Pesquisar este blog

quarta-feira, 22 de março de 2017

CARNE FRACA X MENTE CRUA (PARTE II)

Um estado policialesco amador

Há algo muito podre no ar e não é a carne.

Em qualquer país que haja respeito com a sua economia, uma investigação como essa da "Carne Fraca" seria feita de forma discreta e os órgãos puniriam os responsáveis exemplarmente, mas preservariam as empresas. Aqui no Brasil, uma confusão de atribuições, uma briga de egos de policiais federais, de membros  do Ministério Público e alguns juízes, estão levando o país a um processo de antropofagismo. A Polícia Federal que deveria proteger nossas instituições e o povo brasileiro, age com precipitação e ao que parece, busca os holofotes e se envolve em disputa de poder político. Já que ela (PF) estava tão preocupada com a saúde do povo brasileiro, então por que esperou por dois anos para dar o alarme? No mínimo, deveria ter alertado o Ministério da Agricultura sobre os problemas. Uma investigação séria e isenta nessa área agiria pontualmente nos problemas indicados de forma rápida e tomaria as providências sem fazer alarde. Se a PF sabia das fraudes nos frigoríficos, por que deixou o povo comendo carne podre por dois anos?

Essa união nefasta entre uma imprensa irresponsável e sensacionalista com um comando policial cheio de vaidades e vícios gerou um prejuízo incalculável para o país que poderá custar milhares de empregos. E de nada adiantará as forças tarefas e as tentativas do governo de corrigir o mal feito. A confiança desse mercado que levou 20 anos para ser consolidada, ficou ferida seriamente.

Qual o limite da independência da PF e do Ministério Público?


O governo Lula foi o grande responsável por esse modelo de independência das instituições como a Polícia Federal e do Ministério Público. Antes, a Polícia Federal não tinha nenhuma autonomia e não fazia nada sem as ordens do Ministro da Justiça. Não se via ações de combate a crimes de corrupção, além de ser totalmente desestruturada. Agora, tem total liberdade, condições de trabalho e não está sabendo como usar. Por um lado, essa autonomia é positiva, mas por outro, é muito perigosa. Estão usando e abusando ao sabor dos seus caprichos e privilegiando seus próprios umbigos para posarem de heróis tupiniquins e está ficando fora de controle. 

Quando um juiz passa a usar os rigores da lei sob sua própria interpretação e atola o cabelo de gel para aparecer na mídia e se comporta como um garoto propaganda nas redes sociais, e isso o torna um pop star, esse exemplo passa a ser almejado e copiado por outros agentes da justiça. Delegados que convocam a imprensa para dar detalhes de uma operação e vaza dados estratégicos, promotores que se pavoneiam diante de câmeras apresentando slides com nível de estudante secundário dizendo que não tem provas mas tem convicção para imputar culpa, tornam-se elementos perigosos para a segurança nacional. Estamos vivendo um estado policialesco onde o poder judiciário e o poder de polícia estão suplantando os demais poderes. Esse comportamento não é natural de um país democrático e se adéqua mais a pequenas ditaduras isoladas.

A grande mídia, por sua vez, está rindo à toa, pois as empresas atacadas triplicaram seus investimentos em propagandas para tentar conter a sangria. E para os Marinhos e companhia, dinheiro é o que interessa. O resto é bobagem.

As grandes empresas do Brasil estão sendo destruídas e desmoralizadas, e, coincidentemente, esses ataques partem direto da chamada "República de Curitiba". Há algo muito podre no ar e não é a carne.

terça-feira, 21 de março de 2017

CARNE FRACA X MENTE CRUA

A "Operação Carne Fraca" desencadeada pela Polícia Federal da república de Curitiba - mais uma vez Curitiba - veio à tona nessa sexta-feira (17), e foi mais um exemplo de como o povo brasileiro é completamente dominado pela mídia que representa o poder. As redes sociais foram inundadas por piadas sobre o tema e, muito pouco se tratou das consequências dessa operação. Fazer piadas dos problemas pode ser uma coisa boa, faz parte do espírito brincalhão do brasileiro. Porém, quando os assuntos sérios permanecem apenas nas piadas, aí já fica grave. Podemos estar mascarando um sério problema que o governo Temer mais uma vez está jogando para debaixo do tapete.

Consequências da "Operação Carne Fraca"


Nesse momento, podemos estar vibrando pela operação. Apressadamente, já tem gente endeusando o Maurício Moscardi (delegado da PF que coordenou a operação). Muitos estão achando o máximo o fato de frigoríficos terem sido fechados e outros até estão jurando que nunca mais comerão uma linguiça Sadia ou uma picanha Friboi. Uma certa cultura de pobreza intelectual faz a pessoa vibrar a cada vez que uma grande empresa ou um grande empresário se ferra. Somos levados a fazer julgamentos apressados sem ao menos passar pelo filtro crítico ou pensar nas consequências.

Essa operação, demonstra um fato preocupante: o Brasil está retornando a passos largos aquela velha época nas décadas de 80 e 90, onde éramos motivo de piadas no exterior. Um país de terceiro mundo com uma indústria tacanha, sem credibilidade e comandado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional). Éramos  apenas a "República das Bananas" e o nosso único produto de exportação eram as mulatas bundudas do Sargentelli. A nova geração não faz a menos ideia do que seja isso. Só para lembrar aos mais jovens, éramos um país produtor de miséria e os jornais da época destacavam que mais de 50 milhões de brasileiros viviam abaixo da linha da pobreza.

Hoje, temos uma indústria forte, moderna e competitiva que está se destacando nos grandes mercados internacionais. Depois da implantação de uma política de incentivo a indústria nacional incrementada no governo Lula, nossas indústrias cresceram consideravelmente e passaram a dominar mercados e chamar a atenção das grandes potências. É claro, que as consequências disso são mais empregos, mais qualidade de vida, mais desenvolvimento, melhoria na qualidade de vida dos brasileiros e divisas para o país. Só para se ter uma ideia, quando uma granja de porte médio se instala numa região e cria 200 empregos diretos, um vasto número de empregos indiretos são criados em toda a região. Produtores de grãos, ração, aves, produtos agropecuários, produtos de limpeza... formam uma grande rede em torno desse empreendimento.

E a quem interessa a quebra dessa indústria? Respondo sem rodeios. Interessa aos investidores internacionais que estão de olho no potencial de nossas indústrias, de nossa tecnologia, da nossa capacidade de produzir a preços mais competitivos para o mercado internacional. Se você observar, cada indústria nacional que se quebra, há um imediato abocanhamento das empresas internacionais. E os apressados logo irão repetir o jargão dos governantes: isso representa dólares para o Brasil. A realidade tem mostrado que não é bem assim.

Essa Operação Carne Fraca sangrou um importante setor de nossa economia. Nossa carne representa hoje 7,2% das exportações do país e em 2016 rendeu 12 bilhões de dólares para o Brasil. Exportamos para mais de 160 países e já éramos considerados gigantes num mercado altamente competitivo e exigente.  E aí, algum leitor apressado deve estar perguntando: ué Luiz Vieira, você está defendendo esses picaretas que vendem carne podre? Não. Não é nada disso. Mas, o que essa operação desastrosa fez, foi ferir de morte nossa indústria de carne, e dificilmente conseguiremos voltar ao patamar anterior nos próximos cinco anos, apesar do governo estar tentando minimizar esse prejuízo. Para explicar mais didaticamente vou dar o seguinte exemplo: vamos supor que o médico descobriu que você está com um furúnculo na bunda. Ao invés de aplicar um antibiótico para matar o furúnculo, ele lhe receita uma quimioterapia que vai destruir boa parte do seu organismo e deixar você debilitado e sem defesa. Entendeu? Pois a Operação Carne Fraca foi tal e qual. Num universo de quase 5 mil frigoríficos, apenas 21 unidades foram alvo de investigação. Dos 11 mil servidores do Ministério da Agricultura ligados a vigilância sanitária, apenas 33 servidores estão sendo suspeitos de participarem da fraude. Mas o estrago já foi feito. A marca que ficou é que nossos frigoríficos vendem carne podre, carne com papelão e nossos funcionários públicos são todos uns corruptos desalmados.

Um estado policialesco amador - a culpa é do Lula


Continua amanhã (22 de março)






segunda-feira, 20 de março de 2017

MESTRADO EM PARAUAPEBAS

Se você possui curso superior e deseja se tornar mestre, aguarde! O Blog tem uma ótima notícia para você.

A BELA E A FERA - O QUE POUCA GENTE VÊ NO FILME

Em cartaz nos cinemas nacionais e também aqui em Parauapebas, a nova releitura do clássico "A Bela e a Fera" traz uma mensagem subliminar que só os mais atentos conseguirão perceber: a diferença que a leitura faz na vida das pessoas. Assisti a esse clássico junto com minha filha, e pedi que ela fizesse uma resenha crítica. Ficou tão boa que decidi compartilhar aqui com os leitores. Aproveite a leitura e, se quiser, fique a vontade para compartilhar também.

A Bela e a Fera - Resenha


Por Lúa F. Vieira*


O novo filme da Bela e a Fera, live-action (filme com atores reais misturados com animação) do clássico desenho da Disney de 1991, vai além do conto de fadas, da história de um príncipe encantado egoísta amaldiçoado por sua soberba e transformado em uma Fera até que alguém aprendesse a amá-lo, e muito além da mensagem inicial de que devemos aprender a enxergar a essência e não apenas a aparência das pessoas.

O filme revive essa mensagem e vai muito além: é tocante, nostálgico, divertido, com uma fotografia impecável e com uma riqueza de detalhes dos cenários, destinado para os fãs da animação ou para que os que só ouviram falar do “conto tão antigo quanto o tempo”, para adultos e crianças. Impossível não se emocionar com a beleza e delicadeza dessa nova versão.

“A Bela e a Fera” conta a história de uma simples camponesa, moradora de um povoado pacato no interior, chamada de estranha por todos os aldeões por ter um hábito um tanto atípico para o local: a leitura insaciável dos poucos livros disponíveis ali. Vinte e seis anos atrás, a animação da Disney já trazia uma mensagem sobre liberdade e sobre a capacidade da leitura de revolucionar a vida das pessoas comuns.

Bela era uma moça bastante comum, exceto pelo fato de que vivia mergulhada em livros, enquanto as moças da região estavam mais preocupadas em arranjar um casamento com o bonitão do povoado. Apesar de nunca ter saído do vilarejo, Bela conhecia milhares de outros lugares para os quais havia viajado através dos livros. Lugares e épocas diferentes, pessoas, cenários e detalhes que conhecia através dos livros tornaram Bela uma pessoa diferente, inconformada com a realidade em que vivia porque sabia que existia muito mais além dos limites de sua pequena vila para conhecer. Bela queria desbravar o mundo. E foi por isso que não teve medo ao encarar a Fera e tomar o lugar de seu pai como prisioneira do castelo. Conhecer outras realidades através dos livros tornou Bela uma mulher destemida, corajosa. Em uma época onde as mulheres deveriam arranjar um casamento vantajoso e não lhes era permitido nada além de cuidar dos filhos e do marido, uma moça que lia e conhecia outras realidades era um tanto perigosa.

Contudo, a mensagem do filme ainda é bastante atual. A leitura tem um poder fascinante, mas pouco explorado e ainda desvalorizado. Os livros são quase mágicos: nos transportam imediatamente para a época e o local de sua narrativa. A riqueza de detalhes e as descrições precisas contidas em um bom livro têm um poder muito maior de nos fazer mergulhar em seu universo do que o melhor dos filmes. Através dos livros, podemos ser quem quisermos. Podemos conhecer outras culturas, lugares, pessoas e às vezes nos tornamos tão próximos dos personagens que ficamos um pouco órfãos quando um livro acaba. E ainda, ao mergulhar na vida de outras pessoas através dos livros, nos tornamos mais empáticos e sensíveis com o próximo. É como ver o mundo pelos olhos do outro.


A leitura transforma vidas. Pra constatar isso, bastar procurar as histórias de pessoas simples que venceram na vida através do estudo e dos livros. Pessoas destinadas a uma vida sem muitas perspectivas que revolucionaram a sua história através da leitura. Isso é possível porque a leitura nos permite contestar a nossa realidade, enriquece o nosso vocabulário, estimula a escrita, nos torna insaciáveis e ávidos por mais conhecimento. Mergulhar no universo da leitura é uma viagem sem volta: saímos totalmente transformados da experiência e ansiosos por outras aventuras. E você, para quantos lugares já viajou através dos livros?

*Advogada

quarta-feira, 15 de março de 2017

PARAUAPEBAS ADERE AO MOVIMENTO NACIONAL CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA E CONTRA TEMER



Nessa segunda, 15 de março, o Brasil inteiro parou em protesto a tentativa de destruição da previdência dos trabalhadores, arquitetada pelo governo ilegítimo Michel Temer e seus aliados. Em Parauapebas, mesmo sob um clima chuvoso, centenas de trabalhadores aderiram ao movimento nacional e fizeram uma marcha de protesto.

Professores, estudantes, funcionários dos Correios e
outras categorias se uniram numa corrente para demonstrarem a insatisfação contra o que chamam de ataques aos direitos dos trabalhadores. A reforma da previdência e o sucateamento da educação deram o tom aos protestos aqui no município. 

Reforma da previdência


Segundo as principais lideranças e vários especialistas, o projeto do Temer não é bem uma reforma, mas sim a destruição da previdência dos trabalhadores. Caso o projeto seja aprovado, o trabalhador terá que contribuir por 49 anos ininterruptos com a previdência para ter o direito a aposentadoria integral, e nem poderá ficar desempregado nesse período. Isso será quase impossível num país onde a expectativa de vida oscila entre 63 a 73 anos de acordo com a região.

Para os trabalhadores da educação, essa reforma
ainda será mais desastrosa. Imagine um professor com 70 anos ou mais tendo que dar aulas! Essa profissão, por natureza é desgastante, por isso o direito a aposentadoria especial que está sendo atacada pelo governo.

Educação


Professores e alunos da rede pública estadual engrossaram o movimento em Parauapebas devido ao estado de abandono da educação pelo governo Jatene. "As escolas estão à míngua e os trabalhadores estão há vários anos sem reajuste e, sequer o piso nacional obrigatório o governo está pagando" - afirma o professor Raimundo Moura em entrevista a uma rádio local. Sem contar com a falta de professores, de zeladoras, vigias, secretárias e demais funcionários mínimos para manterem as escolas funcionando minimamente. 

A máfia dos aluguéis


Outro fato que chama a atenção são os aluguéis pagos pela SEDUC aqui em Parauapebas. Locais sem as mínimas condições são alugados a preços exorbitantes, e o pior: nem os diretores tem acesso aos contratos e não tem a mínima ideia dos valores pagos, sugerindo assim que alguém do sistema está faturando alto com isso. Afinal, por que esconder? Não deveria haver transparência na educação?

O caso mais escandaloso é o da Escola Irmã Dulce que teve o prédio interditado desde 2013 e até hoje funciona num prédio alugado. Seria muito mais barato para o governo reformar o prédio, mas esse preferiu abandonar e deixar se deteriorando para sustentar esse esquema. 

Outro caso emblemático é o da Escola Estadual Janela Para o Mundo que funciona também num prédio alugado. Ninguém sabe o teor e nem o valor do contrato. Especula-se que o valor passa de sessenta mil reais mensais. O prédio é cheio de problemas estruturais, hidráulicos e elétricos, e ninguém sabe de quem é a responsabilidade. Para se ter uma ideia, a energia não aguenta a carga e as centrais de ar não funcionam sem a ajuda de um gerador a diesel. Se não fosse pela ajuda da prefeitura, a escola não funcionaria, pois além dos problemas estruturais, o Estado não contrata funcionários.

Além da manifestação de hoje, os professores da rede estadual deflagraram greve geral desde o dia 13 de março, e garantem que permanecerão assim até que o governo cumpra com suas obrigações mínimas. Realmente, estamos num estado de lamúria e abandono que tende a se aprofundar pelas ações políticas de um Estado corrupto que insiste em manter uma política de sucateamento dos órgãos públicos e de privilégios aos políticos.


COLUNA DO LEITOR - AS MULAS... (PARTE II)

 Por que na política algumas pessoas são chamadas de mulas? 


*Por José O. Zelão V. Reis


MULA NÃO FALA
MULA NÃO PENSA
MULA NÃO RECLAMA
MULA ATENDE AOS COMANDOS DO SEU DONO.
COMO TODO E QUALQUER ANIMAL IRRACIONAL, QUADRÚPEDE OU BÍPEDE, DOMÉSTICO OU SELVAGEM, MULA AGE POR INSTINTO.


         Numa sociedade formada por grande número de analfabetos, semi-analfabetos, analfabetos funcionais e políticos (não seria exagero afirmar que isto foi e continua sendo milimetricamente pensado, planejado e militarmente assegurado há séculos) é comum ver e ouvir pessoas humildes e às vezes até com certo grau de escolaridade imitar outras que elas julgam superiores, importantes ou mais inteligentes. São verdadeiros papagaios (repetem o que os outros falam ao invés de expressarem o próprio raciocínio) e macacos (imitam gestos humanos). 

Recentemente, a televisão ao tratar do seu tema preferido no jornalismo que mais se parece com um tribunal nos tempos da inquisição (do tipo que condenava o réu só pela prerrogativa da convicção de sua culpa), apresentou um delator que disse ter sido “o bobo da corte” – ao se referir ao governo do PT; e outro que disse ter “servido de mula” para um senhor de Eliseu Padilha, um dos principais articuladores do processo de impeachment que culminou com o golpe parlamentar que afastou do poder a Presidenta eleita Dilma Roussef. Este senhor que foi servido por uma “mula”, hoje é um dos principais colaboradores do governo ilegítimo. O fato é que no primeiro caso não houve “bobo da corte” e no segundo não houve atitude de “mula”. Os dois agiram conscientes do seu papel e principalmente de que estavam cometendo atos ilícitos. Mula aqui se refere quando as pessoas, principalmente jovens, geralmente ignorantes do que se trata ou alienados por opção, se encarregam de disseminar idéias da classe dominante, notícias falsas que de tanto serem repetidas parecem verdadeiras. Os políticos, os empresários e a mídia mal intencionados postam a notícia – no caso da internet – ou divulgam/publicam em outros meios de comunicação (rádio, jornal, televisão) e estas pessoas se encarregam de espalhá-las; nas redes sociais isto virou febre, visto que o acesso a este meio está praticamente universalizado.

Outro dia um desses mal intencionados postou a seguinte pérola: “as três virtudes do homem são ‘a preguiça, a arrogância e a mentira’”. Han!? VIRTUDES? Para ilustrar esta maravilha, o cidadão pegou aleatoriamente e fora de contexto várias imagens de Lula, desde o tempo de Lula metalúrgico até Lula pós-presidente. Na primeira imagem (não dá para especificar o público e o contexto da fala, mas quem conhece a sua trajetória e pela imagem do vídeo percebe claramente que ele ainda era um operário) Lula diz que tem preguiça de ler - primeira virtude do Lula: preguiça. Na segunda imagem, ao fazer um discurso exaltado, provavelmente rechaçando um algoz, Lula diz: “ele pensa que é Deus”? – segunda virtude do Lula: arrogância. Na terceira imagem, provavelmente em campanha eleitoral, Lula elogia um membro de partido aliado, que hoje está envolvido em corrupção – terceira virtude do Lula: mentira.

Percebam por este exemplo que a pessoa dona do post é tão má intencionada que primeiro ela diz “virtudes do homem”; e para ilustrar a sua sandice, toma Lula (em contextos diferentes e minuciosamente montados) como exemplo deste homem. Outra sandice que a mula não percebeu, ou percebeu e ignorou por se tratar de Lula, é que preguiça, arrogância e mentira nunca foram e nunca serão virtudes, ao contrário, podem ser consideradas como os piores defeitos do ser humano.

Daí, um jovem que conheço, um reles funcionário de uma empresa que suga até a última gota do seu sangue em troca de um salário de miséria e de uma camisa (ainda serve de garoto-propaganda), sentindo-se inteligente e orgulhoso por ser funcionário de uma grande empresa, compartilha esta postagem e ainda faz comentários criticando o Lula por suas... “virtudes”. Pobre mula! Na tentativa de alertá-lo, digo que ele está sendo usado para espalhar falsas notícias, que durante os seus dois mandatos Lula foi considerado por grandes chefes de importantes nações como o melhor Presidente do Brasil e que o seu legado continua digno de respeito. O jovem me respondeu pronta e literalmente: “podiam dizer que foi também o maior e o melhor ladrão”. Entenderam para que servem as mulas e como elas são utilizadas com grande facilidade e a custo zero?

Só penso que nós devemos ter muito cuidado para não nos apanharmos jogando pérolas aos porcos. Porque afinal...
MULA NÃO FALA
MULA NÃO PENSA
MULA NÃO RECLAMA
MULA ATENDE AOS COMANDOS DO SEU DONO.
COMO TODO E QUALQUER ANIMAL IRRACIONAL, QUADRÚPEDE OU BÍPEDE, DOMÉSTICO OU SELVAGEM, MULA AGE POR INSTINTO.

*Pedagogo e Educador Ambiental

terça-feira, 14 de março de 2017

COLUNA DO LEITOR - AS MULAS E SEUS PRÉSTIMOS


*Por José O. Zelão V. Reis.


A mula, fêmea do burro, é um quadrúpede da família dos muares; é um animal de médio porte, se comparado à égua, fêmea do cavalo; é relativamente dócil e muito utilizada para montaria e transporte de carga por ser resistente e capaz de percorrer longas distâncias por caminhos e trilhas difíceis – daí ser valorizada e festejada pelos seus criadores. Em algumas regiões do sul do Brasil, os criadores de mulas fazem anualmente uma mulaiada (cavalgada com mula), percorrendo várias estâncias, passando por vários municípios e encerram a jornada com uma grande festa em louvor à mula.

Por que algumas pessoas são chamadas de mulas?


Com a expansão do tráfico internacional de drogas ilícitas, cresceu também o cerco aos traficantes. No início, o chefe fazia pessoalmente toda a movimentação, desde a compra até a distribuição do produto, utilizando apenas alguns intermediários de sua confiança, os chamados soldados da droga. Com a empresa crescendo, o comércio se expandindo e o cerco se fechando os chefes, agora empresários do crime, passaram a criar novos mecanismos de auto-proteção e proteção dos seus negócios. Nesse caso o chefe passa a ser uma figura invisível, quase uma incógnita e os seus auxiliares diretos são os seus olhos, suas pernas e seus ouvidos, são os chamados laranjas. O negócio com drogas é rentável (basta ver que os traficantes, mesmo os pé-de-chinelo, andam de carros de luxo, moram em mansões e gostam de ostentar, mas a maioria não tem boa formação escolar, profissão definida e não estão empregados em trabalhos formais), mas tem que ser em grande escala; então, como fazer circular tanta droga no mercado consumidor (vários países) sem correr o risco de ter perda total da carga, no caso de uma apreensão? É aí que entra a inovação do comércio – bem vindas as mulas.

Os sistemas nacionais e internacionais de detecção e apreensão de drogas se modernizam a cada dia, desde a utilização de sofisticados recursos tecnológicos a cães farejadores altamente treinados. Mas o pessoal do crime também se moderniza, fazendo uso da mesma tecnologia, passando pelo processamento químico para modificação do formato e embalagem das drogas à utilização de mulas (ambiciosas e despreparadas) para o perigoso transporte – a carga é explosiva, nesse caso é preferível perder uma mula de cada vez do que perder toda a carga de uma só vez. Se a mula conseguir percorrer o sinuoso caminho e chegar ao destinatário com a carga intacta, ponto para ela (desta vez) e mais vantagens para o chefe. Acontece que de tanto percorrer as mesmas trilhas, a pobre e gananciosa mula acaba se acostumando e nem percebe que com o tempo a trilha vai se modificando e criando obstáculos/armadilhas invisíveis – um dia, e é questão de tempo, ela cai. Mula presa é mula morta, e nesse caso o chefe quase sempre permanece uma incógnita, com perdas materiais pequenas e apenas a mula perdeu... a vida. 

(...Continua amanhã).

Parte II
Por que na política algumas pessoas são chamadas de mulas? 

*O autor é Pedagogo e Educador Ambiental

quinta-feira, 9 de março de 2017

CRÍTICA LITERÁRIA - UM VIGILANTE ESCRITOR

Ou seria o escritor vigilante?


Ultimamente, ando sempre batendo nessa tecla: a leitura melhora o ser humano consideravelmente e melhora-o em todos os sentidos. Através da leitura vamos quebrando as barreiras da ignorância e abrindo a visão para novos horizontes.

Através de uma amiga do Face descobri um vigia lotado na rede municipal que seria escritor. Fui atrás, e com a ajuda de um amigo professor - professor Avone - consegui localizá-lo. Trata-se do escritor Francisco Rodrigues do Nascimento, que atualmente está lotado como vigilante na escola Benedito Monteiro. Outro dia, marquei uma conversa inicial com o Francisco, que me recebeu na escola Carlos Henrique. Ele me presenteou com um exemplar do seu livro de poesias "Relicário" - Ar Editora.

Inicialmente fiquei impressionado com a determinação do Francisco e com a disposição que tinha para trabalhar e produzir literatura. Com muita humildade, ele foi discorrendo sobre sua arte com maestria e paixão e, vi nele a sabedoria que não encontrei em muitos profissionais diplomados nesses meus trinta anos de magistério.

Após ler seu livro, resolvi marcar uma entrevista nessa segunda (06/03) na escola Benedito Monteiro no seu horário de trabalho. Entre os cuidados com o atendimento ao público que chegava ao portão e com os alunos, foi solícito e me esclareceu alguns fatos sobre sua vida, seus projetos e sua literatura. 

Quem é Francisco Rodrigues?


Francisco Rodrigues do Nascimento é natural do interior do município de Esperantinópolis - MA, onde nasceu em 1º de maio de 1966. De família humilde, ficou órfão de pai ainda criança e começou a frequentar a escola primária somente aos 12 anos de idade.

No Maranhão, ganhou alguns prêmios literários com sua literatura poética em diversos concursos. Como todo imigrante, em 2004 veio à Parauapebas em busca de uma vida melhor e novas oportunidades. Diz já se considerar filho de Parauapebas onde já conquistou importantes  amizades.

Como escritor, Francisco Rodrigues prioriza a poesia, contos e, principalmente a literatura infanto-juvenil. Já não é mais um escritor de primeira viagem como o blogger. Publicou "Relicário" em 2014, "A coruja vaidosa" em 2015 e está aguardando a publicação de "A minhoca poetisa" que já está na fase final na editora.

Francisco iniciou o curso de Pedagogia, mas descobriu que não seria bem isso o que queria. Atualmente cursa licenciatura em Letras na UNINTER e, com muita dificuldade, tenta equilibrar a dura rotina do seu trabalho como vigilante com a de estudante. Segundo ele, isso tem atrapalhado um pouco, mas não desiste. Ainda encontra tempo para sua maior paixão que é ler e escrever e trabalhar com crianças. Faz um trabalho voluntário em algumas escolas com projeto de leitura e incentivo a produção de texto. Produz textos intensivamente, e fora as obras publicadas, já possui vários trabalhos aguardando uma oportunidade para publicá-los.

Li o livro de poesias "Relicário" numa sentada e, apesar de não ser muito fã do gênero, achei espetacular, digno de destaque. O "Relicário" é uma caixa especial com um grande tesouro, que vai desde poesia romântica, poesia ecológica, até a poesia com críticas às desigualdades sociais. 

Recomendo e incentivo a obra desse escritor.

quarta-feira, 8 de março de 2017

08 DE MARÇO - DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Homenagem do Blogger a todas as mulheres


Nesse dia Internacional da Mulher quero prestar minhas singelas homenagens a essas guerreiras que fazem toda a diferença em nossa vida. Você mulher, que luta incansavelmente para derrubar barreiras, preconceitos e estereótipos, receba nosso reconhecimento. Saiba que sua luta não é em vão e muito tem contribuído para tornar nossa sociedade mais humana.

Esse ser tão forte e belo, tão sublime e inquietante que tornou-se essencial em nossa vida. Pobre do homem que não aprende a valorizar, respeitar e admirar as mulheres; pobre dos que ainda pensam que o papel da mulher é secundário, ou que ela é apenas coadjuvante no palco da vida; pobre dos que ainda comungam com o pensamento de que "atrás de um grande homem, existe sempre uma grande mulher". Pois o seu papel é de atriz principal nessa grande peça que é a vida; seu lugar é ao nosso lado, à nossa frente ou em que posição quiser estar. Assim, continua bela, sem pedir licença, sem se intimidar e sem medo de viver. Apesar de todas as adversidades, das barreiras da ignorância, do machismo, segue em frente, conquistando espaços e destruindo tabus.

Igualdade de gênero


No Brasil, apesar de todos os avanços, ainda estamos longe de conquistar a posição civilizada da igualdade entre homens e mulheres. Muitos homens ainda acham que igualdade de gênero consiste em a mulher carregar o mesmo peso que ele, trocar a lâmpada, roçar uma juquira ou outras bobagens do tipo. Não. Definitivamente não é isso, pois todos sabem que homens e mulheres são diferentes fisicamente.

Liberdade de gênero consiste em conquistar os mesmos direitos humanos, as mesmas posições sociais, e, acima de tudo, não discriminar a mulher por seu gênero. Consiste em entender e compreender que ela pode fazer o que quiser, de estar onde quiser e, desfrutar dos mesmos direitos dos homens.

Não podemos admitir uma sociedade onde uma mulher que trabalha na mesma função de um homem com a mesma qualificação, ganhe salário inferior. A mais recente pesquisa da Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (CEPAL) afirma que elas estão ganhando até 25,6% menos do que os homens. "Embora a diferença salarial entre homens e mulheres tenha diminuído 12,1 pontos percentuais entre 1990 e 2014, as mulheres recebem,  em média, apenas 83,9 unidades monetárias por cem unidades monetárias recebidas pelos homens, de acordo com a CEPAL. (Fonte: globo.com).

E sobre a violência, os números são mais estarrecedores. No Brasil, a população feminina ultrapassou 103 milhões de mulheres em 2014. Uma em cada cinco, considera já ter sofrido alguma vez “algum tipo de violência de parte de algum homem, conhecido ou desconhecido” (Fundação Perseu Abramo, 2010).

Embora muitos avanços tenham sido alcançados com a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), ainda assim, hoje, contabilizamos 4,8 assassinatos a cada 100 mil mulheres, número que coloca o Brasil no 5º lugar no ranking de países nesse tipo de crime. Segundo o Mapa da Violência 2015, dos 4.762 assassinatos de mulheres registrados em 2013 no Brasil, 50,3% foram cometidos por familiares, sendo que em 33,2% destes casos, o crime foi praticado pelo parceiro ou ex. Essas quase 5 mil mortes representam 13 homicídios femininos diários em 2013.

Todo dia deve ser dia da mulher


Não adianta nada postar mensagens nas redes sociais homenageando as mulheres no dia 8 de março e no resto do ano ter atitudes machistas. Homens de verdade sabem valorizar e respeitar as mulheres sempre. Não fazem piadas machistas, não repetem comportamentos discriminatórios, e, acima de tudo, educam seus filhos para terem comportamento civilizado. Homens que gostam de mulheres de verdade, amam, respeitam, cuidam e não permitem nenhum tipo de preconceito.

Feliz dia da mulher sempre!

terça-feira, 7 de março de 2017

COLUNA DO LEITOR - HUMANOS OU EXTRATERRESTRES?


*Por José Orlando V. Reis

O ser humano tem uma inteligência tão complexa, mas é TÃO que a própria inteligência humana não consegue explicá-la. Por exemplo, alguns séculos a.C já se construíam pirâmides e suntuosos templos e palacetes com uma tecnologia digna de uma imaginação futurista. Na chamada América pré-colombiana, antigas civilizações construíram verdadeiras cidades com sistema de ventilação, irrigação, defesa e até iluminação. Alguns estudiosos mais afoitos chegaram a especular que teriam sido construídas por seres extraterrestres e que estes mesmos seres teriam construído as pirâmides do Egito, como se fossem deuses (Eram os Deuses Astronautas? - de Erich von Däniken).

No Séc. XX o homem conquistou o espaço, fez turismo na lua e povoou o espaço de satélites para nos deixar mais próximos, porém separados por muralhas de concreto e arames farpados e eletrizados – as fronteiras que nos separam não são apenas linhas divisórias imaginárias, são reais e impeditivas.

O ser humano do Séc. XXI não é imortal, mas já consegue prolongar a vida, percorrer o mundo em menos de um segundo, voar à velocidade da luz, viver com o coração de outro, enxergar com os olhos de outro - e outros outros - e, se bobear, caminhar (literalmente) sobre as águas.

Um dia a gente chega lá. Mas desejo que esta inteligência seja utilizada primeiro para:

1. Produzir alimento saudável e suficiente para eliminar a fome no mundo;

2. Produzir medicamentos eficazes no combate a epidemias e doenças contagiosas e que seja de fácil acesso a toda população que deles necessitar;

3. Universalizar a educação, bem como garantir o acesso de todos aos conhecimentos científicos e tecnológicos;

4. Banir da face da terra todo tipo de arma de destruição em massa, bem como qualquer tipo de arma que tenha como único fim matar;

5. Garantir a todos os seres humanos acesso à moradia decente, bem como mobiliário e vestuário;

6. Eliminar todo tipo de preconceito garantindo que todos sejam respeitados e tratados como o são;

7. Eliminar todo e qualquer tipo de fronteira que sirva de barreira para os seres humanos;

8. Construir condições universais para a convivência harmônica, pacífica e solidária; que ser humano e natureza sejam UM; e, finalmente
9. Consolidar o direito do ser humano de ser HUMANO.

Sim, isto pode ser um sonho, mas se o ser humano é inteligente o suficiente para construir e realizar coisas tão grandiosas, por que não dar apenas nove passos para realizar coisas tão pequenas? Aliás, este poderia ser o décimo passo para a consolidação da raça humana e a perpetuação da espécie e, consequentemente do universo.

Bora lá?

*Professor
 

sexta-feira, 3 de março de 2017

NOSSOS VÂNDALOS "QUERIDOS"

Hoje (03) assistindo ao telejornal, vi uma cena que está se tornando corriqueira no Brasil: vândalos destruindo paradas de ônibus no Rio de Janeiro, causando transtornos e prejuízos para todo o público. Infelizmente, esse não é um caso isolado e não acontece só no Rio de Janeiro. Acontece no Rio, em São Paulo, no Oiapoque, no Chuí e, principalmente aqui em Parauapebas. Esses seres agem como ratos e vão destruindo tudo o que encontram pela frente. E toda a sociedade paga caro por esses atos.

Mas de onde surgem esses vândalos? Surgem no seio de nossas famílias, na nossa vizinhança, bem debaixo do nosso nariz. Pequenas atitudes vão sendo ignoradas e passando despercebidas e, quando menos se espera, eis aí mais um vândalo, um marginal. No começo, a criança faz uma birra, se joga no chão no corredor do supermercado quando a mãe não lhe compra o doce; um adolescente sai batendo porta, outro chuta uma cadeira... E os pais apenas repetem: "isso é coisa de criança, de adolescente". O estudante comete um ato grave de indisciplina na escola e a direção manda chamar os pais. Depois de várias tentativas, a mãe aparece brava e grita: "com tanta coisa que eu tenho para fazer e vocês me chamam aqui por causa de uma besteira dessa?". 

E assim, vamos formando nossos delinquentes, nossos vândalos queridos. Esses seres crescerão, serão pais e formarão outros vândalos, outros delinquentes para povoar ainda mais nossa sociedade. Eles frequentam igrejas, clubes sociais e convivem conosco. Alguns viram vereadores, deputados, senadores, prefeitos... Outros, viram médicos, advogados e até professores. Outros ainda vestem a camisa da CBF e vão para as ruas bradar contra a corrupção e a roubalheira, para logo em seguida, saquear alguma loja no primeiro tumulto ou chutar mendigos na rua. Outros vão espancar mulheres e fazer piadas nas redes sociais contra negros e homossexuais. Muitos, adoram falar mal dos políticos para, na próxima eleição, votar no pior candidato que lhe prometer alguma vantagem pessoal ou pagar pelo seu voto.

Mas no final das contas, são todos gente "boa", gente "simpática", gente "trabalhadora". Às vezes, temos que imitar seu comportamento para sermos aceitos na sociedade como seres normais, e não sermos taxados como bichos esquisitos, metidos a intelectuais ou coisa do gênero.


quinta-feira, 2 de março de 2017

UM CIDADÃO CHAMADO EUGILSON

Sempre que posso vou à feira aos sábados. Além de comprar produtos frescos vindo da roça, gosto da atmosfera, do cheiro de frutas misturado com ervas, do burburinho, e, principalmente de observar as pessoas. Circulo de banca em banca olhando, apalpando, cheirando, conversando... Presto atenção no comportamento das pessoas envolvidas no processo. Tenho essa mania de observar, de estudar gente, e estou ficando bom nisso. 

Vejo gente honesta que tem orgulho de estar ali do lado de dentro da banca vendendo seus produtos. Dá para notar na expressão, no sorriso, no tom de voz que trata-se de um batalhador que não tem vergonha de ir à luta. Logo na entrada cruzo com um homem oferecendo amostra de biscoitos de polvilho. "Chega aí freguês. Estou aqui por que você veio", e enche minha mão de biscoitos. Provo sem pudor. Uma delícia daquelas que faz croc, croc na boca. "Chega mais, aqui o camarão tá fresquinho", grita um senhor com sotaque paraense. No setor de aves, observo uma garotinha de uns doze anos ajudando a mãe. Fico assustado com sua destreza com a faca no pescoço da galinha que esperneia indefesa enquanto o sangue escorre. 

Mas vejo também gente infeliz, com uma aura negra em volta da cabeça. Gente  demonstrando desprezo pelo trabalho, vergonha por estar ali. Gente trapaceando no peso e no troco. Felizmente, essa gente é minoria. No geral, volto da feira com as sacolas e a alma cheia. Cheia de boas vibrações, de riquezas sensoriais, de bons exemplos de vida, de histórias de superação e sucesso.

Nessas minhas andanças pelos corredores da feira do produtor, descobri um ser humano que faço questão de destacar aqui. Todos que me conhecem sabem como incentivo a prática da leitura por onde passo. Acredito que isso fará toda a diferença na construção de uma sociedade mais civilizada e humana. Trata-se do senhor Eugilson Rodrigues, feirante de 33 anos que trabalha na feira vendendo frutas junto com sua mãe de 65 anos, mãe de oito filhos. "Sou sempre um feirante da roça", se auto define.

Sábado (18) estava na feira. Numa banca, enquanto escolhia mamão, o vendedor me perguntou: "você é o Luiz Vieira?" Respondi: muita gente me pergunta isso. Espero que esse tal Luiz Vieira seja gente boa, pois constantemente sou confundido com ele, - brinquei. Ele, meio intrigado continuou me olhando. Paguei a conta e disse: muito prazer. Sou o Luiz Vieira. De onde você me conhece? Ele deu um sorriso e respondeu: "sou fã do seu blog. Leio todo dia. Gosto do jeito que você escreve, tipo assim... Você fala de um jeito... Exemplo: você fala da feira sem falar diretamente em feira. Como se chama?" Emendei: metáforas. Ele disse: "sim. Isso aí. Você escreve por metáforas". 

Agradeci pelo prestígio e senti-me honrado por ser reconhecido numa feira. Mas fiquei mais feliz por ver um feirante humilde se comportar como um crítico literário. Voltei a feira no sábado seguinte e presenteei-o com um exemplar do meu livro "O escorpião e a borboleta". 

Num rápido bate papo, descobri que além de feirante, o Eugilson está se formando em Pedagogia e Teologia. É o tipo de gente que faz a diferença, que corre atrás, que não se acomoda. Tomo-o e ofereço-lhes como um grande exemplo. Independente da classe social, do trabalho, da cor, ou de qualquer situação, todos podem buscar uma formação, uma nova fonte de conhecimento, uma nova oportunidade. E digo com toda a convicção do mundo: a leitura é a porta principal para nossa transformação. Quem lê é MAIS.