo do percurso, paradas e mais paradas. Entra um, dois, cinco, chega pra lá, aperta mais, mais uns; o calor aumenta, suadeira total. Gente reclamando... pra quê? O cobrador teve a ousadia de pedir para uma passageira sentar no colo de um passageiro para empurrar mais dois no banco da frente. Pode? Que sacanagem! O passageiro, mais por rebeldia do que propriamente por cidadania, esbravejou e não aceitou. Ta certo – coisa de jovem. Detalhe: o cobrador em questão era o dono da van, portanto, quanto mais gente, melhor. Imagine, R$ 1,80 (um real e oitenta centavos) por nada mais que vinte minutos de puro calor e apertamento – e nenhum conforto. O que justifica este valor abusivo? No mínimo todas as vans deveriam ser bem conservadas, ter ar condicionado e circular com um mínimo de passageiros em pé. Quem deveria garantir este direito? Aí é que está. O transporte público é uma concessão do poder executivo e regulamentado por lei. Mas em Parauapebas, a cidade que tudo pode, quem dá as cartas são as cooperativas e os donos das vans. Isto porque o prefeito fecha os olhos e os vereadores batem palmas para ele. Não está passando da hora de a população que depende do transporte coletivo tomar uma atitude e fazer valer os seus direitos? A lei existe, mas precisa ser cumprida. O que vi naquela tarde foram trabalhadores indo para os seus trabalhos, estudantes indo para as escolas e eu sentindo na pele o que aquelas pessoas sentem todos os dias duas, três, até quatro vezes – e um cobrador debochado e impunemente gozando da nossa cara. A lei existe, mas respeito é bom e nós agradecemos.


José O. Zelão Vieira Reis.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

SESSÃO DE 02 DE SETEMBRO

O Rei Está Nu


Na sessão de ontem, 02 de setembro, além dos discursos com palavras que nada dizem, aconteceram fatos inusitados que merecem destaque. Pelo tom dos discursos, percebi que a base governista está cada vez mais "puta" da vida com o chefe Valmir. O velho deve estar tratando a todos a pão e água pois a cada semana aumenta o choro. Destaque para a vereadora Luzinete que radicalizou geral. Primeiro começou o discurso de forma esquisita dizendo que o Elves (Zé do Bode) é "bom de língua". Explique isso aí Zé do Bode! E desandou a reclamar do governo falando que os funcionários públicos municipais são desrespeitados pelo governo, que secretários não respeitam vereadores, que prefeito não tem consideração, etc. Pelo tom do discurso parece que quer pular fora da canoa furada do prefeito. Ou será que é só um arroubo de campanha? Só para lembrar Luzinete é dona absoluta de duas secretarias: Meio Ambiente e Secretaria da Mulher.

Odilom Sansão e Irmã Luzinete foram os protagonistas responsáveis por deixar a Câmara completamente nua. Todos os vereadores ficaram na maior "saia justa". (ou sem saia e sem calças). O Poder Legislativo de Parauapebas foi colocado em cheque e desnudado da forma mais cruel e vexaminosa. Na hora lembrei do conto de Hans Chistian "O Rei Está Nu". Para quem não conhece esse conto, leia aqui. Destaque também foi a ausência do Brás.

Odilom nunca foi desrespeitado


Vários vereadores vem fazendo discurso reclamando da falta de respeito, da falta de consideração por parte do prefeito e seus secretários. Outros reclamam que suas emendas e seus requerimentos ficam engavetados pelo prefeito, numa prova de falta de consideração. A chiadeira tem sido geral ultimamente. Tem até vereador que discursa contra algum projeto de lei enviado pelo prefeito, grita, fala que é uma imoralidade, mas na hora do voto, vota a favor. Diz estar triste, mas vota como se fosse obrigado. Comportamento típico de criança que faz algo obrigada por medo de perder o brinquedo. Ontem o Presidente Josineto enfatizou que tem secretário que nem atende seu telefone. 

Na hora do seu discurso que sempre acontece por último no grande expediente, o vereador Odilom -líder do governo- deu umas palmadas no bumbum dos vereadores. Disse que nos cinco mandatos nunca foi desrespeitado e nem desconsiderado por ninguém. "Nunca ninguém me tratou com desrespeito. Sei do meu papel de vereador e onde me cabe. E aqui em Parauapebas em todo lugar me cabe pois tenho poder que me foi dado pelo povo. Entro a saio em qualquer lugar pois sei do meu poder e das minhas limitações. Entro em qualquer secretaria, tenho livre acesso a qualquer órgão e nunca baixei a cabeça para ninguém. 'Antão' esse negócio de dizer que ninguém respeita vereador é relativo. Tem vereador que se submete a esse tipo de tratamento por conveniência pessoal". Resumindo, quando fala de conveniência pessoal Odilom quis dizer o seguinte: vereador se compromete em troca de cargos e outras benesses e fica com o "rabo preso". Não pode reclamar e nem se fazer de vítima pois quando se compromete em troca de favores pessoais está abrindo mão do respeito e da autoridade. 

Sinto muito em dizer que o vereador Odilom está corretíssimo. Os vereadores compõem um poder autônomo e independente. Não tem que ficar fazendo o tipo "ninguém me ama, ninguém me quer". Tem o poder para entrar e sair de qualquer lugar, de exigir quaisquer informações, de convocar secretários e até  prefeito. No exercício soberano do seu mandato um vereador tem autonomia e goza de imunidade parlamentar. Então, ao invés de ficarem reclamando, de ficarem tristes ou chorando, basta usar as ferramentas certas que o poder dispõe. Agora para isso tem que ter independência. Vereador que troca cargos por apoio, que vota em projetos por conveniência, que faz barganha política com o poder não poderá fazer outra coisa a não ser reclamar. 

Vereadora Luzinete quebra o decoro parlamentar


Já nos momentos finais da sessão a vereadora Irmã Luzinete deixou a Câmara ainda mais nua. Tudo começou quando o Presidente da casa Josineto discursava no grande expediente. Fazia fortes críticas a Secretaria de Saúde quando o vereador Charles pediu um aparte e falou: "Presidente, então assine o pedido da CPI que está prontinho e só falta uma assinatura para apurarmos tudo isso". A vereadora Luzinete de imediato disse que também assinaria. Na hora os vereadores Charles e Eliene viram uma chance de desenterrar a CPI que já contava com quatro assinaturas: a do Charles, Eliene, Pavão e Arenes. Mandaram buscar o documento e de pronto foi assinado pela vereadora Luzinete. Pronto! A CPI da saúde até que enfim seria instalada. Não se sabe por qual motivo mas a vereadora arrependeu da assinatura. Bastaria entrar com requerimento e pedir para retirar, isso em condições normais. O que fez a vereadora? No meio de uma votação, rasgou o documento causando um transtorno a todos. O Presidente teve que interromper a votação e pedir que a vereadora se acalmasse.

Com essa atitude, além de quebrar o decoro parlamentar a vereadora Luzinete pode ter enterrado de vez a CPI da saúde. Comenta-se que o vereador Pavão não assinaria novamente por já ter se alinhado na base do Valmir. Mas o pior não foi isso. Pior mesmo foi a atitude dos nobres vereadores que não falaram nada sobre o episódio. No momento das explicações finais onde cada um tem cinco minutos para se manifestar, ninguém protestou, ninguém reclamou, ninguém se indignou. Os poucos que restaram na plenária ficaram estarrecidos, pois imaginaram que todos os vereadores iriam reagir a essa violência e até pediriam abertura de processo por quebra de decoro.

Com essa atitude da Luzinete e com o silêncio dos vereadores a Câmara ficou ainda mais nua. Agora todo vereador pode fazer o que quiser. Pode ficar pelado na sessão, pode enfiar o dedo na cara do outro, pode xingar a mãe do colega, pode até subir na mesa e dançar o "reboleicho" que não correrá o risco de quebrar o decoro parlamentar. 

Quero acreditar que os nobres edis não fizeram nada devido ao adiantado das horas, mas na próxima sessão vão tomar as medidas legais para não deixar o Poder Legislativo se desmoralizar de vez. Sou brasileiro e continuo acreditando nos nossos representantes.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

DELEGADO DA POLÍCIA FEDERAL FALA SOBRE AÇÃO NA PREFEITURA

O Delegado da Polícia Federal falou agora há pouco em entrevista coletiva sobre a operação de busca e apreensão de documentos realizada na prefeitura de Parauapebas. Disse se tratar da denúncia feita pela OAB em 2013 sobre fraudes no transporte escolar de Parauapebas no primeiro quadrimestre daquele ano. Segundo o delegado, uma grande quantidade de documentos foi apreendida e outras diligências ainda serão realizadas. A partir daí, serão ouvidos alguns envolvidos para se chegar a uma conclusão sobre as denúncias. Além da Secretaria de Educação, também está envolvida na investigação a Comissão Permanente de Licitação.

O delegado falou de maneira bem formal e não deu muitos detalhes sobre a operação. Certamente tem muito mais coisa além do que foi revelado. Porém, para não atrapalhar as investigações, certamente não poderá dar todos os detalhes da operação. Mas que tem muita lama nesse pântano (Palácio Cinzento) isso tem.

Vereadores envolvidos


Um correspondente do Blog na Câmara dos vereadores falou que tem três vereadores angustiados, pois estão com seus nomes envolvidos nesse processo. É comum vereador aqui de Parauapebas alugar veículos e máquinas em contratos com a prefeitura. Isso faz parte do acordo que mantêm com o prefeito. Funciona mais ou menos assim: uma empresa "ganha" um contrato e se compromete a terceirizar parte dos equipamentos que é repassado aos aliados. Apesar de ser uma ilegalidade e uma imoralidade, aqui acontece de forma tão rotineira que tem vereador que nem toma mais os devidos cuidados, facilitando assim as provas.

Hoje na sessão na Câmara é bem capaz que faltará algum vereador, pois consta que um passou mal ao ficar sabendo da operação da federal.

POLÍCIA FEDERAL TOMA A PREFEITURA DE PARAUAPEBAS


Hoje, 02 de setembro aconteceu algo inédito na história de Parauapebas. A Polícia Federal chegou logo no primeiro expediente na prefeitura de Parauapebas, subiu até o segundo andar e invadiu a Secretaria da Fazenda. Ordenou que todos os funcionários deixassem o prédio e iniciou uma devassa.  
Tivemos informações que desde o início desse ano a PF já vem investigando vários secretários, servidores e o próprio prefeito Valmir Mariano. Telefones teriam sido grampeados com autorização da justiça e estavam só aguardando o momento de dar o bote. Trata-se de denúncias graves de desvios de uma verdadeira fortuna dos cofres públicos através de licitações forjadas e contratos com empresas laranjas. Caso as denúncias se confirmem ou caso os especialistas do prefeito não cuidaram de desmontar todas as provas, essa operação poderá fazer ruir o palácio do Morro dos Ventos e não ficará pedra sobre pedra. Um funcionário da SEFAZ me confidenciou que nada será encontrado, pois recentemente técnicos do Tribunal de Contas estiveram na prefeitura e por "uns trocados" limparam tudo e maquiaram para que as irregularidades virassem perfeitas peças legais. É só aguardar para ver até onde vai o poder econômico do grupo Valmir da Integral.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

UM CIDADÃO CHAMADO ZÉ

Geração Anos oitenta


Nessa sexta, 29 de agosto tive o privilégio de assistir ao show do Zé Geraldo que nos deu a honra de sua presença no CDC num evento promovido pela Secretaria de Cultura. Quem esteve lá aproveitou o que há de melhor da música popular brasileira e relembrou de uma época de ouro, época essa que só nossa geração teve a oportunidade de viver.

Zé Geraldo completará 70 anos em dezembro mas continua com sua voz vibrante e seu tom afinado como na década de oitenta, quando passou a ser conhecido nacionalmente. No palco, apesar dos seus longos cabelos brancos, parece um garoto. Impossível não se empolgar e não contagiar com as canções de Zé Geraldo. O seleto público presente cantou junto com o artista do começo ao fim do show demonstrando que o que é bom não passa nunca e sempre permanecerá na memória.

O seu maior sucesso "Cidadão" marcou a geração rebelde que protestava, que botava para quebrar, que ia para a rua, que não aceitava as verdades inquestionáveis enlatadas que tentavam nos empurrar. Quem não se lembra desse refrão? "Meu domingo está perdido, vou pra casa entristecido, dá vontade de beber. E pra aumentar o meu tédio, eu não posso olhar pro prédio que eu ajudei a fazer". Essa música gravada pela primeira vez por Zé Geraldo se tornou hino obrigatório em todos os encontros de jovens, nas reuniões de grêmios estudantis, nas passeatas e manifestações contra o sistema. Junto com outra canção de um outro Geraldo -Geraldo Vandré-, "Pra não dizer que não falei das flores" minha geração construiu um estilo revolucionário musical (ou um estilo musical revolucionário?) que deu um toque de suavidade e romance às nossas inquietações. 

Entre uma canção e outra fiquei "matutando" sobre a minha geração e inevitavelmente vem a comparação com a geração atual. Basta comparar o gosto musical que você verá estampado na cara toda a diferença. Não éramos acomodados, não éramos alienados e não ficávamos só reclamando. Íamos à luta com coragem, mas sem perder a ternura como orientava nosso ícone Che Guevara. Gostávamos de discutir política, mas sem ofender os que tinham idéias contrárias. Discutíamos e debatíamos idéias com argumentos acadêmicos e no final confraternizávamos todos juntos, geralmente num boteco barato (dinheiro era artigo de luxo). Não tinha essa de achar que o outro era babaca só porque não era do nosso partido e nem pensava como nós. No máximo, a gente chamava o sujeito de alienado, com todo respeito.

Minha geração anos "80" gostava de ouvir uma boa música (e gosta até hoje). Boa música era aquela que tinha letra, que tinha conteúdo e uma boa melodia. Muito diferente dessa zoeira barulhenta e sem conteúdo que as grandes gravadoras nos empurram hoje. Nessa época se alguém fosse apanhado ouvindo um tal de "lepo-lepo", um certo "reboleixo", com certeza seria internado num hospício ou seria isolado da tribo. Minha geração gostava de se reunir com a galera e bater papo, olho-no-olho. Imagine se alguém ia ficar em local público com os olhos grudados numa telinha de celular ou usando rede social para ofender as pessoas! Aí você pode falar: "ah, mas naquele tempo isso não existia!" Mais hoje existe e estamos aqui usando essa tecnologia de forma inteligente e não sendo escravos dela.

Zé Geraldo embalou nosso espírito de rebeldia, nosso senso de responsabilidade e nossa consciência de cidadania. Com letras inteligentes nos impulsionava e nos fazia acreditar em nosso potencial. "...Toda força bruta representa nada mais do que um sintoma de fraqueza. O importante é você crer nessa força incrível que existe dentro de você. Meu amigo, meu compadre meu irmão, escreva sua história pelas suas próprias mãos" (Como diria Dylan). Zé também embalava nosso romantismo e nossa pureza: "Aqui é pequeno mas dá pra nos dois, e se for preciso a gente aumenta depois. Tenho um violão que é pras noites de lua, tenho uma varanda que é minha e que é sua. Vem morar comigo..." (Nega senhorita). Sacou? Isso é viver de forma pura, desapegada e intensamente. Melhor do que facebook não é mesmo?


sábado, 30 de agosto de 2014

Jânio, Collor e o fenômeno Marina




Do blog: http://pigimprensagolpista.blogspot.com.br/
Por Ricardo Kostcho, no blogBalaio do Kotscho:



Advertência necessária: quero deixar bem claro, antes de começar a escrever este texto, no qual venho pensando desde que Marina Silva explodiu como candidata favorita a presidente da República, após a tragédia aérea que matou Eduardo Campos, para que ninguém entenda errado o título: não se trata de uma comparação entre pessoas e suas trajetórias de vida, mas entre fenômenos políticos.

Nos últimos dias, apareceram muitos comentários na mídia comparando Marina a Lula, ambos com origens bem humildes e histórias de vida comoventes, que acabaram construindo seus próprios caminhos, os dois fundadores do PT e vitoriosos em suas caminhadas. Por diferentes caminhos, eles agora se encontram frente a frente em mais uma disputa pela Presidência da República do Brasil, e há quem chame Marina de "Lula de saias", a mulher que desafia Dilma Rousseff, candidata de Lula.

A única vantagem de ficar velho, trabalhando no mesmo ofício, é ser testemunha de tantas histórias acontecidas ao longo deste enredo político dos últimos 50 anos. Conheci e convivi com os quatro personagens citados no título deste artigo e tenho condições de escrever sobre as coincidências e as diferenças entre eles.

Chamar Marina de "Lula de saias" é um grande equívoco. O professor mato-grossense Jânio Quadros, o playboy alagoano Fernando Collor, o metalúrgico pernambucano Lula, criado no ABC paulista, e a ambientalista acreana Marina da Silva chegaram onde chegaram por caminhos muito diferentes.

Embora os quatro sejam um retrato da diversidade social brasileira, com algumas semelhanças no surgimento do fenômeno político, há enormes abismos entre as motivações e os apoiadores das suas candidaturas. Jânio, Collor e Marina têm um ponto em comum: lançaram-se candidatos com discursos contra a "velha política", à margem dos grandes partidos, prometendo nas campanhas criar um "novo Brasil" e uma "nova política", baseados unicamente em suas vontades e carismas, como se isso fosse possível. Pelos exemplos do passado, sabemos que isso não dá muito certo.

Os três lançaram candidaturas mais simbólicas do que reais: Jânio era o "homem da vassoura" e Collor o "caçador de marajás", ambos tendo como bandeira o combate à corrupção, a bordo do velho mantra udenista, moralista e hipócrita. Na mesma linha, Marina também aparece como a candidata "contra tudo isto que está aí", a bordo das manifestações de protesto de junho de 2013, candidata provisoriamente abrigada no PSB, partido do falecido Eduardo Campos que, até meados do ano passado, estava na base aliada do governo petista.

Ao contrário destes três fenômenos eleitorais anteriores, bancados todos pela grana gorda do empresariado paulista, sempre em busca de um candidato viável que atenda aos seus interesses, Lula só foi eleito presidente da República em 2002, depois de três campanhas presidenciais fracassadas, e da longa construção de um amplo apoio na sociedade civil, que começou pelos sindicatos, passou pelos meios acadêmicos e culturais, e conquistou a juventude, combatendo justamente estes grandes barões paulistas aboletados na Fiesp e na Febraban, que financiaram Jânio, Collor e, agora, Marina, para evitar que seus inimigos de classe chegassem ao poder central.

Não tenhamos ilusões neste momento: é exatamente isto que está em jogo, não as personalidades de Marina e Dilma, os seus defeitos e virtudes pessoais, que são subjetivos. O mais importante é saber quem está de que lado, quais os interesses de classe que estão em disputa, quem apoia quem e por qual motivo.

Eu nunca escondi de que lado estou: diante deste quadro, apoio Dilma Rousseff, com certeza.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

7 motivos pelos quais Marina Silva não representa a “nova política”

por Lino Bocchini 

Se a sua intenção este ano é votar em uma "nova forma de fazer política", leia este texto antes de encarar a urna eletrônica
Léo Cabral/ MSILVA Online
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Neca Setúbal, herdeira do Itaú e coordenadora do programa de governo de Marina Silva, a candidata e seu vice, Beto Albuquerque.

É comum eleitores justificarem o voto em Marina Silva para presidente nas Eleições 2014 afirmando que ela representaria uma “nova forma de fazer política”. Abaixo, sete razões pelas quais essa afirmação não faz sentido:

1. Marina Silva virou candidata fazendo uma aliança de ocasião. Marina abandonou o PT para ser candidata a presidente pelo PV. Desentendeu-se também com o novo partido e saiu para fundar a Rede -- e ser novamente candidata a presidente. Não conseguiu apoio suficiente e, no último dia do prazo legal, com a ameaça de ficar de fora da eleição, filiou-se ao PSB. Os dois lados assumem que a aliança é puramente eleitoral e será desfeita assim que a Rede for criada. Ou seja: sua candidatura nasce de uma necessidade clara (ser candidata), sem base alguma em propostas ou ideologia. Velha política em estado puro.

2. A chapa de Marina Silva está coligada com o que de mais atrasado existe na política. Em São Paulo, o PSB apoia a reeleição de Geraldo Alckmin, e é inclusive o partido de seu candidato a vice, Márcio França. No Paraná, apoia o também tucano Beto Richa, famoso por censurar blogs e pesquisas. A estratégia de “preservá-la” de tais palanques nada mais é do que isso, uma estratégia. Seu vice, seu partido, seus apoiadores próximos, seus financiadores e sua equipe estão a serviço de tais candidatos. Seu vice, Beto Albuquerque, aliás, é historicamente ligado ao agronegócio. Tudo normal, necessário até. Mas não é “nova política”.
3. As escolhas econômicas de Marina Silva são ainda mais conservadoras que as de Aécio Neves. A campanha de Marina é a que defende de forma mais contundente a independência do Banco Central. Na prática, isso significa deixar na mão do mercado a função de regular a si próprio. Nesse modelo, a política econômica fica nas mãos dos banqueiros, e não com o governo eleito pela população. Nem Aécio Neves é tão contundente em seu neoliberalismo. Os mentores de sua política econômica (futuros ministros?) são dois nomes ligados a Fernando Henrique: Eduardo Giannetti da Fonseca e André Lara Rezende, ex-presidente do BNDES e um dos líderes da política de privatizações de FHC. Algum problema? Para quem gosta, nenhum. Não é, contudo, “uma nova forma de se fazer política”.
4. O plano de governo de Marina Silva é feito por megaempresários bilionários. Sua coordenadora de programa de governo e principal arrecadadora de fundos é Maria Alice Setúbal, filha de Olavo Setúbal e acionista do Itaú. Outro parceiro antigo é Guilherme Leal. O sócio da Natura foi seu candidato a vice e um grande doador financeiro individual em 2010. A proximidade ainda mais explícita no debate da Band desta terça-feira. Para defendê-los, Marina chegou a comparar Neca, herdeira do maior banco do Brasil, com um lucro líquido de mais de R$ 9,3 bilhões no primeiro semestre, ao líder seringueiro Chico Mendes, que morreu pobre, assassinado com tiros de escopeta nos fundos de sua casa em Xapuri (AC) em dezembro de 1988. Devemos ter ojeriza dos muito ricos? Claro que não. Deixar o programa de governo a cargo de bilionários, contudo, não é exatamente algo inovador.
5. Marina Silva tem posições conservadoras em relação a gays, drogas e aborto. O discurso ensaiado vem se sofisticando, mas é grande a coleção de vídeos e entrevistas da ex-senadora nas quais ela se alinha aos mais fundamentalistas dogmas evangélicos. Devota da Assembleia de Deus, Marina já colocou-se diversas vezes contra o casamento gay, contra o aborto mesmo nos casos definidos por lei, contra a pesquisa com células-tronco e contra qualquer flexibilização na legislação das drogas. Nesses temas, a sua posição é a mais conservadora dentre os três principais postulantes à Presidência.
6. Marina Silva usa o marketing político convencional. Como qualquer candidato convencional, Marina tem uma estrutura robusta e profissionalizada de marketing. É defendida por uma assessoria de imprensa forte, age guiada por pesquisas qualitativas, ouve marqueteiros, publicitários e consultores de imagem. A grande diferença é que Marina usa sua equipe de marketing justamente para passar a imagem de não ter uma equipe de marketing.
7. Marina Silva mente ao negar a política. A cada vez que nega qualquer um dos pontos descritos acima, a candidata falta com a verdade. Ou, de forma mais clara: ela mente. E faz isso diariamente, como boa parte dos políticos dos quais diz ser diferente.
Há algum mal no uso de elementos da política tradicional? Nenhum. Dentro do atual sistema político, é assim que as coisas funcionam. E é bom para a democracia que pessoas com ideias diferentes conversem e cheguem a acordos sobre determinados pontos. Isso só vai mudar com uma reforma política para valer, algo que ainda não se sabe quando, como e se de fato será feita no Brasil.
Aécio tem objetivos claros. Quer resgatar as bandeiras históricas do PSDB, fala em enxugamento do Estado, moralização da máquina pública, melhora da economia e o fim do que considera um assistencialismo com a população mais pobre. Dilma também faz política calcada em propósitos claros: manter e aprofundar o conjunto de medidas do governo petista que estão reduzindo a desigualdade social no País.
Se você, entretanto, não gosta da plataforma de Dilma ou da de Aécio e quer fortalecer “uma nova forma de fazer política”, esqueça Marina e ouça Luciana Genro (PSOL) e Eduardo Jorge (PV) com mais atenção.
De Marina Silva, espere tudo menos a tal “nova forma de fazer política”. Até agora a sua principal e quase que única proposta é negar o que faz diariamente: política.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O VAZIO E O NADA

Sessão de 26 de agosto - Parte II


Como prometi ontem, farei um pequeno resumo do que rolou na primeira parte da sessão dessa terça. Como sempre, esse teatro está ficando cada vez mais sem graça, mas como sou brasileiro e não desisto nunca continuarei firme na torcida por dias melhores para nossos edis. Por princípio confio nos bons propósitos dos homens e sei que nossos bravos guerreiros ainda darão uma guinada para não ficarem na história como a pior legislatura.

Mais uma vez os feirantes que estão sob ameaça de despejo pelo prefeito compareceram a Câmara portando cartazes e pediram apoio dos vereadores. Todos que discursaram no grande expediente manifestaram apoio, mas ninguém se comprometeu, ninguém fez uma proposta concreta para garantir os direitos daquelas famílias. Ficou o vazio. 

Outro grupo que marcou presença foi o time PFC com sua nova comissão técnica. Pelo jeito as coisas não andam nada bem  para os nossos atletas. Reclamam da falta de apoio do prefeito e do Secretário de Esportes. Nem local para treinar nosso time tem e por enquanto só contam com a sorte e boa vontade dos atletas.

A vergonha do Jatene


O vereador Miquinha como sempre usou a tribuna de forma irreverente. Cobrou providências quanto a reforma do estádio Rozenão. Disse que a Câmara aprovou uma emenda para cobrir a arquibancada e instalar o placar eletrônico. Mesmo o recurso estando disponível no orçamento até agora nada fizeram. 

Criticou a vinda do Jatene simplesmente para participar da cavalgada do SIPRODUZ. "Esse governador deveria tomar vergonha na cara e trazer obras para essa cidade e não vir andar a cavalo", setenciou o vereador.

Cavalgada é só carro, moto e cachaça


O vereador Charles fez uma grave denúncia na tribuna, mas passou despercebido. Em outra realidade essa denúncia causaria um terremoto na política de Parauapebas, mas aqui virou coisa banal. Falou que tem Secretário do governo Valmir alugando carros ilegalmente e dando o "cano" nos comerciantes. A qualquer momento, segundo o vereador essa bomba vai estourar, pois tem muitos comerciantes revoltados com essa situação.

Charles também cobrou providências contra os abusos da CELPA e dos bancos. Disse que o cidadão não tem a quem recorrer, pois o PROCOM daqui é um órgão invisível. Pelo jeito essas instituições já perceberam que aqui não tem autoridades e podem fazer o que bem entender. Criticou duramente a organização da cavalgada. Esse evento, segundo ele, já perdeu o sentido. "É só carro, moto e cachaça". Finalizando, voltou a criticar o Chefe de Gabinete do Prefeito que classificou de "arrogante e incompetente".  Criticou também a situação de abandono do hospital municipal. Disse que se a Vigilância Sanitária fizesse uma inspeção por lá e agisse como age com as empresas de Parauapebas, o hospital seria interditado. Será?

As valas do Gesmar


Mais uma vez o responsável pelo SAAEP e candidato Gesmar apanhou na sessão. Dessa vez o algoz foi o presidente da Câmara Josineto Feitosa. Reclamou que seu bairro -Bela Vista- e Caetanópolis estão em situação lastimável devido as valas que o SAAEP  fez para enterrar os canos. "Cavaram todas as ruas para colocar água, deixaram uma buraqueira só e abandonaram. Deixaram as valas e esqueceram da água, uma tremenda irresponsabilidade", desabafou Josineto. Disse que procurou o SAAEP e esse jogou a culpa para a SEMOB que, por sua vez disse que não tinha nada a ver com isso e assim ficam no empurra-empurra e ninguém resolve nada. Enquanto isso a população é castigada pois nem os vanzeiros querem andar por lá, finalizou o vereador.

Josineto também criticou duramente o Secretário de Administração Wadyr. Segundo ele, o secretário nunca lhe atende. "Não atende nem vereador, imagina o povo!"

É meus amigos, parece que os vereadores da base do prefeito continuam não se entendendo. Um vereador que veio na plenária durante a sessão trocar um "dedo de prosa" comigo falou a seguinte frase: "se o prefeito não gosta nem dos filhos, vai gostar de nós?" Como dizia Raul Seixas, "a coisa tá feia". 


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

SESSÃO DO DIA 26 DE AGOSTO

Valmir da Integral e seus soldadinhos de papel


Hoje vou inverter a ordem das coisas. Vou começar de trás pra frente. Começarei pelo momento final da sessão, pois é onde os vereadores mostram suas verdadeiras personalidades. É o momento onde não tem mais público, pois até os assessores já foram embora por não aguentarem tanto lenga-lenga e discursos vazios. Geralmente no início da sessão tem um certo público. Aí os vereadores apresentam seus requerimentos, fazem discursos calorosos para a platéia, declaram apoio a algum movimento social que aparece por lá, fazem protestos, etc. Após o grande expediente (onde os vereadores discursam na tribuna), já com a casa vazia, todos tiram suas máscaras, deixam de representar e demonstram seus verdadeiros perfis nas discussões e aprovações de projetos e leis. Vou até fazer uma campanha para que o povo vá para a sessão após as 18 horas.

Mas o que aconteceu ontem de tão importante para levar esse Blogger a inverter a ordem? Lembram do texto nesse Blog onde relatei a sessão de 24 de junho? Lembram do título "Sansão X Dalila"? Para quem não se lembra ou não leu,  veja aqui. Resumindo: o Valmir tentou dar um golpe na Câmara. Enviou um projeto de lei que previa que a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentária) poderia ser suplementada sem a necessidade de aprovação da Câmara. Poderia ser também remanejada sem necessidade de pitaco de vereador. Um grande golpe que, se fosse aprovado colocaria toda a Câmara como meros soldadinhos de papel. Houve até um embate na época entre Odilom e Euzébio. Odilom, no auge de sua experiência, vendo que ia ser derrotado,  voltou atrás e recomendou o veto ao projeto. Pura estratégia política. 

Sabe aquela história do pai malvado que bate no filho? Manda o filho baixar as calças para apanhar de cinto na bunda. O filho se rebela e se recusa a baixar as calças. Então o pai fala: "não quer baixar as calças então vai apanhar na cara mesmo". Foi mais ou menos isso que aconteceu na sessão de ontem. O Valmir pegou o veto dos vereadores, deu uma maquiada, mudou algumas palavras no texto original, passou vaselina e empurrou nos vereadores. Mandou seu Procurador se reunir com todos os vereadores antes da sessão -o que causou um atraso de cinquenta minutos- e coagir a todos a votar no tal projeto. 

Mas o pior foi como o projeto foi aprovado. O próprio Euzébio que foi o relator e propôs o veto em 24 de junho, teve que engolir o novo texto maquiado. Teve a missão de fazer um novo relatório dizendo que estava tudo certo. Passou trinta e oito minutos numa enfadonha leitura do texto que deu até dor de barriga nos colegas. 

Miquinha se rebela mas vota a favor


Quando o Presidente da Câmara abriu para discussão, Miquinha se pronunciou e disse: "Essa casa tem que se impor... A cada dia essa Câmara se encolhe mais, a cada projeto que chega aqui enviado pelo prefeito tira o poder do vereador. Fico muito triste com essa situação, mas os companheiros decidiram..." Cheguei até a pensar que o Miquinha ia se rebelar, que ia ser uma voz coerente e votar contra o projeto.

Após o pronunciamento do Miquinha, o vereador Odilom se pronunciou e disse que não queria mais discutir o veto porque já havia um entendimento. É meus amigos, pelo jeito o entendimento foi grande, pois todos obedeceram ao Odilom e ninguém se inscreveu mais para discutir. Sem discussão o presidente passou a votação nominal e todos votaram a favor, inclusive o Miquinha que mesmo "triste" votou a favor no projeto que tira o poder dos vereadores. Alguns até jogaram a responsabilidade para cima do relator Euzébio. Enquanto isso o Odilom sorria satisfeito ao ver sua brilhante manobra sendo bem sucedida.

Parabéns ao prefeito Valmir que mais uma vez mostrou que vereador tem que comer em sua mão e obedecer sem reclamar. Parabéns ao líder do governo que recuou na hora de vetar o projeto do prefeito para depois fazer os mesmos vereadores votarem num "novo" texto com o mesmo teor. 

Quatro vereadores estavam ausentes: Devanir, Arenes, Eliene e Luzinete.

Para não ficar cansativo, amanhã escreverei sobre o que aconteceu na primeira parte da sessão.


terça-feira, 26 de agosto de 2014

O avião e a "canonização" de Campos


Por Bepe Damasco, em seu blog:

Nunca um funeral no Brasil foi tão sordidamente utilizado pela velha mídia para fazer política. Os corpos do ex-governador Eduardo Campos e de seus companheiros de infortúnio nem haviam sido encontrados, mas a Rede Globo dedicava horas de sua programação para promover a "santificação" do recém-falecido. Horas depois da tragédia a Folha de São Paulo despachou seus pesquisadores para as ruas, com o nítido objetivo de emplacar Marina Silva o quanto antes.

Mas a falta de respeito às vítimas do acidente estava só começando. As cerimônias fúnebres descambaram para um deplorável ato político, com direito a foguetório de 17 minutos, farta distribuição de bandeiras do PSB, vaias à presidenta Dilma e gritos de guerra em favor de Marina.

Tudo isso com cobertura ao vivo da Globo. Estava em curso uma operação política para transformar em "mártir da luta pela transformação do país" um político tradicional, com qualidades e defeitos como qualquer ser humano feito de carne e osso. Calhordice pura, para fazer de Marina a herdeira da comoção nacional.

Contudo, manipulações grosseiras são sempre vulneráveis à força da realidade. Não demorou para vir à tona o imbróglio do avião utilizado por Campos em sua campanha, e que caiu em Santos matando sete pessoas e deixando um rastro de destruição ao redor do local da queda.

Para início de conversa, por incrível que pareça, a aeronave não tinha seguro. Isso, provavelmente, deixará ao Deus dará, sem receber indenização, tanto os familiares dos mortos como os moradores que tiveram suas casas destruídas. Só o dono de uma academia de ginástica reclama um prejuízo de R$ 1,5 milhões.

Mas a confusão envolvendo o avião vai longe. Pertencente a uma empresa quebrada de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, foi arrendada por três empresários pernambucanos, os quais assumiram o pagamento das parcelas do leasing. Só que essa operação é ilegal, pois a empresa de Ribeirão Preto, um tal Grupo Andrade, encontra-se em processo de recuperação judicial. Nestes casos, quaisquer transações só podem ser feitas com autorização da Justiça, o que não ocorreu.

A legislação eleitoral estabelece que candidatos a cargos eletivos só podem voar em aviões registrados como táxi aéreo.A aeronave de Campos não tinha esse tipo de registro. Também é obrigatória a inclusão do valor relativo às horas de voo na prestação de contas dos candidatos. Igualmente essa providência não foi tomada pelo PSB. Como se sabe, Marina utilizou o mesmo avião incontáveis vezes em deslocamentos pelo país junto com Campos. Já imaginou se o passageiro de um avião nessas condições fosse um petista de expressão ? Com a palavra, a justiça eleitoral.

Esse episódio contribui para jogar luz sobre o legado do ex-governador de Pernambuco. Levantando-se o véu da "canonização", encontramos um político que fez um governo de grandes realizações, contando com muitas verbas federais, em Pernambuco, mas, picado pela mosca azul, aderiu à oposição neoliberal; um político que tinha tudo para aguardar sua vez, em 2018, como candidato da base aliada, mas optou pelo caminho do oportunismo oposicionista de ocasião; um político que aderiu aos ataques moralistas contra o governo, como no caso da CPI da Petrobras, mas foi protagonista do "escândalo" dos precatórios, quando era secretário de Fazenda do governo do seu avô, em Pernambuco, nos anos 90; um político que posava como o "novo", mas adotava a velha prática de nomear parentes.

Na minha visão, se solidarizar com a dor da família de Campos e de seus amigos é se indignar com o uso político do luto para consumo eleitoral, é denunciar o cinismo e a mistificação dos veículos de comunicação na megacobertura da tragédia.

Por outro lado, esse comportamento abjeto da imprensa brasileira está longe de surpreender. Ao contrário, é muito coerente para quem tem no currículo a campanha que levou Vargas ao suicídio; a tentativa de impedir a posse de Jango e o apoio ao golpe de 1964, dentre tantas outras páginas vergonhosas da nossa história.

Obs : Um dia depois que postei este artigo surge a informação de que a Polícia Federal vai investigar o suposto uso de recursos de caixa dois, por parte do PSB, para comprar o avião.